Write loud and clear about what hurts

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Se conseguisse descrever-me em poucas palavras não tinha criado um blog. Desde 2009 a escrever sobre pedaços aleatórios de vida e histórias mirabolantes. Para questões, sugestões ou dúvidas existenciais, ana_bmd@sapo.pt




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Postcards from Luxembourg
terça-feira, 28 de fevereiro de 2017 || 9:43 da tarde

Estou cá hà 24h e já acabei um trabalho, revi 4 documentos de uma ponta à outra, enviei 7 emails importantes, comi num restaurante de fast food onde não ia há anos porque tudo lá me sabe mal, dancei na neve, tirei fotografias num parque natural meio congelado, bebi mais sumo do que nos últimos dois meses, planeei os próximos dias, repus horas de sonos, vi um filme coreano que andava a adiar há séculos, conheci três das maiores cidades do país e revi um velho amigo que, entretanto, se transformou num traste. Nem vos digo nem vos conto, andei atarefada porque todos os segundos contam e amanhã tenho mais mundo para conhecer e mais trabalhos da faculdade para entregar.

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Das palavras
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017 || 11:13 da manhã

Os meus amigos mais recentes vêm ter comigo muitas vezes para eu os ajudar a arranjar a palavra certa ou para dar retoques nas frases sobre as quais têm dúvidas. Vejo-lhes os olhos a vaguear na minha direção quando alguém utiliza um termo desadequado ou cujo significado eu lhes tenha explicado anteriormente. E sinto a minha pele aquecer com raios de sol quando eles me sorriem numa cumplicidade que só as palavras podem criar. Uma cumplicidade que eu tenho passado os últimos anos a tentar ignorar e que ainda hoje é tão parte de mim que está presente em todas as minhas células. Aconteça o que acontecer, faça eu o que fizer, hoje sei que vou ser sempre das letras e das palavras e que não podemos apagar partes de nós. 


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As 10 lições profissionais mais valiosas que aprendi nos últimos 2 anos #2
domingo, 26 de fevereiro de 2017 || 1:04 da tarde

O medo dos desafios é pior que os desafios

No último ano e meio fiz mesmo muitas coisas que nunca sonhei ser capaz de fazer. A verdade é que me conheço bastante bem, mas descobri muito sobre mim desde que fui forçada a sair da minha zona de conforto e abraçar desafios quase semanalmente. Percebi que fazer coisas novas é muito assustador e que primeiras vezes nunca deixam de ser difíceis, mas que o meu medo de não estar à altura e de sair de ambientes seguros e confortáveis era mil vezes mais limitador do que o desafio em si. 


Receber feedback é excelente, mas temos que estar preparados para saber não ter em conta o que nos dizem

Confesso que tenho crescido muito com as criticas construtivas e elogios que me fazem, mas para mim o verdadeiro desafio prendeu-se com saber traçar a linha entre aquilo que devo integrar na minha forma de agir e trabalhar e aquilo que não me faz sentido e que não deve ser tido em conta. Quando nos dizem que fizemos algo menos bem é muito difícil não ficar a pensar nisso e não questionar o nosso trabalho e motivações, mas no meu caso específico já existiram diversas ocasiões em que eu não só estava 100% satisfeita com o meu trabalho, como acreditei que não fazia sentido faze-lo de qualquer outra forma. 

Os outros só nos tratam como nós os deixarmos tratar-nos 

Aprendi há já muitos anos a não me colocar numa posição em que os outros sintam que podem validar o que falo ou sinto. Quando estou em trabalhos de grupo respeito sempre a opinião dos outros e estou aberta a mudar tudo o que for necessário, mas nunca me coloco numa posição em que os meus colegas de faculdade ou de trabalho ou mesmo os meus amigos sintam que podem colocar em causa a minha competência ou as minhas decisões de cariz pessoal. Isso muitas vezes passa por não partilhar muita coisa e por me expor o menos possível. Mas tenho sempre em mente que é absolutamente deixar que ponham a minha competência ou profissionalismo em causa. 


A única forma de manter a sanidade mental é desligar do trabalho sempre que possível

Por muito que goste do que faço e estudo, não consigo ser produtiva e mentalmente equilibrada se estiver sempre com as mesmas pessoas e a pensar nos mesmos tópicos. Nem sempre é possível desligar, mas sempre que tenho oportunidade desligo-me do mundo e estou sozinha em casa ou a conviver com os meus amigos de fora da faculdade/trabalho. Chego ao ponto de desligar a internet para não ver os emails e cair e as conversas nos chats de trabalhos de grupo a crescer. Se não pensar em mim, nas minhas séries e nos dramas das minhas amigas mais próximas não consigo ser feliz ou produtiva e isso é absolutamente proibido. 



