Write loud and clear about what hurts

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Se conseguisse descrever-me em poucas palavras não tinha criado um blog. Desde 2009 a escrever sobre pedaços aleatórios de vida e histórias mirabolantes. Para questões, sugestões ou dúvidas existenciais, ana_bmd@sapo.pt




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“Home is Where the ♥ is”
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friendship is effortless
quinta-feira, 30 de março de 2017 || 7:35 da manhã

Para mim é muito simples, se uma relação de amizade (ou qualquer outra, na verdade) não flui naturalmente e sem qualquer esforço, então não vale a pena tentar faze-la resultar porque amizade faz-se de cliques automáticos e não faz sentido com palavras medidas. 

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das pessoas
quarta-feira, 29 de março de 2017 || 11:42 da manhã

Demorou 22 anos, mas finalmente sou amiga de um casal. Isto é, tenho um grupo de amigos em que sou igualmente amiga de ambos os elementos do casal ao invés de ser muito amiga de um elemento e conviver agradavelmente com o outro. É incrível!



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dos microditadores
terça-feira, 28 de março de 2017 || 4:49 da tarde

"O poder não corrompe ninguém, só revela " - Pê

Mais do que as pessoas que perdem o controlo com grandes doses de poder e responsabilidade nas mãos, assusta-me olhar à minha volta e ver tantas pessoas tornarem-se monstros com pequenas migalhas de poder. O meu colega manda toda a gente que sussurra estar calada e que insiste em fazer perguntas diretas a quem está menos atento sempre que faz uma apresentação. A minha colega que fez um turno como voluntária coordenadora num evento e passou o dia a dar ordens mal dispostas. A minha professora que insiste em trancar a porta 30 segundos antes de o intervalo terminar e obrigar metade da turma a esperar 5 minutos à porta, acompanhando a sua entrada com comentários humilhantes todas as aulas. A senhora da secretaria do secundário que trata todos os adolescentes de forma rude e mal-educada. O meu amigo recrutador que se transforma na pessoa mais mesquinha e condescendente quando entra numa sala de seleção e tem um grupo de candidatos à sua responsabilidade. A salmista da igreja onde fui anos a fio que achava que tinha o direito de impedir as pessoas novas naquela paróquia de se sentarem nas primeiras 5 filas. 




Mais do que os diretores ou chefes que abusam todos os dias, aterrorizam-me estes pequenos ditadores que aproveitam os pequenos detalhes do quotidiano para aterrorizar as pessoas com quem se cruzam- Porque eu ate consigo tentar compreender que alguém, eventualmente baixe a máscara e se revele com uma quantidade grande de poder, mas nunca vou conseguir entender quem se deslumbra com pequenas migalhas de influência e controlo nas vidas alheias. 

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duas colheradas e meia de auto-reflexão
segunda-feira, 27 de março de 2017 || 5:05 da tarde

Tive que escolher uma citação que me descrevesse para figurar numa espécie de yearbook. Qualquer citação mais negativa teve que ficar automaticamente excluída porque sou forte apologista de não mostrar vulnerabilidade em contexto profissional. Escolher uma citação que me dissesse algo e representasse alguma experiência relevante da minha vida sem mostrar vulnerabilidade foi muito difícil, mas acabei por reduzir o leque inicial a duas finalistas.
Porque, por um lado, acredito que o caminho mais direto para o sucesso é uma mistura de trabalho, ambição e gentileza e não coloco o meu desenvolvimento pessoal atrás do meu desenvolvimento profissional. Tratar-me bem a mim própria, gostar de mim mesmo quando quem me rodeia não gosta e tratar toda a gente com respeito são must have e não nice to have. Por outro lado, escrevo e leio avidamente desde que me conheço e nos meus momentos mais difíceis, escrever sobre isso ajudou-me a organizar as ideias e ler aquilo que os outros passaram a papel distraiu-me a cabeça e ajudou-me a olhar para os meus próprios problemas. E quis que a minha citação final englobasse estas duas facetas de mim, por isso cheguei a um resultado final no qual tentei misturar a ambição de ser melhor todos os dias e de continuar soft e macia com a paixão pela literatura. E o resultado final foi, basicamente, o meu lema de vida:

Write loud and clear about what hurts. And then move on. 

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Sobre a Bela e o Monstro
sexta-feira, 24 de março de 2017 || 11:47 da manhã

O protótipo de masculinidade continua a ser o homem meio insensível que pensa com a testosterona. Uma boa parte das raparigas cultas e introvertidas continuam a ser marginalizadas na escola porque a inteligência e o conhecimento ainda não são sexy. A aparência e as operações Beach Body continuam a ser o principal critério de valoração das pessoas. Continua a existir o estigma de que as pessoas mais criativas e inventivas são meio desequilibradas. Estamos em 2017 e continuamos a representar homens gay como submissos e efeminados. À parte do infeliz paralelismo entre um filme que pretende retratar uma situação vivida na sociedade do século XVIII e a atualidade, o filme está mesmo muito bom.

