Write loud and clear about what hurts

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Se conseguisse descrever-me em poucas palavras não tinha criado um blog. Desde 2009 a escrever sobre pedaços aleatórios de vida e histórias mirabolantes. Para questões, sugestões ou dúvidas existenciais, ana_bmd@sapo.pt




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ainda sobre livros
sexta-feira, 31 de julho de 2015 || 7:54 da tarde

Li o The Book Thief há poucas semanas. Hesitei muito antes de pagar nele, normalmente saber que a acção decorre durante a Segunda Guerra Mundial é suficiente para me fazer antipatizar com um livro. Felizmente a curiosidade e a vontade de ver porque é que toda a gente dizia maravilhas sobre o livro foram maiores que a antipatia.



Tão imensamente triste desde o primeiro segundo, mas ao mesmo tempo impossivelmente belo. O estilo de escrita é muito original e experimental, mas a prosa é muito fluída, muito poética. Cada metáfora está cheia de significado e, por alguma razão, toda a fragmentação da história e da escrita acaba por formar uma das obras mais coesas que li nos últimos tempos. Mas foram as personagens que me fizeram apaixonar por este livro. Os contextos são muito vulgares.  As personagens tornam-se extraordinárias por mimificarem a profundidade emocional de cada um de nós, pessoas banais com vidas banais. Gosto de personagens realistas, gosto da ideia de que cada pessoa é fantástica e vale a pena ser conhecida, de que vale sempre a pena contar a nossa história. Poucas vezes encontrei personagens com esta complexidade emocional. Neste livro, aprendi a gostar de todas as personagens. Mais do que isso, aprendi a compreende-las e a aceita-las com todas as suas atitudes e formas de reagir às diversas situações. Afeiçoei-me a toda a gente neste livro, o que não é muito inteligente, tendo em conta que estamos a falar de uma história que decorre na Alemanha, durante a Segunda Guerra Mundial. O que quero dizer é que, neste livro, senti o sofrimento e o amor da forma mais intensa que se pode sentir quando se lê, senti a universalidade da dor e do carinho como nunca antes tinha sentido e isso fez desta obra uma das minhas favoritas de todos os tempos. Contra todas as expectativas. Costumo dizer que qualquer escritor consegue escrever sobre felicidade, mas são poucos aqueles que conseguem pegar na universalidade da tristeza ou da intimidade psicológica e trabalha-las de forma a fazer o leitor chegar próximo de sentir exactamente o que cada personagem sente. Markus Suzak conseguiu faze-lo com uma mestria que eu poucas vezes vi antes; conseguiu retratar a natureza humana e as relações interpessoais com uma profundidade e uma precisão que eu não julgava existir. E vale taaaaaaaaanto a pena ler. 



(*Sílvia, não sei se estás a ler isto, mas aposto que se lesses este livro ias morrer de amores!)

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crónicas de um café
quinta-feira, 30 de julho de 2015 || 5:49 da tarde

Já vos falei daquele cliente cá do café que é taxista a tempo inteiro e prostituto especializado no mercado fetishista em part-time, certo? Foi preso e atirado para a solitária sem razão nenhuma, sofreu com um PTSD agressivo durante um mês (sempre lucrei com os 12 cafés diários que ele bebia para se aguentar em pé...) e depois encontrou uma joia no valor de 30.000 euros no banco de trás do taxi que conduzia, vendeu-a clandestinamente, foi fazer umas férias de luxo e voltou recuperado. Que personagem.

 

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Na semana passada comprei uns calções...
quarta-feira, 29 de julho de 2015 || 6:53 da tarde

Esta semana as minhas pernas apareceram todas negras e arranhadas. Depois perguntam-me porque é que ando sempre de calças de ganga. Nunca falha.

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melhores young adult da minha prateleira
terça-feira, 28 de julho de 2015 || 2:09 da tarde

Como a maioria dos meus leitores está mais ou menos dentro da minha faixa etária e já vi por aí imensas pessoas a pedir sugestões de leitura, deixo-vos aqui uma listinha dos melhores livros young adult que li nos últimos tempos. A ordem é completamente aleatória e a lista contém 9 items. Normalmente controlo-me e não falo muito de livros, mas pressinto uma sucessão de posts sobre o tema a chegar. 