É mesmo verdade que ficamos melhor com o tempo

O trabalho não se torna mais fácil, mas nós tendemos a tornar-nos mesmo melhores. Isto é uma aprendizagem difícil para alguém como eu que tem problemas muito sérios com falhar e que entra em pânico se não fizer tudo bem. Mas um dos meus maiores ensinamentos este ano tem sido a dar tolerância a mim mesma, não ligar quando faço algo menos bem e compreender - verdadeiramente, lá no fundo! - que não há mal em fazer coisas razoáveis em vez de perfeitas de vez em quando. Quando comecei a estudar não fazia os trabalhos com tanta facilidade, quando comecei a trabalhar desesperava com coisas que agora faço sem pestanejar. Ainda tenho muita dificuldade em aceitar quando faço algo menos bem, mas acho que este ano me tornei tão mais despreocupada e aprendi a lidar com tanta coisa de forma mais eficiente que, só por esta última lição já valeu a pena e já fazia tudo de novo. 

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Coisas que aposto que nunca vos aconteceram
sábado, 25 de fevereiro de 2017 || 12:26 da tarde

Joguei Laser Tag em Praga com pessoas que sabia que provavelmente nunca mais veria e fiquei no Top 5 (em 30). Ontem joguei Laser Tag em Lisboa com pessoas com quem tenho que conviver todos os dias e fiquei em último lugar. Acho que este exemplo é muito ilustrativo da minha vida no geral. 

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das teorias
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017 || 3:28 da tarde

A melhor solução para 90% dos problemas da vida continua a ser a inércia. Quando li o livro do Nassim Taleb e li a sua explicação biológica para a tendência do Ser Humano para procastinar, senti que, pela primeira vez, alguém conseguiu transpor para palavras uma filosofia muito simples e que eu sempre defendi: grande parte dos problemas resolvem-se sozinhos. Claro que se queremos emprego não podemos ficar sentados no sofá, se queremos boas notas temos que agarrar nos livros e se queremos amigos ou namorado(a) convém sair de casa e conhecer pessoas, mas regra-geral, quando mais tentamos fazer e resolver, maior é a tendência para complicar situações que até se desenlaçariam sozinhas se estivessemos estado quietos. Admiro muito a proatividade em muitos aspetos da vida, mas há outros em que sei por experiência que mexer demasiado é o mesmo que estragar. 

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As 10 lições profissionais mais valiosas que aprendi nos últimos dois anos #1
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017 || 5:47 da tarde

Soft Skills não se ensinam, vivem-se

Descobri que por muito importante que seja a capacidade de comunicação, liderança ou gestão de tempo ou Escuta Ativa, tentar passar isto para os outros é pouco eficaz. Claro que devemos conhecer os truques e ferramentas que nos permitam ser melhores nesta área, mas estas competências só serão aprendidas e dominadas com prática e aplicadas em contexto real. Sempre que vejo mais uma formação sobre Liderança, Modelação de Voz ou Gestão de tempo até reviro os olhos ao antecipar o tempo que vou perder a ouvir coisas que já todos sabemos mas nem sempre aplicamos. 

É perigoso ter amigos no trabalho

Eu levo muito a sério o termo amigo e sou honesta quando digo que demoro algum tempo a passar alguém da categoria de "colega/conhecido com quem tenho empatia" para a categoria de amigo. Vou contra o meu próprio conselho porque tenho vários amigos no meu local de trabalho e na faculdade trabalho SEMPRE com amigos. Desde que comecei a trabalhar em projetos fora da faculdade percebi que é muito arriscado desenvolver algo tão maravilhoso como uma amizade com pessoas com quem vamos ser obrigados a passar muitas horas em contexto de stress. É muito fácil estarmos num dia mau e perdermos a paciência ou deixarmos detalhes do trabalho mexer com o campo pessoal. E quando isso acontece há mesmo muito a perder. 

O único grande desafio não é o trabalho, são as pessoas

Por muito desafiantes que sejam as tarefas que temos em mãos, posso garantir que 90% das vezes o mais complicado vai ser gerir as pessoas. Pessoalmente, tanto na faculdade como fora dela sou obrigada a trabalhar mesmo muito em grupo, o que é aborrecido porque prefiro gerir-me de forma mais autonoma e tomar as decisões sozinhas. O projeto fora da faculdade do qual faço parte implica que tenha que trabalhar e tomar decisões complicadíssimas em conjunto com outras 8 pessoas. E nada pode sair da mesa sem ter passado por todos nós. Podem imaginar o que é ter que tomar decisões à pressão e com três ou quatro perspetivas diferentes em análise. Podem imaginar o que é não concordar com nada e ter que aceitar que a decisão vai para a frente na mesma porque outras pessoas estavam de acordo. Pior, podem imaginar o que é gerir 4/5h horas de reunião depois de um dia inteiro de aulas e trabalhos de grupo, com todos os humores e dramas que cada um de nós se esforça por não trazer para contexto profissional mas que não podem ser totalmente isolados porque não somos robots!


