Write loud and clear about what hurts

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Se conseguisse descrever-me em poucas palavras não tinha criado um blog. Desde 2009 a escrever sobre pedaços aleatórios de vida e histórias mirabolantes. Para questões, sugestões ou dúvidas existenciais, ana_bmd@sapo.pt




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dos dias.
quarta-feira, 30 de setembro de 2015 || 12:01 da tarde

Acordaram-me as 8:05h porque a minha avó tinha caído e precisava de ajuda para se levantar. Tive que telefonar à minha mãe porque não consigo levantar 90kg do chão sozinha.  Visto-me à pressa, a minha mãe chega e levantamo-la em vinte segundos ( qual ginásio qual quê). Entro no carro para me deslocar de casa ao ponto A. No caminho tenho uma discussão enorme com a pessoa que me estava a conduzir. Chegada ao ponto A abro a porta do carro, mando a pessoa ir pastar e digo que vou à minha vida porque não estou para isto.  Fula da vida, ponho-me novamente a caminho de casa. Sento-me na paragem à espera do autocarro e sinto-me tão furiosa que quase desato a chorar na rua. Limpo os olhos às mangas no casaco como se não tivesse tido já problemas suficientes na superfície ocular nos últimos tempos. Volto a ficar com os olhos brilhantes e volto a limpa-los às mangas do casaco. Nunca ninguém me vai ver a chorar na rua. Deixem-me reformular, eu cresci ao pé de Chelas, nunca ninguém me vai ver demonstrar vulnerabilidade na rua, é dos truques de sobrevivência mais úteis que já aprendi. O autocarro demora vinte minutos e o sol bate-me na cara. Um parvo põe-se a fumar mesmo ao meu lado e eu, de tão zangada que estava disse-lhe que se quisesse engolir fumo disfrutava do meu próprio cigarro, não fumava o dos outros. Ele olhou para mim de lado e foi fumar para a paragem seguinte. Pequena pausa para realçar que se há coisa que me mexe com os nervos são as pessoas que fumam para cima dos outros quando há montes de espaço livre ao lado; se eu quiser arruinar os meus pulmões vou descontrair a fumar os meus próprios cigarros, de preferência de mentol porque sou assim pirosona. Mais uma pequena pausa para rezarmos todos uma pequena oração em acção de graças por eu dizer estas coisas a pessoas que têm o dobro do meu tamanho e nunca ter apanhado um soco na cara. Ainda vou a tempo. O autocarro chegou e vinha tão cheio que não nem sequer abriu as portas para eu entrar. Gotta love Lisboa em hora de ponta. Ainda mais fula e a limpar os olhos ao casaco arriscando uma infecção pela quarta vez em meia hora comecei a andar até casa. Meia hora a andar a passo rápido depois cheguei. Mais transpirada do que é suposto alguém estar às 9:03h da manhã, mas viva e já sem precisar de limpar os olhos ao casaco. Entro em casa e, exactamente 90 segundos depois, o meu telemóvel toca. É a pessoa com quem tinha discutido meia hora antes a pedir-me para voltar ao sítio A porque precisa mesmo de um favor. Fiquei quinze segundos calada, sem conseguir acreditar no que estava a ouvir. Finalmente respondi, desliguei o telefone e volto a sair de casa. Apanho o autocarro para o ponto A novamente. Francisco, prepara aí a beatificação porque há dias em que tenho paciência de santa. Chego, mais fria que o Polo Norte e fico a fazer o tal favor. A pessoa A oferece-me comida para se desculpar e eu recuso com um olhar mortífero. Tenho tão mau feitio e sou tão teimosa que sou anti-suborno e anti-chantagem. Ups, Francisco, cancela a beatificação, afinal não preencho os requisitos. Faço conversa de circunstância com pessoas que não têm nada a ver com a minha vida e no fim dizem-me que fazem falta no mundo pessoas bem dispostas como eu. You know nothing Jon Snow. Agradeço e continuo aparentemente impávida e serena. A palhaça da pessoa que me estragou a manhã pede-me desculpa logo agora que as ondas de furia tinham parado e eu já não precisava de ter a porra do casaco à mão para limpar os cantos dos olhos em caso de emergência. Passo a meia hora seguinte fechada num cubículo de casa de banho a acalmar-me e a processar as emoções. Repito, nunca me vão ver descomposta na rua. Como uma sopa à pressa, não é bem pequeno-almoço mas também não é almoço, em suma, o conceito de brunch reinventado por quem não tem tempo nem para tomar pequeno almoço nem para almoçar. Tenho uma amiga que começou a comer sopa ao pequeno almoço e emagreceu quinze quilos, fica a dica e a nota optimista num post menos optimista que o habitual. Escrevo este post enquanto como, assim evito interação com a pessoa A e cumpro o meu dever de blogger, dois em um, portanto. Ainda não é meio dia e eu já corri uma meia maratona, metade a pé, metade enfiada em transportes e já fiz uma maratona completa a nível emocional. Ainda tenho quatro horas e meia de aulas, seguidas de um compromisso que requer ainda mais concentração. Sei, à partida, que nenhuma das pessoas com quem me vou cruzar hoje vai saber o caos que vai nesta cabeça e o cansaço que já acumulei no corpo, faço questão que seja assim. Não tenho uma vida difícil, muito pelo contrário, saber que há pessoas com vidas realmente complicadas que lidam com mais stress e problemas mais sérios assusta-me mais que uma ou duas manhãs caóticas. Toda a gente me diz que o tempo passa a correr e fica muito espantado quando eu digo que, a mim, as semanas demoram eternidades a passar. Mas se só nesta manhã me couberam dois dias inteiros, não quero imaginar como será o resto da semana.