1. The Fault in Our Stars
2. Paper Towns
3. Looking for Alaska

John Green é um autor incontornável no que toca a literatura young adult contemporânea. Tem uma base de fãs enorme e os seus livros fazem tanto sucesso que acabam por ser adaptados a filmes. Consegue criar personagens memoráveis e slogans extraordinários. Apesar de serem leituras leves, os livros do autor estão cheios de conteúdo e abordam temas muito sérios. O primeiro, por exemplo, fez meio mundo puxar dos lenços de papel para limpar as lágrimas. Foi dos primeiros autores deste género que li e não poderia ter tido melhor introdução. 

4. Eleanor&Park, Rainbow Rowell

Raibow Rowell é outra autora de peso na literatura young adult. Este livro aborda temas como o primeiro amor, famílias disfuncionais, complexos típicos da adolescência, marginalização social e a amizade como ferramenta de salvação. Eleanor e Park são dois adolescentes pouco populares que acabam por se conhecer e apaixonar. É um livro lindo, daqueles que nos contam histórias sobre amor e amizade de fazer derreter o coração, mas é também extremamente triste.

5. The Hunger Games, Suzanne Collins

A saga é bastante conhecida, pelo que dispensa grandes apresentações. Os filmes nem sempre mostram a complexidade de temas abordados pelos três livros. A trilogia fala tópicos políticos interessantes e questiona uma série de sistemas e temáticas sociais, sem deixar de ser uma leitura acessível a adolescentes e jovens adultos com poucas bases políticas. E isso é extremamente importante! O enredo é complexo o suficiente e a crítica social está muito bem feita.

6. If I Stay
7. Where She Went

Ambos de Gayle Forman, outra autora conhecida pelas suas diversas obras cujo público alvo são jovens adultos. O primeiro livro fala sobre uma adolescente de 17 anos que toca violoncelo prodigiosamente bem. A sua vida metódica e responsável agita-se um pouco com o contacto com o mundo das bandas de garagem o do punk rock, trazidos à sua vida pelo seu namorado. Neste livro, a fusão entre o mundo da música clássica e do rock está muito bem feita. A obra foi adaptada a filme e, apesar de não ser muito conhecido, o filme lançou um mini-album com músicas da suposta banda do namorado da protagonista que eu achei tão bom que nunca mais consegui parar de ouvir. A protagonista tem um acidente e toda a narração é feita saltando entre o presente  - e a escolha entre a vida e a morte - e o passado - onde ficamos a saber tudo sobre os seus últimos meses, o namoro e a relação com a família. O segundo livro é uma sequela narrada pelo namorado da protagonista três anos depois do acidente. Não podendo revelar muito mais para não estragar o final do primeiro livro, posso dizer-vos que gostei ainda mais da segunda parte da duologia. 

8. We Were Liars, E. Lockhart

Este livro está entre os mais lidos pelos utilizadores do goodreads em 2014. Centra-se numa família rica que todos os Verões se reúne para passar férias na ilha privada da qual os avós são donos. A narração é feita por uma das netas adolescentes e apesar de ficarmos a conhecer toda a família - avós, país, netos adolescentes e netos crianças - o foco da história é claramente a geração de netos adolescentes, composta pela narradora e três primos. Esta obra fala de preconceitos de todos os tipos, segredos que se tornam fantasmas e de relações de Verão que não fazem sentido em qualquer outra altura do ano. No final há uma reviravolta absolutamente arrepiante que torna o livro fantástico. 


9. Aristoteles and Dante Discover the Secrets of the Universe, Benjamin Saénz

Este livro não prima pelo enredo elaborado ou pela beleza da escrita. Mas merece entrar nesta lista por retratar uma das relações de amizade mais espontâneas e adoráveis que li nos últimos tempos. A história acompanha a vida de Aristóteles e Dante e o seu crescimento durante um ano. O leitor pode ver a amizade dos dois rapazes crescer e evoluir à medida que eles próprios crescem e passam por uma série de fases normais da adolescência. O livro ganha pontos por retratar bem as dúvidas pelas quais um rapaz homossexual passa na adolescência e a homofobia forte que qualquer homossexual tinha que enfrentar no final dos anos oitenta. Não é uma obra prima da literatura, mas Saénz consegue criar personagens nas quais vamos sentir saudades quando acabamos o livro. 




