Write loud and clear about what hurts

About
Se conseguisse descrever-me em poucas palavras não tinha criado um blog. Desde 2009 a escrever sobre pedaços aleatórios de vida e histórias mirabolantes. Para questões, sugestões ou dúvidas existenciais, ana_bmd@sapo.pt




Template by Elle @ satellit-e.bs.com
Banners: reviviscent
Others: (1 | 2)


“Home is Where the ♥ is”
Dezembro 2009 Janeiro 2010 Fevereiro 2010 Março 2010 Abril 2010 Maio 2010 Junho 2010 Julho 2010 Setembro 2010 Outubro 2010 Novembro 2010 Dezembro 2010 Janeiro 2011 Fevereiro 2011 Março 2011 Abril 2011 Maio 2011 Junho 2011 Julho 2011 Agosto 2011 Setembro 2011 Outubro 2011 Novembro 2011 Dezembro 2011 Janeiro 2012 Fevereiro 2012 Março 2012 Abril 2012 Maio 2012 Junho 2012 Julho 2012 Agosto 2012 Setembro 2012 Outubro 2012 Novembro 2012 Dezembro 2012 Janeiro 2013 Fevereiro 2013 Março 2013 Abril 2013 Maio 2013 Junho 2013 Julho 2013 Agosto 2013 Setembro 2013 Outubro 2013 Novembro 2013 Dezembro 2013 Janeiro 2014 Fevereiro 2014 Março 2014 Abril 2014 Maio 2014 Junho 2014 Julho 2014 Agosto 2014 Setembro 2014 Outubro 2014 Novembro 2014 Dezembro 2014 Janeiro 2015 Fevereiro 2015 Março 2015 Abril 2015 Maio 2015 Junho 2015 Julho 2015 Agosto 2015 Setembro 2015 Outubro 2015 Novembro 2015 Dezembro 2015 Janeiro 2016 Fevereiro 2016 Março 2016 Abril 2016 Maio 2016 Junho 2016 Julho 2016 Agosto 2016 Setembro 2016 Outubro 2016 Novembro 2016 Dezembro 2016 Janeiro 2017 Fevereiro 2017 Março 2017 Abril 2017 Maio 2017 Junho 2017 Julho 2017 Agosto 2017 Setembro 2017 Outubro 2017 Novembro 2017

Março
terça-feira, 31 de março de 2015 || 11:20 da manhã

Março já não foi um mês de planeamento e calma, como Fevereiro. Grande parte do mês foi passado em dias absolutamente caoticos, que começavam às nove da manhã e só terminavam à meia noite, com uma sucessão interminável de coisas para fazer e itens para riscar da do do list. Mas não foi, de todo, um mês mau. Fiz os primeiros testes, entreguei os primeiros trabalhos e fiz as primeiras apresentações orais do semestre e não me posso queixar os resultados. Também consegui finalmente resolver aquele problema burocrático de que me andava a queixar há dois meses. Tive que ligar mais três vezes e deslocar-me lá outras duas, mas pelo menos fiquei com a certeza que as coisas ficaram resolvidas como deve de ser. 

Vi cinco filmes (fraquinho!) e li quatro livros este mês. Vi carradas de episódios das minhas séries favoritas e comecei a ver Empire. Estou rendida à série. 
O tempo começou a aquecer e eu voltei a passar por aquele momento de pânico em que olho para o meu armário e penso que não tenho nada para vestir porque deixo de gostar de algumas peças, meto na cabeça que outras me ficam mal e torço o nariz porque já não estou habituada a ter tanta pele à mostra. Daqui a duas semanas já me passou, mas até lá prevejo crises existenciais em frente ao espelho. 

Também fiz uma coisa que me aterrorizava imenso, mas que precisava de ser feita. Ainda não vos posso falar do assunto, mas faz parte daqueles 4 objectivos para 2015 que mencionei no final do ano passado. Na mesma onda de coragem, finalmente pedi ajuda a uma pessoa que admiro imenso para aprender umas coisas básicas sobre um assunto complicado mas que pode vir a ser útil.  Ainda na onda das mudanças, comprei finalmente um smarphone. Por minha vontade continuava a usar o meu samsung touch durante mais um ano ou dois, mas a minha família fez-me bullying e quase me obrigou a comprar um telemóvel novo, de modo que aproveitei uma promoção e acordei para o século XXI. *



*Já agora, quais são as vossas aplicações para smartphone favoritas? (Tenho as das redes sociais que uso. Quanto a jogos, só tenho o da Kim Kardashian - sem comentários! - e o Quizup)

Etiquetas:


Comentários.

domingo, 29 de março de 2015 || 6:07 da tarde

Entre seguir pessoas podres de ricas e com vidas de sonho no instagram e ler livros sobre génios, não sei o que é que me deprime e, simultaneamente, motiva mais. 