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dos dias
terça-feira, 29 de setembro de 2015 || 8:04 da tarde

Depois de em 2012 ter sido apanhada pela campanha presidencial de Cavaco Silva, eis que em 2015 sou apanhada pelos apoiantes de António Costa. Ia a ouvir música e quando dei por mim tinha sido engolida por um aglomerado de pessoas a gritar slogans políticos e a agitar bandeiras do partido e de Portugal. Não cheguei a ver António Costa, bastou-me ouvir a sua voz e ser abraçada por três ou quatro apoiantes para dar meia volta e espremer-me para caber entre as pessoas que tentavam chegar mais perto do líder partidário. Não sei se já se viram metidos num momento de campanha política como este, mas garanto-vos que é dos fenómenos sociais mais aberrantes que podem ser presenciados. Já tinha constatado isto há uns anos, quando tive que me esconder dentro de uma loja para não esbarrar em Cavaco Silva e nas 300 pessoas que o acompanhavam Chiado abaixo, mas hoje tive a oportunidade de confirmar. As pessoas que participam neste tipo de eventos não se comportam de forma normal. Desde os berros, aos olhos brilhantes, aos empurrões sem motivo nenhum, passando pelo agitar frenético de bandeiras de Portugal e do partido, pelos crachás com a cara dos candidatos e pela barulheira que os megafones de apoio à campanha fazem é tudo tão surreal que não me admira nada que muita gente saia de lá com verdadeiras lavagens cerebrais. Eu já me vi em muitos momentos estranhos, mas estes breves segundos em que sou apanhada por campanhas eleitorais são, em termos de fenómenos sociais e comportamento de grupo, dos mais aberrantes que já experienciei. Claro que ao ver os meus esforços desesperados por fugir da multidão e escapar aos abraços e beijinhos da praxe, um dos polícias de serviço apontava para mim e ria à gargalhada com o colega.