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livrices
segunda-feira, 27 de julho de 2015 || 5:24 da tarde

Adoro livros young adult e digo, sem vergonha, que grande parte dos melhores livros que já li se encaixam nesta categoria. Também é sem vergonha que admito que pelo menos metade dos livros que leio são young adult. Dito isto, seria incapaz de ler apenas young adult. A certa altura os temas misturam-se e os enredos tornam-se previsíveis. É nestas alturas que um clássico sabe mesmo bem ou que um romance/drama para um público mais maduro fazem todo o sentido. 

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coisas que aposto que nunca vos aconteceram
domingo, 26 de julho de 2015 || 11:39 da tarde

Eu realmente às vezes penso que a minha vida é uma comédia de muito mau gosto. Ando aflita de um olho. Quando finalmente comecei a respirar de alívio por o problema da ferida na córnea se estar a resolver, arranjei uma inflamação, assim uma espécie de conjuntivite hardcore. Fui às urgências de um hospital público de Lisboa, mas quando souberam quem era o meu médico, passaram-me umas gotas e disseram-me para marcar consulta com ele, porque ele é muito bom. Ora, muito obrigada, disso sei eu, que não ando a pagar consultas no privado para ser atendida por um médico que não seja competente. Passei mais dois dias em sofrimento, pois as gotas não ajudaram nada. Mal acabou o fim de semana fui ao meu médico. Ele viu o olho, deu a sua opinião e escreveu o mail da secretária pessoal num papel, dizendo-me para eu o guardar como se fosse o bem mais preciso à face da terra e para o contactar no espaço de dois dias para marcar nova consulta caso isto não melhorasse. Desorientada como estava, nem olhei para o papel. Dois dias depois fui busca-lo já que, surpresa surpresa, a inflamação não melhorou e continuava persistentemente empenhada em levar-me à loucura. Ora, eu já via mal porque tinha que ter esse olho fechado, mas quando dei de caras com a catrefada de rabiscos que aquele homem desenhou no papel, acho que o olho bom me ia saltando da órbita. Uma pessoa não quer acreditar em estereótipos do género "olha que a letra de médico blábláblá" e depois lixa-se. Depois de muito olhar para o papel, lá cheguei a um endereço de email plausível. Escrevi um mail todo bonitinho; se vou pedinchar por uma consulta de urgência a um médico que só tem agenda para Janeiro de 2016, mais vale que envie um mail educado e completo. Veio devolvido, porque o endereço estava incorrecto. Disse trinta asneiras, respirei fundo e resolvi dar largas aos meus dotes de stalker e ir pesquisar informações sobre a secretária do médico na internet, na esperança de perceber qual era o seu último nome. Tive sorte por a rapariga ser daquelas alminhas que usa uma foto de perfil decente no facebook e preenche a informação sobre a formação e trabalho. Lá reenviei o mail, depois de ter perdido meia hora nesta luta. Veio para trás novamente. Não é que o raio da mulher tinha a caixa de entrada cheia e toda a correspondência vem devolvida? Ai senhores, eu às vezes acho que o universo me testa a paciência. No dia seguinte apareci lá de surpresa e consegui arranjar consulta, mas se eu sofresse muito dos nervos estava tramada, já que tudo o que é burocracias parece falhar na minha vida. 