Mostrar vulnerabilidade é totalmente proibido

Sou um bocadinho tendenciosa porque, no geral, detesto mostrar-me vulnerável e levo isto a um extremo pouco saudável emocionalmente, mas no trabalho e em contextos profissionais acredito mesmo que deve ser assim. Porque ter muita coisa para despachar e para fechar já é suficientemente complicado sem as emoções negativas de quem nos rodeia, porque é preciso aprender a tornar as coisas de trabalho profissionais e a desfocar de nós próprios durante alguns momentos e, principalmente, porque num ambiente relativamente competitivo as nossas vulnerabilidades e fraquezas podem ser usadas contra nós com muita facilidade. Trabalho com pessoas incríveis e sinto-me muito sortuda todos os dias, mas também sei que isso é absolutamente irrelevante e que o comportamento humano é relativamente previsível, por isso é melhor jogar pelo seguro e deixar as emoções à porta durante umas horas. 

A verdadeira aprendizagem começa na prática e não na teoria

Três meses a fazer coisas reais em contextos reais ensinaram-me mais do que três anos na faculdade a aprender teoria.

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Circumstance
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017 || 9:53 da tarde

where
you are
is not 
who 
you are

-Nayyira Waheed

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domingo, 19 de fevereiro de 2017 || 11:47 da manhã

Gosto muito de peças originais, mas o meu maior amor vão ser sempre os básicos. Na roupa e na vida, sou toda a favor do keep it simple. 

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#leadership
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017 || 11:34 da tarde

Há uns dias pedi a um grupo de pessoas para, durante quinze segundos, pensar no líder (formal ou informal) que mais os marcou durante o seu percurso pessoal e profissional até ao momento e na lição mais valiosa que aprenderam com essa pessoa. Os três minutos em que os ouvi partilhar experiências e lições sobre pessoas que admiravam com os olhos a brilhar foram, provavelmente os melhores três minutos da minha semana. E acho que isso resume muito bem aquilo que eu quis transmitir com a atividade: a única forma de sermos melhores é aprender com o melhor daqueles que nos rodeiam. 

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Lesson 23
terça-feira, 14 de fevereiro de 2017 || 2:06 da tarde

You can always turn the ship around. 
Even in the dark. 

- Yrsa Daly-Ward



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coisas que aposto que nunca vos aconteceram
domingo, 12 de fevereiro de 2017 || 1:38 da tarde

Janeiro terminou comigo a pegar ao colo a um rapaz de dezoito anos que tinha conhecido três horas antes e a tentar leva-lo do ponto A ao ponto B enquanto ele lutava por se manter no meu colo. Não o levei às cavalitas, levei-o mesmo ao colo. À princesa. Ele era a princesa, note-se. 

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Blink...and it's over
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017 || 8:46 da tarde

Num dos seus primeiros livros, Malcolm Gladwell fala-nos do poder de decisões instantaneas. Já disse aqui algumas vezes que Gladwell e Nassim Taleb são os meus dois autores de não-ficção favoritos. São radicalmente diferentes na sua personalidade, na forma da escrita e nos temas que abordam, mas são igualmente sublimes. Neste livro, que foi um dos primeiros trabalhos publicados pelo autor, Gladwell mostra-nos através de uma série de histórias, exemplos e dados científicos como as nossas decisões tomadas por instinto e sem pensar são, geralmente, melhores do que as outras. Mais que isso, mostra-nos que, por normal, quanto mais informação temos maior é a probabilidade de decidirmos ao lado. Mas tão importante como a mensagem central de cada livro que escreve, o que me fascina em Gladwell é a forma descomplicada com que ele nos transmite factos científicos. Se tivesse que vos dar os dois pontos mais fortes deste autor eu diria que estes são a escolha dos temas, que são sempre incrivelmente interessantes e a capacidade de storytelling que faz com que o autor consiga sempre encontrar os melhores exemplos e contar uma história interessante a partir de qualquer mensagem que queira transmitir. Aconselho radicalmente tudo o que ele escreveu até à data, sendo que o Outliers continua a ser a minha obra referência do autor. 


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dos dias
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017 || 12:39 da tarde

No último ano estou a chegar a uma conclusão que nunca pensei vir a perceber e muito menos defender: é péssima ideia fazer amigos no trabalho. Totalmente a evitar. E tenho mesmo muita pena de estar a chegar a esta conclusão. 