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mas nem tudo é mau!
segunda-feira, 28 de setembro de 2015 || 10:57 da manhã

Setembro é o único mês do ano do qual não gosto, todos os outros são-me agradáveis ou indiferentes. Ainda assim, há coisas indubitavelmente boas  que este mês terrível traz consigo: só esta semana saíram episódios novos de quatro das minhas séries favoritas. Vi-os todos de seguida no sábado e passei uma das melhores tardes das últimas semanas. Por muito bom que seja o Verão, as melhores séries chegam sempre com o Outono. 


(Já agora, pessoas que vêem Scandal, How to Get Away with Murder ou Grey's, o que é que acharam do último episódio?)

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mistérios do universo
domingo, 27 de setembro de 2015 || 7:36 da tarde

No Verão de 2007 fui aos Açores. Tinha acabado de fazer 13 anos. Como sabia que a meio da viagem ia assistir a uma cerimónia mais ou menos formal, comprei uma saia e uma camisa para usar na ocasião. Estamos no Outono de 2015 e eu estou a usar essa mesma camisa. Tenho-a usado algumas vezes todos os Verões desde o ano em que fui aos Açores. Não sei o que é que me intriga mais: se o facto de ela ainda me servir na perfeição apesar de eu ter crescido muito e de agora pesar pelo menos mais 10 quilos do que quando tinha 13 anos, se o facto de a camisa andar a ser usada há oito anos e ainda não se ter desfeito. 

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dos detalhes
sábado, 26 de setembro de 2015 || 2:55 da tarde

A maioria das pessoas aproveita Setembro para traçar objectivos e decidir fazer mudanças na sua vida. Eu fico tão cansada e desconfortável com tanto recomeço que, regra geral, aproveito é para dormir mais que o costume. 

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ouvi dizer
quinta-feira, 24 de setembro de 2015 || 8:01 da tarde

Na mesma semana disseram-me que pensaram em mim ao ler o The Book Thief e que se lembravam de mim sempre que ouviam a Mariana Mortágua falar. O primeiro é um dos melhores livros que li nos últimos tempos e a segunda é, preferências políticas à parte, uma das pessoas (aparentemente) mais competentes e com melhor poder de argumentação do panorama político nacional. Foram dois elogios excelentes vindos de duas pessoas completamente diferentes que me deixaram a sorrir e a pensar que ando a fazer alguma coisa como deve ser. 

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das rotinas
quarta-feira, 23 de setembro de 2015 || 9:56 da manhã

Ao contrário da maioria das pessoas, não me importo nada de ter as manhãs livres e as tardes ocupadas. Gosto de não ter que acordar excessivamente cedo e de passar as primeiras horas do dia na tranquilidade de uma casa deserta e silenciosa. Gosto de ter umas horas para ler blogs e espreitar as redes sociais enquanto vou vendo o E! Entertainment (ou outro canal cujos programas falem de tópicos que nada têm a ver com a minha vida). Nem sequer me importo de ter que fazer uma refeição que não é bem pequeno-almoço nem almoço, só porque posso fazê-la com calma. 


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365 project
segunda-feira, 21 de setembro de 2015 || 10:56 da manhã

Já vos tinha dito que ia começar um 365 project e também já tinha descrito, brevemente, em que consiste o desafio. Uma foto por dia, durante 365 dias, para ilustrar os pormenores mais significativos do nosso ano. Inicialmente tinha pensado fazer um 365 project normal, mas depois lembrei-me que convencer alguns dos meus amigos a entrar neste projecto comigo. E, contra todas as minhas expectativas, vários deles aceitaram. Confesso que não estava à espera que me desse tanto prazer abrir o nosso site privado e ver dezenas de posts com detalhes giros dos dias deles. Este pequeno toque deu tanta cor ao meu projecto e tornou-o tão mais fácil e divertido. 