Etiquetas:


Comentários.

[private post] empire
sexta-feira, 27 de março de 2015 || 11:50 da manhã

Oiço muitas pessoas dizer que podem ter saído do bairro, mas o bairro nunca sairá deles. Quando digo "bairro" estou a falar daquilo a que os americanos  coloquialmente chamam "the street", as ruas. Brinco muitas vezes com o facto de viver numa zona complicada e de ver os meus vizinhos e alguns amigos metidos em situações que não passam pela cabeça de uma pessoa normal. Dos 6 aos 15 anos estudei aqui, vivi aqui e quase todas as pessoas com quem me relacionava viviam neste tipo de ambiente.  A verdade é que é um ambiente à parte, não estou certa de que alguém que nunca tenha convivido com este tipo de pessoas e com este tipo de realidade possa compreender bem as minhas palavras. Aprendi muito sobre ser fiel a mim mesma numa plateia de pessoas que nada têm a ver comigo, aprendi sobre códigos de honra, sobre drogas e alcoolismo, sobre famílias completamente disfuncionais, sobre irmandades, sobre gangs, sobre delinquência, mas também sobre amor (eu sei, maior cliché da história). Aprendi, acima de tudo, que muito poucas pessoas são más e intelectualmente limitadas por opção, vi muita gente fantástica ser vítima das circunstâncias em que cresceu, da única realidade que conheciam. É muito complicado viver junto a pessoas que não têm regras e conservar um sistema moral forte o suficiente para nos permitir não ir contra nós próprios. Nos primeiros meses sim, ao fim de anos imersos numa realidade é difícil que não comecemos a absorve-la e a normalizar situações que não podem ser consideradas normais. No meu caso foi mais fácil, sou betinha por natureza e por muito que tentasse nunca consegui integrar-me completamente, nunca me senti totalmente à vontade. Mas aprendi a lidar com estas pessoas, com este ambiente. Onde é que acham que eu aprendi a erguer a cabeça e caminhar de forma confiante quando estou desconfortável ou com medo? Aprendi a nunca mostrar fraqueza e ainda hoje não estou certa de que esta impermeabilização de mim mesma seja algo positivo. Basta uma pessoa aprender os truques e ser discreta e quase nunca tem problemas. Bom, o facto de a minha melhor amiga conhecer os durões todos da zona ajudou. Oiçam o que eu vos digo, o truque é ser discreto mas nunca mostrar medo, saber sempre o tipo de pessoa com quem estamos a lidar, ter amigos bem relacionados. Entretanto comecei a estudar fora daqui e conheci pessoas diferentes e normais que, felizmente, não sabem nada sobre o sistema de tráfico de droga em gaiolas de canários. Não imaginam como eu precisava disso, de conviver com pessoas normais, em ambientes normais e sem ordinarice e hostilidade constante. Não odeio estas pessoas nem este sítio. Aprendi muito sobre mim e sobre a natureza humana, por viver aqui. Posso gabar-me de saber falar e conviver com todos os tipos de pessoas, desde traficantes e membros de gangues a funcionários com cargos altos nos ministérios e patriarcas de famílias com verdadeiros impérios. O bairro e o café da minha mãe deram-me essa capacidade, uma visão ampla do mundo e de todos os tipos de realidades e uma segurança na pessoa que sou e na pessoa que quero ser brutais. Tenho experiências únicas que devo a este lugar. Mas não tenho saudades de viver em imersão nesta subcultura, neste guetto. Acho que nunca vou ter.