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dos detalhes
sábado, 25 de julho de 2015 || 9:01 da tarde

Lembram-se do inglês com quem falo em espanhol? Há uns dias falamos em Português e eu tive que me controlar para não abrir a boca de espanto quando percebi que o português dele é quase tão bom como o espanhol. Quando lhe perguntei há quantos anos falava português e ele me respondeu que tinha começado há dois e meio eu arregalei tanto os olhos que acho que o rapaz pensou que eu estava a ter um enfarte ocular. No final da saída, vinha eu a pensar se o achava mais sexy quando fala português ou espanhol, quando umas turistas nos perguntam qualquer coisa e ele lhes responde num inglês britânico absolutamente perfeito. Foi nesse momento que decidi que me ia recusar a falar com ele em inglês. Não só porque o português dele é ridiculamente bom, como porque a probabilidade de me distrair com o sotaque britânico dele é enorme. 
(não, não é tão giro como o Justice Joslin)

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das drogas
sexta-feira, 24 de julho de 2015 || 9:54 da tarde

Há dois dias tive que tomar, pela primeira vez na minha vida, um anti-histaminico. Estão a ver aquelas pessoas que tomam drogas pesadas e dizem que tiveram uma experiência transcendental e que descobriram os mistérios do universo enquanto estavam com a moca? Foi mais ou menos o que aconteceu comigo, mas sem a parte dos mistérios do universo e da transcendência toda. Senti uma onda de sono de tal forma forte que julguei que estava a desmaiar. Relembro que nunca tinha tomado um anti-histaminico na minha vida, portanto nem me lembrei que um dos efeitos secundários é a sonolência. Senhores, eu já tinha tomado calmantes, alguns até bastante fortes e em doses cavalares, mas garanto-vos que nenhum deles me provocou um desmaio de sono como o que o comprimido para as alergias me provocou. Acordei três horas depois, a transpirar como se tivesse adormecido dentro de uma panela a ferver e completamente desorientada. Depois de uma reacção destas a um comprimido, se calhar é melhor nunca experimentar cocaína.


 

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das últimas semanas
quarta-feira, 22 de julho de 2015 || 12:45 da tarde

Ultimamente tenho tido mais contacto com os meus oftalmologistas do que com quaisquer outros homens. E isso dá-me mais vontade de rir do que deveria, porque obviamente é preciso uma pessoa estar muito embruxada dos olhos para ir tanta vez ao raio do oftalmologista.



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boas notícias
sábado, 18 de julho de 2015 || 11:05 da manhã

Tirei a carta. Acredito em coincidências e não acho que absolutamente tudo aconteça por uma razão, mas posso dizer-vos que dos 364 dias do ano, não poderia ter-me tornado condutora numa data mais apropriada. Passei no exame no dia de anos do meu pai, o melhor condutor que já conheci. A partir deste ano tenho ainda mais motivos para festejar o 14 de Julho. 


(mais sobre a aventura dos últimos meses em futuros posts)

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o mundo divide-se entre...
quarta-feira, 15 de julho de 2015 || 1:47 da tarde

Há pessoas a quem não conto as coisas más da minha vida porque não confio nelas; na sua capacidade de me desejar bem e de manter a minha privacidade. Há um segundo grupo de pessoas a quem não conto as coisas más porque, apesar de confiar nelas, sei que vão ser chatas ou que não vão saber lidar com a notícia. Desde receber mensagens constantes a perguntar pelo problema aos silêncios constrangedores de quem tem medo de respirar com mais força junto a mim, temendo que eu me vá dissolver. Há, ainda, um terceiro grupo de pessoas a quem evito contar as coisas menos positivas que vão acontecendo na minha vida enquanto estas ainda estão a acontecer: as minhas pessoas, aquelas em quem confio a 100%. Acredito que este último grupo se sinta injustiçado ou aborrecido por só saber das coisas quando elas já aconteceram, mas preciso destas pessoas para serem a minha bolha de felicidade, onde os problemas não podem entrar e a conversa vai girar em torno de tudo menos daquilo que me deixa aborrecida. Nunca pensei não querer partilhar certos detalhes da minha vida não por não confiar o suficiente, mas sim por confiar demais e por precisar que as melhores e mais estáveis pessoas da minha vida me funcionem como unicórnios e Terras do Nunca, lugares onde vou depois dos dias complicados e me posso focar nos problemas alheios e em discussões do quotidiano. No final, quando o pesadelo já passou é sempre junto deste último grupo que eu vou respirar de alivio e contar todas as peripécias e fases pelas quais passei até ter resolvido o problema.