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sei que li demasiados livros quando
terça-feira, 7 de fevereiro de 2017 || 9:56 da tarde

Duas das empresas mais conhecidas da área da óptica fundiram-se e eu não encontrei uma única pessoa que percebesse porque é que eu estava entusiasmada. É nestes momentos que eu percebo que me tornei uma pessoa estranha porque, de facto, ninguém fica entusiamado com fusões de empresas em que não trabalha, em setores nos quais não trabalha.




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problemas de primeiro mundo
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017 || 2:45 da tarde

Eu tenho um problema grave ao nível da tomada de decisão. Sou capaz de estar à frente de um grupo de trabalho e tomar todas as decisões técnicas e estratégicas necessárias para transformar o nosso esforço em sucesso, mas chega a hora de tomar decisões pessoais e parece que desce sobre mim uma incapacidade severa de usar o cérebro que faz com que nenhuma opção pareça boa e com que o desfecho previsto seja sempre péssimo. Eu antes era tão destra a tomar decisões academicas/profissionais como pessoais, mas neste momento há dias em que tenho dificuldade até em escolher que caneta quero comprar. Não é normal. 


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Coisas que aposto que nunca vos aconteceram
sábado, 4 de fevereiro de 2017 || 4:38 da tarde

Claro que o facto de ele escolher o momento exacto em que o nosso amigo em comum está a ver qualquer coisa no meu telemóvel para me mandar mensagens ou o facto de eu ter ido passar um fim-de-semana com estes amigos e ter recebido mensagens dele depois da 1h da manhã enquanto estavamos todos numa saída não ajuda as pessoas a acreditar que não estou a ter um caso com o rapaz com quem fingi que tinha andado a sair, mas juro-vos que sinto esta história a descontrolar-se na cabeça das pessoas que me rodeiam e estou dividida entre a vontade de rir muito e a necesidade de os relembrar que sou uma pessoa temporariamente fria e sem emoções. 

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coisas que aposto que nunca vos aconteceram ou a história de quando eu não tive um date com o amigo de um amigo meu
|| 4:22 da tarde

No sítio onde "trabalho" houve um desafio interno que consistiu em fazer uma prank call a um dos nossos colegas, gravar e enviar para o nosso canal de comunicação interno. Eu cresci em Chelas e durante boa parte do meu terceiro cíclo, fiz e recebi chamadas a gozar quase todas as sextas-feiras à noite do meu ano, pelo que não me apetecia repetir tudo de novo e inventar uma história mirabolante. Mas a minha vida sendo a minha vida não correu como eu planeei.

Com a ajuda da namorada do rapaz a quem tinha que pregar uma partida, arranjei o número de um dos seus melhores amigos e, nos dias seguintes, entre muitas mensagens e telefonemas, combinámos fingir que nos tinhamos conhecido no verão e saído algumas vezes. Deixem-me dizer-vos que já fiz muitas coisas estranhas na vida, mas planear dois dates completamente fictícios ao telefone com alguém que não conheço está no top 10. Acabei por ficar a saber uma quantidade obscena de detalhes da vida de um estranho e a debater de forma muito acessa temas tão importantes como o final da série x, o melhor concerto da vida dele ou todo o meu background académico. Aparentemente somos ambos profissionais e fomos ao detalhe de combinar o que cada um tinha bebido e os nossos temas de conversa mais recorrentes. No dia seguinte, arranjei forma de introduzir o tema de forma pouco suspeita e de obter alguma informação extra através do meu amigo. 




Ora, quando fiz a chamada para o meu amigo, fiz questão de reforçar que as nossas saídas tinham sido muito casuais e nada românticas para não tornar a mentira maior do que o necesário. O problema é que somos ambos solteiros e as pessoas esperam sempre que a vida real esteja tão cheia de clichés românticos como um filme de Hollywood. Por isso, neste momento, tenho dezenas de pessoas a perguntar-me pelo amigo do meu amigo e a acreditar que nós vamos mesmo ter um caso porque isso seria uma história romântica e querida. Não importa que eu explique que foi tudo a fingir ou que só continuamos a trocar mensagens de forma muito casual e completamente desinteressada, Hollywood treinou os meus amigos para esperar clichés românticos de todas as histórias quotidianas e não importa que eu explique a toda a gente que neste momento sou a pior pessoa para sair com o melhor amigo de alguém e que não tenho mesmo emoções ou qualquer interesse em ir num encontro real. 

Este tipo de coisas acontecem-me de forma assustadoramente recorrente. Socorro. 

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#2017
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017 || 11:28 da manhã

Disse, no primeiro post de 2017, que há anos para voar e anos para planar. Quando escrevi estas palavras, estava certa de que queria que 2017 fosse um ano mais calmo e feito de voos tranquilos. Mas acho que estava a tentar enganar-me a mim própria...janeiro ainda mal terminou e eu já não consigo suportar a ideia de não sair da minha zona de conforto e riscar objetivos da lista. 

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