Esta semana comecei a ver Empire. Ainda não terminei a primeira temporada, mas estou completamente agarrada à série. E ver aquelas pessoas, aquele ambiente e aquele tipo de postura fez-me viajar num tempo uns anos, até à altura em que estudava aqui. A verdade é que perante circunstâncias semelhantes, as pessoas reagem quase sempre da mesma forma. Não senti saudades, mas confesso que senti uma enorme nostalgia. Conheci tantas cookies, tantos Jamals, tantos Lucious, tantos Hakeems, tantos Andres e tantas Anikas que nem vos passa pela cabeça. Leio-os como ninguém, conheço as motivações e prevejo os comportamentos. Afinal talvez tenham razão...posso ter saído do bairro, mas há uma parte do bairro que nunca vai sair de mim. E se isso é assim comigo, que nunca pertenci realmente a este ambiente nem a estas pessoas, não posso imaginar como será para quem viveu isto a sério e encontrou aqui um pedaço de casa.

Etiquetas:


Comentários.

quebrando estereótipos like a boss
quarta-feira, 25 de março de 2015 || 9:25 da tarde

O contínuo da minha escola básica era um durão. Bom, não imaginem um homem estilo porteiro de discoteca, não era uma figura assim tão assustadora. Mas era uma daquelas pessoas que consegue dar-se bem com os miúdos todos sem perder a autoridade. Os meus colegas diziam que ele era o preto que metia mais respeito aqui na zona e olhem que isso quer dizer muita coisa, tendo em conta não só a quantidade, como a qualidade. Dizia eu que ele era um durão, metia os miúdos todos na linha, conhecia toda a gente e não hesitava em dar um empurrão ou dois a quem o desrespeitasse ou tentasse abusar da sorte. Toda a gente lhe tinha um respeito enorme, o que era inédito para alguns dos delinquentes que andavam naquela escola. Vi muitos miúdos de 14 ou 15 anos que não respeitavam pais nem professores a baixar a cabeça e pedir desculpa quando ele lhes dava um ralhete.



Paralelamente, o homem conseguia manter um negócio de revenda de produtos da oriflame semi-clandestino. À hora da saída era ver as miúdas a aglomerarem-se à volta dele para escolherem produtos do catalogo, era professoras a levar o catálogo para rodar a sala dos professores, era membros do conselho directivo a fazer encomendas e mães dos alunos a irem buscar os filhos à escola só para comprarem itens das novas colecções. Juro que com tanto volume de negócio aquele homem devia ser o revendedor com mais sucesso de Lisboa inteira. Respondia a perguntas sobre vernizes, cremes e esfoliantes como um verdadeiro entendido na matéria. Curiosamente, o facto de vender cremes e batons não afectava em nada a sua imagem de durão. E é assim que o lugar mais chunga de Lisboa vem quebrando estereótipos. 


Etiquetas:


Comentários.

terça-feira, 24 de março de 2015 || 12:21 da tarde

Já percebi porque é que o homem simpatiza tanto comigo. Parece que, psicologicamente, sou igualzinha à mulher dele. Vemos a vida da mesma maneira e temos uma série de características base que, de facto, nos faz ser muito parecidas. De modo que o rapaz percebe bem o meu sentido de humor e, sempre que a minha tia lhe conta qualquer situação em que eu me vi envolvida, ele acha imensa graça porque sabe que a esposa teria exactamente a mesma atitude. Deixem-me que vos diga que, mais uma vez, não sei se isto me deva despreocupar ou preocupar ainda mais, mas vamos ser optimistas e ir pela primeira hipótese. Até porque quando a minha tia me conta histórias que envolvem a mulher dele, eu realmente não consigo negar que há imensas semelhanças. 

Etiquetas:


Comentários.

coisas que aposto que nunca vos aconteceram
segunda-feira, 23 de março de 2015 || 10:12 da manhã

Não sei o que se passa na minha família, mas que temos tradições um bocado mórbidas, lá isso temos. Não é que descobri ontem que um dos meus casacos favoritos é o casaco que a minha avó estava a usar no dia em que foi atropelada e quase morreu? Eu explico, a minha avó foi atropelada e como passou um ano inteiro no hospital, entre a vida e a morte, mandou refazer o casaco e deu-o à minha mãe. Esta, por sua vez, deu-mo a mim, mas esqueceu-se de me contar a história por trás do maldito casaco. A modos que é isto...depois de usar o casado durante anos, venho a descobrir que é a única peça que resta de um acidente quase mortal. Nas famílias normais são as jóias ou os vestidos de noiva que passam de geração em geração, na minha, aparentemente, é um casado do demónio. Está certo. 