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dos detalhes
quinta-feira, 23 de março de 2017 || 2:01 da tarde

Nos meus melhores momentos e nos meus piores momentos, nas noites de alegria eufórica e de tristeza angustiante aprendi, em igual medida, que o mundo nunca para de girar. 


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Gratidão
terça-feira, 21 de março de 2017 || 9:15 da tarde

Amigos que me obrigam a ir jantar fora a uma segunda-feira em que só quero ir para a cama cedo. Power naps que na verdade duram 3h. Ver os meus amigos a conseguirem os empregos dos seus sonhos. Almoços e jantares bons. Fins-de-semana em que o mundo deixa de existir e posso perder-me nas minhas séries. Entrar mais tarde dois dias por semana. Dormir muito muito muito. Estar a ler três livros a passo de caracol e aprender a gostar de personagens que não me eram óbvias. Batatas-fritas, gelado ou petit gateau em dias maus. Camisolas quentinhas e confortáveis intercaladas com camisolas leves e casacos finos. Chainsmokers a tornar o meu estudo mais agradável. Pasteis de nata doces doces doces. Ter reencontrado tumblrs muito bons de um nicho com o qual eu tinha perdido o contacto. A minha segurança que, modéstia à parte, consegue ser inabalável. Ir ao cinema com amigas que já não via há um mês.

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dos eu jás e dos eu nunca
sábado, 18 de março de 2017 || 2:20 da tarde

Quero muito saltar de paraquedas, mas estou propositadamente a guardar essa experiência para marcar o momento em que vou atirar os braços ao ar e decidir que quero libertar-me de uma série de amarras e começar a pensar menos nas consequências de tudo o que faço. Sei, com toda a certeza, que isso vai acontecer num futuro a curto-médio prazo, só ainda não sei exactamente quando. 

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das pessoas
sexta-feira, 17 de março de 2017 || 11:32 da manhã

Houve alturas na minha vida em que senti, com muita intensidade, que não conhecia as pessoas certas. Ou, conhecendo algumas pessoas certas, sentia que conhecia maioritariamente pessoas com as quais não existia identificação e empatia ou que não me acrescentavam nada a nível social. De há uns tempos para cá sinto exactamente o contrário: tenho tantas pessoas impressionantes e com quem sei que há um potencial de amizade enorme que desejava ter mais tempo para poder construir uma relação séria com todas elas. 

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dos 15 minutos diários
quinta-feira, 16 de março de 2017 || 6:07 da tarde

Fico muito feliz quando chego a casa e tenho montanhas de posts da Pê, da Magnet e da Nosky para ler. Acho muito giro ler sobre o quadro geral da vida das bloggers que sigo, mas há algo na forma como elas as três falam dos detalhes e lhes dão cor que me faz apaixonar pela vida vista pelos seus olhos. 


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25 minutos de mindfulness
quarta-feira, 15 de março de 2017 || 1:37 da tarde

Gosto muito de pessoas, mas confesso que os meus momentos favoritos do dia têm sido aqueles 25 que passo sozinha num sítio recatado da faculdade enquanto o dia acaba de nascer e espero pela minha primeira aula e o momento em que fecho os olhos e me afundo no sofá a absorver o silêncio e quietude da minha casa quando chego, ao final da tarde. 

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[private post]
segunda-feira, 13 de março de 2017 || 10:20 da manhã

Controlar as minhas emoções e analisar tudo o que eu faço de forma objetiva, independentemente do quanto doa cá dentro ou da vontade de dançar e rodopiar, é uma das maiores qualidades que me obriguei a construir em mim, mas fazê-lo sem desvalorizar nem por um segundo aquilo que sinto vai ser sempre um dos meus maiores feitos a nível de desenvolvimento pessoal. 


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dos dias
sábado, 11 de março de 2017 || 9:41 da tarde

Este verão fiz algo pouco habitual em mim e que a maioria das pessoas que me conhece diria não ser boa ideia e nada o meu estilo. É, no entanto, uma das memórias deste Verão que guardo com maior carinho e foi um dos momentos em que me senti mais eu.

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Guilty Pleasure
sexta-feira, 10 de março de 2017 || 8:53 da tarde

Passar horas a ver vídeos de youtubers que falam dos livros que lêem. A minha lista continua a crescer e eu não consigo parar de as ouvir falar dos favoritos delas. 





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Sobre o post de ontem
quinta-feira, 9 de março de 2017 || 3:39 da tarde

Um amigo telefonou-me para lhe dar a minha opinião sobre o tipo de perguntas que fazia sentido fazer num painel de mulheres de sucesso porque, disse-me, eu era a referência de feminismo saudável dele. Sei que estou a fazer algo bem quando sou a referência de alguém no que toca a igualdade de género!