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Começando pelo fim
segunda-feira, 13 de julho de 2015 || 5:27 da tarde

Passei a última semana em modo zombie. Como quase não consegui dormir e estive sempre cheia de dores no olho (que entretanto já melhorou), cheguei a Sábado e não só dormi umas 12 horas seguidas, como não tive forças para sair da cama e ir fazer coisas giras e produtivas. Ora, estava eu refastelada na cama a ver uma série ao fim da tarde, quando oiço a minha mãe, acabada de chegar a casa, a berrar por mim. Lá saí do quarto, ainda com uma compressa a tapar o olho e deparo-me com uma visão dos diabos: a minha avó completamente despida, caída dentro do poliban (polibã?) com uma perna num ângulo esquisito. Vocês nunca viram a minha avó, mas deixem-me dizer-vos que ela mede 1,49m e pesa uns 85kg. Quando me deparo com aquela forma redonda presa dentro do poliban com a perna quase deslocada tive logo um ataque de riso com os nervos. A minha figura não era muito melhor, com a cara inchada de tanto dormir e um olho tapado à pirata. A certa altura estávamos eu, a minha avó, a minha mãe e o meu avô dentro do espacinho apertado do polibã a tentar puxa-la para fora. Cada vez que nos preparávamos para fazer força, ela gritava e eu, pensando que ela tinha deslocado a perna de vez, gritava também. Tanto berreiro assustava a minha mãe,  que gritava comigo por estar a gritar mais que a minha avó. Quando finalmente  a conseguimos tirar dali para fora, eu estava coberta de suor dela e com a roupa encharcada por levar com pingos do chuveiro. Ás tantas estava eu caída no chão do chuveiro a fazer força com os pés para ter a certeza que a minha avó não caía para trás. Tive que tomar banho e voltar para a cama, para recuperar de tanto desgaste emocional. A próxima vez que estiver com outra pessoa despida dentro de um polibã espero que seja numa situação radicalmente diferente desta. 

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Quando a realidade é menos credível que a ficção
domingo, 12 de julho de 2015 || 1:54 da tarde

Tenho aqui quatro histórias para vos contar. Uma delas envolve múltiplas cenas de pancadaria e rixas entre gangs e a outra envolve incesto, chantagens e relações sexuais entre crianças. A terceira é sobre maus timings amorosos e a quarta é sobre o momento surreal da minha vida em que dei por mim dentro de um polibã (poliban?) com outras quatro pessoas naquela que foi uma das experiências mais stressantes dos últimos tempos. Todas verídicas. Nem sei por qual é que hei-de começar. Aceito sugestões.

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coisas boas desta vida (como diria a Carolina)
quinta-feira, 9 de julho de 2015 || 10:30 da tarde

Há uns meses atrás, juntei-me com quatro amigas e fomos todas celebrar o aniversário de uma delas de forma diferente. As minhas amigas sabem que no que toca a datas especiais vou sempre preferir gastar dinheiro em experiências e momentos memoráveis vividos em grupo do que em objectos. Claro que eu achei que sermos fechadas numa casa e termos que descobrir um crime em 60 minutos era a forma perfeita de passar um aniversário diferente. Tenho a sorte de ter amigas que alinham nas minhas ideias malucas. Chama-se Lisbon Escape Game e é extremamente divertido. O preço por jogo é de 50 euros, mas se for dividido por quatro ou cinco pessoas, fica bastante razoável. A maioria dos grupos não consegue terminar o jogo nos 60 minutos propostos. No nosso caso, como estávamos perto de resolver o mistério, a coordenadora do jogo deu-nos 15 minutos extra e lá conseguimos sair sem ela ter que ir destrancar-nos a porta.