Etiquetas:


Comentários.

ainda sobre o penúltimo post
sábado, 21 de março de 2015 || 11:25 da manhã

Vão achar graça, mas há dois/três anos, vivi uma situação de tal maneira traumática e desagradável que fiquei obcecada com ela. Pensava nela dia e noite (literalmente. Mil pesadelos por noite!) e, como tal, passei a associa-la a um monte de coisas perfeitamente banais, porque não fazia nada senão pensar no assunto. Às tantas criei cadeias de referências tão estapafurdias que a palavra mais normal me sugava para o olho do furacão e dava inicio a uma cadeia de pensamentos que acabava, invariavelmente, comigo a entrar em pânico por estar a pensar novamente naquilo que tanto me incomodava. A coisa descontrolou-se a tal ponto que, um dia, tive um ataque de choro ao ouvir a palavra "laranja". Para tornar tudo ainda mais cómico, estava em Veneza quando isso aconteceu e os olhos encheram-se-me de lágrimas na praça de S. Marcos, o coração da cidade turística. Como nunca choro em público, guardei a ansiedade para mim e convenci-me que tinha que me controlar enquanto estivesse no meio da rua. Ainda assim, não me livrei de ficar com os olhos um bocado brilhantes e com uma cara ligeiramente transtornada. Nisto, uma senhora espanhola olha para mim e, percebendo que sou portuguesa diz-me "oh querida, deixa lá, quando vi a praça de S. Marcos pela primeira vez também chorei muito. Não tenhas vergonha de te comover". Mal ela me disse isto, tive um daqueles momentos de doente mental e comecei a rir compulsivamente, tal era o ridículo da situação. Acabei a chorar...de riso. 

Etiquetas:


Comentários.

dos dias
quinta-feira, 19 de março de 2015 || 9:40 da tarde

Mais do que as mil e uma declarações de amor aos pais tão típicas da data, hoje saltou-me à vista a enorme quantidade de filhos que passaram este dia longe dos pais. Entre os pais mortos, os pais emigrados e os filhos que tiveram que construir a sua vida do outro lado do mundo, acho que foram mais as declarações de amor de pais e filhos separados do que as de famílias que têm o privilégio de conviver diariamente. E isso é uma das maiores tragédias deste mundo; uma que se tornou tão banal que até temos tendência a esquecer do quão dolorosa e errada é.


Etiquetas:


Comentários.

coisas que aposto que nunca vos aconteceram
terça-feira, 17 de março de 2015 || 10:00 da manhã

Hoje tive que ter uma reunião privada com uma professora, no seu gabinete, para ela me orientar um trabalho. Entrei, decidida a despachar-me e sabendo que ela é uma pessoa igualmente activa e contra perdas de tempo. Sentou-se no computador e começou a enviar-me uma série de documentos para o mail, enquanto me fazia perguntas relativas à estrutura do trabalho, metodologia, etc. Às tantas, como o pc estava super lento e lhe seleccionava documentos em que ela não carregava, a senhora passou-se e gritou "Aiiii, com mil escafandros". No meio do mais completo silêncio ela decidiu gritar essa frase, de todos os milhares de frases que poderia ter gritado. 

Como vocês sabem, sou uma pessoa propensa a ataques de riso. Acho que conseguem adivinhar em que estado é que eu estava quando a nossa reunião acabou. 

Etiquetas: ,


Comentários.

segunda-feira, 16 de março de 2015 || 10:50 da manhã

E quando associamos maus momentos a espaços físicos ou objectos e, meses/anos mais tarde, basta entrarmos num espaço semelhante ou vermos um objecto parecido para sentirmos aquele desconforto na barriga e a nossa cabeça nos levar a reviver tudo outra vez?

Etiquetas:


Comentários.

sábado, 14 de março de 2015 || 10:23 da tarde

Encontrei um rapazito que, na altura do meu segundo ciclo era considerado o mais rebelde e popular da escola inteira. As miúdas adoravam-no, eu incluída. Para ele eu era demasiado nerd para ter interesse. Eu era boa aluna e ele pertencia a um gang, para verem o quão diferentes éramos. Mas, por um qualquer golpe de sorte, o rapaz interessou-se por mim durante umas duas semanas. Claro que não aconteceu nada porque eu tinha onze anos e sempre fui esperta o suficiente para não me envolver com gangsters.