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Não é cor-de-rosa, é cinzento.
quarta-feira, 8 de março de 2017 || 8:32 da manhã

O melhor amigo da minha mãe, em casa de quem passei uma semana no Carnaval tem uma esposa e três filhos. Todos os anos passam férias em Portugal, têm uma casa incrível e juntam-se à mesa para jantar, tal como quase todas as famílias normais. O que quase ninguém sabe é que ele costumava agredir a mulher numa base quase diária. O que escapa ao observador menos atento são os sobressaltos quase imperceptíveis e o terror que passa nos olhos das filhas quando ele levanta a voz. Escapam facilmente as frases como "as mulheres são muito sensíveis", "há muitas galdérias que não guardam respeito a elas próprias e à família" ou os "deve ser uma mulher a conduzir". O melhor amigo da minha mãe é uma pessoa com um bom ordenado e que - não duvido - quer muito bem à esposa e às filhas. É alguém que faria tudo pela família e até por mim ou pela minha mãe. 


O que eu quero dizer é que na vida, raramente temos situações pretas ou brancas. Mexemo-nos e vivemos no cinzento. E no cinzento é fácil normalizar e rir de uma piada machista. É fácil ir aceitando todas as tarefas domésticas e fazer malabarismo com as limpezas, a cozinha, a marmita para o trabalho do marido no dia seguinte e as compras. É fácil desculpar um soco ou um estalo num dia de stress. É fácil normalizar uma série de situações que não são normais e interiorizar, de forma absolutamente subconsciente que o nosso valor, enquanto mulheres, é inferior ao de um homem. Há boas pessoas que são machistas. Pessoas que estão completamente integradas na sociedade. Que têm amigas e esposas. Que são, elas próprias, mulheres. Há ainda milhares de machistas e milhares de homens e mulheres que sofrem diariamente porque os cinzentos da vida são difíceis e dão aso a inseguranças e à normalização de ofensas que não são perdoáveis. Mesmo quando praticadas por boas pessoas. Ou por outras mulheres. 


Não vamos mudar o mundo hoje. E não o vamos conseguir mudar enquanto tentarem celebrar o Dia da Mulher com rosas, o maior cliché do mundo machista. É um dia de luta, é um dia de luto pelos direitos e oportunidades que ainda não temos apesar de serem nossos por direito. (na prática, não na teoria). Cabe-me a mim e a cada um de vocês lutar e virar o mundo do avesso para que, num futuro próximo, seja inconcebível do ponto de vista social e cultural aceitar normalização de ofensas não normalizáveis. A violência doméstica. A repressão sentimental em que a maioria dos homens vive. A mutilação genital. O controlo dos maridos sobre as mulheres. O cor-de-rosa para meninas e azul para meninos. O "deve ser uma mulher a conduzir". Os 75 centimos por cada euro que um homem ganha. A evidente falta de representação nas posições de gestão e política de topo. 

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facto.
terça-feira, 7 de março de 2017 || 4:24 da tarde

Às vezes, voltar a casa é a nossa maior viagem. 

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Postcards from Luxembourg
segunda-feira, 6 de março de 2017 || 3:59 da tarde

Trouxe muitas recordações boas, mas a melhor e mais significativa foi a possibilidade de usar esta semana para passear sem destino, ver filmes e simplesmente sentar-me e falar com pessoas sem pressas e responsabilidades a dividir-me a atenção. Também trouxe uma ligeira entorse num pé, mas não falemos disso. 



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Postcards from Luxembourg
sábado, 4 de março de 2017 || 5:30 da tarde

Há uma semana atrás joguei Laser Tag e fiquei em último lugar. Ontem joguei Bowling e voltei a ficar em último. Até há pouco tempo atrás eu era bastante razoável neste tipo de atividades, agora sou só excelente a perder com graciosidade. 




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Postcards from Brussels
sexta-feira, 3 de março de 2017 || 12:00 da manhã

Fiz uma viagem longa num comboio internacional e não encontrei o amor da minha vida. Tirei muitas fotos bonitas e usei o clima cinzento a meu favor. Andei mais agasalhada na rua do que alguma vez julguei ser necessário. Achei os belgas muito mais simpáticos do que me contaram. Comi uma waffle típica a 1€ e agradeci ao universo as promoções que incluem waffles com açúcar em pó. Andei demasiados quilómetros porque confiei em alguém que não sabe ler mapas. Gostei mas não me apaixonei. Adicionei mais um país à minha lista. Fui a pessoa feliz que murmurou músicas alegres para si própria durante toda a visita à cidade. Permiti-me ficar o tempo que quis na Grand Place e sentir-me voltar à praça principal de todas as cidades incríveis que já visitei. Saí da zona turística durante umas horas. Fui leve. 


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Postcards from Luxembourg
quarta-feira, 1 de março de 2017 || 11:13 da tarde

Estou hospedada em casa do melhor amigo da minha mãe, mas se não me lembrasse desse detalhe, pensaria facilmente que estava numa aldeia portuguesa dos anos 60. Já conheci muitas famílias atípicas e desligadas da realidade, mas nenhuma conseguiu igualar o nível de alienação social da família do melhor amigo da minha mãe. O que vale é que eu sou boa a despersonalizar e desvalorizar contextos sociais que me são incómodos. Tenho anos e anos de prática a viver em micro-realidades, caso contrário não sei se suportaria esta semana com tanta leveza e despreocupação. 

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