[Suse, ainda estás a tempo! :)]

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domingo, 20 de setembro de 2015 || 1:13 da tarde

A empresa onde a minha tia trabalha oferece o produto que fabrica a algumas pessoas carenciadas que lhes pedem ajuda através de associações. É um bem não essencial, mas bastante necessário para algumas pessoas. Desde que uma série de conhecidas dela descobriram isto, passam a vida a telefonar-lhe e a fazer pedidos para elas, para os maridos, para os sobrinhos, para as noras, para os primos e para o chinês que vive no 3º esquerdo. Não importa que ela já tenha repetido mil vezes que é o departamento de Relações Externas que filtra os pedidos em conjunto com o Departamento de Markting e que reitere que os pedidos têm que chegar via associação de apoio social registada e oficial. O departamento onde ela trabalha não tem contacto com o departamento responsável por este assunto e ela não pode, obviamente, querer mandar no trabalho dos outros. Já perdi a conta dos mails que a vi reencaminhar para as colegas dela responsáveis por estas situações e dos telefonemas que já atendeu às pessoas oportunistas que lhe ligam constantemente a pedir updates e cunhas num processo em que ela não manda nada. Sabem o que é que é mais curioso? As pessoas que lhe telefonam a pedir para arranjar borlas nem sequer são aquelas que realmente precisam delas, sob a pena de não conseguirem comprar o produto em questão. Aquelas que precisam mesmo não lhe chagam a cabeça porque ouvem a explicação, fazem chegar os pedidos à empresa por via de uma associação e esperam pacientemente que a empresa os contacte. 



Isto chegou a um ponto em que a minha tia tem que evitar atender o telefone a números que não conhece, que lhe ligam semanalmente a perguntar se ela pode quebrar as regras e fazer uma série de coisas para acelerar ou influenciar o processo. Não vale a pena explicar que naquela empresa trabalham 700 pessoas e existem dezenas de departamentos. Entre Sexta e hoje, por exemplo, o telemóvel dela tem 6 chamadas não-atendidas da mesma senhora, que há semanas lhe liga incessantemente por causa deste assunto e a quem ela já explicou que não tem poder nenhum no departamento de apoio social da empresa. Eu quero muito olhar para esta situação de outra forma, mas a lição que esta história me ensina é que quanto mais tentarmos ajudar os outros, mais oportunistas vão aparecer para nos sugar as energias, os recursos e a paciência. Às vezes pergunto-me a mim mesma porque é que não tento ajudar mais. Não quer dizer que não me esforce por ajudar quem posso, mas sei que podia fazer muito mais e melhor. Mas entretanto,  alguém à minha volta tem uma atitude verdadeiramente louvável e tenta realmente ajudar e é apanhado no meio destas situações muito chatas de resolver e eu lembro-me porque é que me tornei perita em não me meter neste tipo de projectos e embrulhadas.

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das sugestões
sexta-feira, 18 de setembro de 2015 || 1:31 da tarde

Já pensaram em todas as formas como os vossos medos vos condicionam a vida? Foi exactamente este exercício de reflexão que Michelle Poler, venezuelana a viver nos Estados Unidos, fez. Michelle chegou à conclusão que as dezenas de pequenos medos que tinha estavam a condicionar a forma como ela vivia a vida e a impedi-la de crescer como pessoa. Assim, começou um projecto intitulado 100 days without fear em que se propôs conquistar um medo por dia, durante 100 dias (duh!). A maioria dos medos são bastante simples, coisas que a maioria de nós faz todos os dias, mas ao vermos os videos e as reflexões que ela publica podemos perceber que conquista-los foi um desafio para ela e que ela se sentiu verdadeiramente aterrorizada. E, da mesma forma que há medos superados que consistem em fazer festas a um gato, pegar num cão ao colo ou comer comida de rua (fobia a animais e a germes) há outros mais sérios e complicados de superar. Várias coisas me agradam neste projecto, em primeiro lugar, a ousadia da autora e a coragem e determinação que ela mostra dia após dia. Em segundo lugar, gosto que a Michelle não seja a típica coitadinha que vive isolada e completamente condicionada pelos seus medos, eu diria até que ela é muito bem sucedida: tem um marido fantástico e um casamento feliz, tem um emprego full time na sua área de estudos, em NY! e além de ter imensos amigos com quem sai e faz montes de programas giros, tem uma relação invejável com a sua família. Nestas condições era fácil ela acomodar-se e convencer-se que os seus medos não a estavam a impedir de aplicar todo o seu potencial, mas não foi isso que fez. Finalmente, gosto do projecto porque se pode ver uma evolução genuína de semana para semana e porque é dificil não simpatizar e ficar feliz com as conquistas da Michelle. Não estou a pensar fazer nada do género, mas não posso negar que seguir este projecto é inspirador. 