Antes de nos aventurarmos a ser trancadas nas águas furtadas de uma casa e a investigar pistas para descobrirmos a combinação do código de saída, procurámos ter a certeza que não existiriam elementos de terror no jogo. Enfiar-me num filme de terror com outras quatro mulheres não era, de todo, um cenário agradável de imaginar. Antes de entrarmos, fizemos apostas sobre quantos minutos iam passar até que começássemos todas a gritar umas com as outras, mas curiosamente trabalhamos extremamente bem em equipa e não nos desentendemos uma única vez. Vantagens de ter feito mil trabalhos de grupo juntas, provavelmente. Como podem imaginar, este post não é patrocinado e, apesar de não se enquadrar muito na linha de textos que normalmente partilho no blog, achei que muitos leitores de Lisboa poderiam gostar da ideia e querer experimentar. O jogo tem um site onde explica tudo o que é necessário.

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mais uma manhã a tratar de papeladas e burocracias
terça-feira, 7 de julho de 2015 || 1:02 da tarde

Já nem me lembrava que tratar de burocracias e lidar com a incompetência dos serviços administrativos portugueses me provocava náuseas e arritmias. Nota-se muito que estou a ficar traumatizada? Pelo menos desta vez só tentaram mandar-me para o departamento errado duas vezes e o prazo para a recepção dos papéis que preciso é inferior a seis meses. A antipatia das administrativas estava nos níveis elevados do costume, mas tendo em conta que não tive que gritar com ninguém nem pedir o livro de reclamações, vou considerar a manhã bem passada. 

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dos detalhes
domingo, 5 de julho de 2015 || 1:19 da tarde

Sempre ouvi dizer que os britânicos são assustadoramente pontuais e que há uma espécie de piada nacional que consiste em odiar e gozar com os habitantes de Liverpool. Normalmente não acredito em estereótipos, porque sei que vêm de generalizações abusivas e, muitas vezes, completamente falsas. Depois conheci um inglês e ele não só chega exactamente à hora prevista  - estou a falar a sério, se combinarmos às 15h, ele chega entre as 14:59h e as 15:00h, sem um segundo de antecedência ou de atraso - como faz piadas sobre Liverpool. Não estão a perceber, sinto-me dentro de uma série. 

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a oeste tudo de novo!
sábado, 4 de julho de 2015 || 5:37 da tarde

Na minha vida não existem meios termos. Ontem precisei de ir ao oftalmologista novamente, já que a minha mini-ferida cicatrizou mal e não estava a curar como devia. Recusei-me a ir à Dr. Besta que além de bruta como um camelo, achava que eu era muito imatura por lhe fazer perguntas básicas sobre o que estava acontecer com o meu olho. Desta vez apanhei um oftalmologista que não só é extremamente educado e simpático, como consegue ser meigo ao ponto de eu nem precisar de pestanejar quando me coloca gotas. Também fez questão de me explicar absolutamente tudo o que via e que ia fazer, bem como tudo o que achava que estava a acontecer dentro do meu olho. Ora, na oftalmologista anterior o meu corpo retraía-se involuntariamente sempre que ela se aproximava para me colocar gotas e apanhei o susto da minha vida quando ela me virou a pálpebra ao contrário sem aviso prévio. Estão a ver a diferença abismal, certo? Foram precisos trinta segundos para o novo médico perceber que o diagnóstico que a colega tinha feito era errado e ainda acabamos a consulta a rir da minha propensão surreal para me ver envolvida em situações estranhas que culminam em feridas na córnea. Também era podre de giro, mas isso foi só um extra agradável. Com médicos assim até me sinto menos aborrecida por ter que lá voltar na próxima semana para uma nova consulta de revisão. 

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da série "é a estas bestas que o dinheiro público paga o ordenado"
quinta-feira, 2 de julho de 2015 || 5:09 da tarde

A minha avó teve consulta num hospital público. A minha tia foi com ela. A minha tia é a das pessoas mais correctas e educadas que eu conheço, mas quando a enervam é absolutamente implacável. A meio da consulta, enquanto a minha tia explicava como é que tinham sido as últimas semanas e que sintomas é que a minha avó ainda tinha, a médica diz-lhe "caluda!" e começa a falar por cima dela. Sim, estamos a falar de uma pessoa com educação superior que devia saber comportar-se em público  mas que, em vez disso, foi criada por macacos e acha que pode mandar calar as pessoas. A minha tia é uma pessoa sucinta e tem imensos conhecimentos na área da saúde, por isso não acredito que estivesse a ocupar o tempo da médica com palha. Não estão a imaginar o inferno que se gerou dentro daquele consultório. Acho que depois da gritaria e da vergonha que a minha tia a fez passar, a doutora esterco vai passar uma semana bem caladinha.  