Podem consultar o site do projecto aqui e o instagram pessoal dela aqui.

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post de gaja
quarta-feira, 16 de setembro de 2015 || 12:48 da tarde

Estão a ver aquelas peças de roupa que são giras giras mas que são demasiado quentes para o Verão e demasiado frias para o Inverno? Tenho um dom para compra-las e para depois só as poder usar meia dúzia de dias por ano. 

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ainda sobre o último post e temas sérios
segunda-feira, 14 de setembro de 2015 || 12:17 da tarde

Não conheço uma única pessoa que tenha sido muito boa aluna e não tenha experimentado, de uma forma ou de outra, esta barreira social de que falo no último post. De todos os bons alunos que conheço, muito poucos são arrogantes ou petulantes. São, na sua maioria, pessoas simpáticas e perfeitamente normais. Oiço relatos de pessoas que foram excluídas pelos colegas, que foram rotulados de aborrecidos, santinhos, nerds, etc. Contam-me histórias sobre como os professores só contribuíram para que esse abismo se tornasse mais profundo. Desabafam que os complexos de inferioridade dos outros os afastavam sem razão aparente, que eram gozados sem motivo e que os colegas se regozijavam sempre que, por alguma razão, se enganavam ou não sabiam a resposta. Eu oiço isto tudo da boca de pessoas maravilhosas, algumas minhas amigas, outras nem tanto. Eu não vivi situações violentas ou particularmente agressivas porque nunca admiti a ninguém que me desrespeitasse e porque sempre me esforcei por conviver com (quase) todos os meus colegas, mas outras pessoas não tiveram nem a mesma sorte nem a mesma atitude. Entristece-me que vivamos numa sociedade que não sabe conviver com o sucesso e com a determinação e que, ano após ano, comentário mesquinho após comentário mesquinho, continuemos a ensinar as gerações mais novas a desprezar as pessoas inteligentes e trabalhadoras em vez de as usar como motivação ou, no limite, a cultivar o amor próprio e a auto-confiança de forma a que não nos sintamos arrasados com os feitos alheios. 




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[private post]
domingo, 13 de setembro de 2015 || 9:30 da tarde

Lembro-me que, há uns anos atrás, o meu professor de educação física da altura ficou amuado comigo porque não festejei um ponto que a minha equipa marcou num jogo de uma modalidade qualquer. Processei o feito e passei à frente sem um sorriso ou uma dança da vitória. Fez um grande discurso sobre guardar as emoções para nós próprios, não celebrar as pequenas conquistas e não saborear a vida ao máximo. Esta reacção dele foi ligeiramente inapropriada, como grande parte das interacções dele comigo. Na altura fiquei aborrecida e desconfortável por ele não só monitorizar os meus movimentos ao segundo como por se achar no direito de me repreender pela forma como eu reagia à vida, mas não pensei mais no assunto. 

Hoje, quando olho para trás, vejo a ironia com tanta nitidez que quase tenho vontade de rir. Sempre fui boa aluna. Tirava bons resultados porque me esforçava, preparava e estudava e porque tinha a memória, a atenção e a determinação treinadas desde muito nova. Assim tão simples como uma formula matemática. Tirei notas altas um número incontável de vezes. Sempre me orgulhei de fazer o meu trabalho como deve ser ou de quase morrer a tentar. Não é mais válido do que outros modos de vida, mas sempre foi o meu e eu estou contente com ele. Tirava notas altíssimas e fazia um trabalho excepcional, mas não podia celebrar. Não podia sorrir ou fazer estardalhaço como os meus colegas que recebiam positivas mais baixas porque percebi desde cedo que grande parte dos meus colegas quase me odiava por ter melhores resultados que eles. Não interessava que eu não fosse arrogante, não interessava que a minha nota não mudasse a deles e, certamente, não interessava que eu tivesse bons resultados porque me esforçava para os conseguir. A única coisa que interessava era que eu tinha melhores resultados que eles e isso fazia de mim irritante e esquisita. Não me interpretem mal, sempre tive grupos de amigos com quem isso não acontecia e sempre me relacionei bem com a maioria dos elementos das minhas turmas, mas perdoem-me se sou boa a ler pessoas e lhes podia ver a revolta e o desprezo quando os meus colegas me perguntavam as minhas notas. Por isso, para bem de toda a gente, aprendi a não festejar as minhas notas, a celebra-las no meu íntimo e a permitir-me sorrir quando falava no assunto apenas junto da minha família e melhores amigos. Claro que o facto de eu não manifestar emoções quanto aos meus bons resultados nunca diminuiu a barreira entre mim e os meus colegas com notas mais baixas. Eles continuavam a desejar secretamente que eu cometesse um deslize e eu continuava a decepciona-los. Recebia os elogios dos professores discreta e educadamente, sempre sem grandes manifestações de emoção (preferia não os receber, para ser honesta), fazia apresentações orais muito boas e quase sem esforço mas nunca, nem por um segundo, usei as minhas capacidades argumentativas contra um colega, dava os parabéns sinceros aos meus colegas quando eles tiravam boas notas, nunca torci o nariz quando alguém tinha resultados melhores que os meus e nunca me recusei a responder a uma dúvida que um colega me colocasse. A verdade é que fiz tudo muito bem e tirei excelentes resultados por isso, mas não os podia celebrar porque o meu sucesso revoltava os outros. Por isso calei-me, aprendi a ser discreta ao ponto de quem não me conhecesse me achar aborrecida. Os meus colegas celebravam os seus dozes e trezes constantemente e eu não achava que tivessem menos motivos para o fazer do que eu, mas por alguma razão, eles podiam e eu era vista como arrogante e olhada de lado se saboreasse o gosto dos meus bons resultados. Não tenho nenhum trauma com isso, sempre fiz as minhas festas junto daqueles que merecem conhecer-me na minha intimidade e passei muito bem sem a aprovação de colegas e conhecidos. Mas não me peçam para celebrar a insignificância de um golo marcado num jogo amigável de terça-feira à tarde quando, durante toda a minha vida, as pessoas que me rodearam fizeram questão de me ensinar que o sucesso alheio lhes caía mal.  

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Problemas de primeiro mundo
sábado, 12 de setembro de 2015 || 4:25 da tarde

Leio frequentemente livros em que os protagonistas são adolescentes ou jovens adultos. Depois dou por mim exasperada e irritada por achar que as personagens são imaturas. 


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dos detalhes
sexta-feira, 11 de setembro de 2015 || 8:11 da tarde

Não sou pessoa de poucas palavras. Não consigo deixar histórias pela metade nem fugir dos contextos. Já tentei usar menos palavras e deixar o poder de sugestão e a imaginação dos meus interlocutores preencherem os buracos, mas no final falho sempre.

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quinta-feira, 10 de setembro de 2015 || 12:33 da tarde

Vou sempre apaixonar-me pelos Willems de Ruiter desta vida. 

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Das sugestões
quarta-feira, 9 de setembro de 2015 || 5:44 da tarde

A maioria do mundo já conhece estes vídeos, mas não posso deixar de vos sugerir que dêem uma espreitadela na página de youtube das Epic Rap Battles of History.  Os donos desta página publicam vídeos em que colocam personagens históricas (e ficcionais) muito famosas em batalhas de rap umas contra as outras. Quando se conhece um bocadinho da história por trás de cada personalidade as private jokes são hilariantes. 