Agora a sério, mas em que mundo é que é normal um médico falar assim com quem quer que seja? Aliás, em que contexto formal é que é suposto dizermos "caluda" a outra pessoa? Eu às vezes não percebo se tenho um azar tremendo com os profissionais da saúde e apanho sempre aqueles que acham que a profissão lhes dá o direito de se comportarem como homens das cavernas ou se ao fim de uns anos ficam todos assim porque têm que se desumanizar o sofrimento alheio. De qualquer das formas, absolutamente inaceitável. 

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Junho
quarta-feira, 1 de julho de 2015 || 7:31 da tarde

Foi um mês bastante bom, mas não tão bom como a maioria dos meus Junhos costumam ser. Foi um mês de alguma ansiedade, com assuntos para resolver e uma pessoa da família a ser internada de urgência. Foi, também, um mês de imenso trabalho. Cheguei a ter que passar 12h diárias no café para a minha mãe poder vir a casa tratar dos meus avós e resolver coisas relacionadas com os tratamentos e medicação deles. Também foi o mês em que eu própria tive que ir ao médico porque achei que era giro arranjar um mini-problema no olho. Foi uma época de frequências engraçada, como podem imaginar. Entre as horas de estudo com um olho fechado e outro aberto e as horas de estudo no café, entre clientes, não sei quais foram as mais produtivas. No meio da confusão, Junho também foi tempo de muitos filmes, regressos de algumas das minhas séries favoritas (sim, Suits e OITNB estou a falar convosco!) e de imensas leituras. Inaugurei oficialmente a época das esplanadas e das limonadas à beira rio, dos jantares de amigos (no mínimo) semanais e das saídas diárias, vi a minha pele ficar mais morena (finalmente!) e tive ataques de alegria quase diários ao acordar e perceber que não tinha uma lista enorme de coisas para fazer ou de matéria para estudar. Apesar de não ter sido um mês propriamente calmo, Junho foi como um oásis de paz e descanso do ritmo alucinante dos meses anteriores. Só espero que Julho seja parecido, porque preciso meeeeeeesmo de descanso. 

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uma pitada de mundo
|| 10:39 da manhã

A maioria dos pais pressiona os filhos e incentiva-os constantemente a fazerem mais e melhor. Na minha família, felizmente, nunca tive que lidar com atitudes desse género. Bom, sempre fui muito incentivada a ser a melhor versão de mim própria, mas nunca tive que conviver com pressão ou com a ideia de que tinha que ser melhor que os meus amigos. Não é que precise de pressão extra para fazer as coisas como deve ser ou morrer a tentar. Mas caramba, estou tão habituada a fazer o que quero e a tomar as minhas próprias decisões que até tenho tendência a esquecer-me da paz de espírito que é ter uma família que me deixa viver a vida ao meu ritmo, sem me imporem metas, prazos e valores mínimos. Para isso já chega o mundo e a minha cabeça pessimista. Hoje estava no café e entraram duas adolescentes para comprar gelados. Enquanto lhes fazia o troco, ouvia uma delas queixar-se à amiga que a mãe estava a pensar obriga-la a estudar duas horas por dia durante as férias porque ela tinha tido quatro a matemática, ciências e português e "segundo os padrões que seguimos cá em casa, não nos contentamos com 4 quando há um 5 na escala". Tive um amigo muito próximo cuja família se regia por padrões de excelência semelhantes. Correu tudo muito bem até ele se ter revoltado contra o sistema e se ter tornado hippie e drogado. Cresci num sítio onde a maioria dos adolescentes se perderam porque tinham famílias disfuncionais e não eram incentivados a ter padrões de vida exigentes, mas também vi um número enorme de pessoas com a cabeça no sítio acabar por desistir de fazer as coisas bem quando perceberam que nunca seriam bons o suficiente para as metas que as suas famílias lhes impunham. E isso é ainda mais triste



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