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o (meu) verão em 10 pontos
terça-feira, 8 de setembro de 2015 || 2:19 da tarde

1. Dormir horas sem fim e passar o tempo que quis fechada dentro do quarto sem precisar de explicar nada a ninguém.
2. Passar duas semanas de cama por causa de uma conjuntivite agressiva e ter tido 3 feridas na córnea.
3. Ir à Itália, à Croácia e à Bósnia, naqueles que foram os 10 melhores dias do meu ano. 
4. Trabalhar no café. Às vezes dez horas por dia, outras vezes apenas duas ou três horas. Ver os clientes diariamente e perceber que, surpreendentemente, alguns deles tornaram o meu Verão melhor.
5. Ter tirado a carta de condução. E ter respirado de alívio. E ter passado horas incontáveis dentro do carro com a melhor instrutora do mundo que, ao invés de serem traumatizantes ou stressantes, acabaram por ser extremamente agradáveis e divertidas. 



6. Não ter tido o melhor romance de Verão de sempre por causa de um mau timing terrível. Um dia ainda vos conto esta história para se rirem comigo.
7. Ter visto dezenas de episódios de séries. Ter lido muitos livros - 32, desde que 2015 começou. 
8. Ter saído com as minhas pessoas de sempre. Aquelas que, ano após ano, trazem magia aos meus Verões. E aos meus Invernos também.
9. Fazer coisas que não fazia há muito tempo e passar por situações as quais não me via há vários anos. Mais do que isso, perceber que eu mudei radicalmente, mas tudo o resto continua exactamente igual.
10. Decidir começar um 365 project para documentar os pormenores mais bonitos do próximo ano.

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sexta-feira, 4 de setembro de 2015 || 3:07 da tarde

Ver séries como How I Met your Mother e ler livros que se centram em amizades épicas faz-me morrer de saudades da minha melhor amiga e da altura em que passávamos os dias inteiros juntas. Acabei de ler um young adult (Since you've been Gone, aconselho imenso!) sobre duas melhores amigas adolescentes e fiquei tão nostálgica que só me faltou ir uivar para a janela e esperar que a minha melhor amiga me respondesse. O que era possível, visto que a janela do quarto dela fica a poucos metros da janela do meu quarto. Bom, talvez esteja a exagerar na parte dos uivos, mas vocês percebem a ideia.


Young
fotografia daqui

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Agosto
terça-feira, 1 de setembro de 2015 || 11:17 da manhã

Todos os anos digo que não gosto de Setembro. A minha felicidade decresce significativamente do dia 31 de Agosto para o dia 1 de Setembro. E volta a subir ligeiramente a meio de Outubro, quando já voltei a entrar na rotina e não sinto a fala do Verão e dos dias desocupados a toda a hora. Agosto foi um mês bom; sempre que viajo e passo uns dias completamente desligada do mundo os meus índices de serenidade e saúde mental disparam. Ao contrário do que acontece na maioria dos anos, este ano não conheci montes de sítios novos, mas voltei a vários sítios onde fui feliz e isso conta muitíssimo. Além disso, Itália é bonita e encantadora o suficiente para que visitar o mesmo sítio mais que uma vez continue a ser ridiculamente interessante. Fartei-me de ler e de ver séries em Agosto, saí com as minhas pessoas e passei bastante tempo com a minha mãe e a minha tia. Fiz as minhas primeiras longas viagens de carro como condutora. Não aconteceu quase nada em Agosto, os meus batimentos cardíacos raramente se alteraram e não acrescentei practicamente nada à minha lista de eu já's e de novas experiências, mas foi um mês tão pacífico e de tanta tranquilidade (aparente) que sinto que descansei e recarreguei baterias de uma forma que não tinha feito durante o resto do Verão.



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