Encontrei-o esta semana, ao fim de dez anos sem lhe pôr a vista em cima. Nem pensei em cumprimenta-lo já que além de o meu interesse em relação a gente como ele ser nulo, não julguei que se lembrasse de mim. Afinal lembra. Disse-me que eu estava linda, que tinha pensado em mim várias vezes, que já tinha andado a perguntar por mim lá na zona e que tinha sido um prazer enorme ver-me. Na altura em que éramos da mesma turma, teria dado tudo para o ouvir dizer-me algo do género, nos dias de hoje, limitei-me a olhar para ele e a sorrir. Fui embora meia chocada não só por ele ainda se lembrar de mim, como pelo aspecto absolutamente decrépito que as drogas lhe conferiram. Efeito surpresa à parte, nem vos conto a satisfação que esses encontros me trazem. Continuo a ser exactamente a mesma pessoa que era antes, a única coisa que mudou foi o exterior. É sempre engraçado ver pessoas que não me dispensavam dois segundos de atenção quando eu era uma pré adolescente feia, são as mesmas que param na rua para me cumprimentar e perguntar pela vida agora que cresci e, modéstia à parte, me tornei gira. 



Etiquetas:


Comentários.

sabes que és da família quando
sexta-feira, 13 de março de 2015 || 6:41 da tarde

Eu e a minha melhor amiga somos unha com carne desde que temos quatro anos. As nossas famílias não convivem uma com a outra, mas cada uma de nós já conhece pessoalmente todos os familiares e amigos da outra, nem que tenha sido apenas num encontro breve. No dia do baptizado da sobrinha dela, eu recebi um convite para ir ao evento e dormir em casa da anfitriã. Claro que de tanto frequentar a casa da minha melhor amiga e da irmã, já conhecia 90% dos convidados. Aliás, se bem me recordo, a minha máquina fotográfica foi a máquina oficial da cerimónia e andava de mão em mão enquanto as pessoas posavam e capturavam os momentos mais importantes do dia. A certa altura, pediram à minha melhor amiga para ir tirar fotografias aos convidados com a baptizada e os pais dela e eu fiquei sozinha. Ainda não tinha passado um minuto desde que eu estava sozinha, ali a pensar para onde é que ia, com quem ia falar e se o vento não estava a fazer o vestido levantar demais quando aparece um primo da minha melhor amiga. O homem tinha-me visto umas três ou quatro vezes na vida. Uma delas extremamente constrangedora, num centro de inspeção de automóveis, naquele que foi um dos momentos mais surreais da minha vida e a outra quando fomos os dois - com um grupo de outras pessoas! - ver um jogo da selecção ao estádio. Apareceu por trás de mim e deu-me um abraço enorme, deixando as mãos divagar até sítios que eu não considero lá muito próprios para quem mal me conhece. O espanto foi tanto, por estar a ser abraçada e beijada por um gajo que eu pensava que nem sequer se lembrava do meu nome, que nem tive tempo para pensar que ele tinha a mão practicamente no meu rabo. Acabado o cumprimento efusivo, pôs-me a mão por cima do ombro, puxou o meu corpo contra o dele e foi andando comigo até à porta da igreja, enquanto fazia conversa de circunstância, cumprimentava primos e me apresentava às pessoas que eu ainda não conhecia. Olho para o lado, ali entre o constrangida até à medula e o espantada com a lata da criatura e vejo a mulher e a filha dele de costas para nós, a socializar com outros convidados. Ao fim de uns minutos inventei uma desculpa qualquer e deixei-o plantado, mas ao longo do resto do dia - e foi um dia tão longo! - ele arranjava maneira de se sentar junto de mim e da minha melhor amiga ou de ir jogar bilhar e matraquilhos connosco. Claro que bastou trocar um olhar com a minha melhor amiga para ele perceber que o primo dela se estava a fazer a mim (a nós). No fim do dia, já depois de os convidados terem ido embora e de ficarmos as duas com aquela casa enorme, no meio de um jogo de snooker puxei o tema e perguntei-lhe se ele era sempre tão atrevido, ao que ela me responde: "Não. É só com as mulheres da família. Fez-se à minha mãe, fez-se à minha irmã, faz-se a mim e agora parece que também já te considera da família." E foi assim que eu soube que era da família. 

Etiquetas:


Comentários.

brincando às doenças infecto-contagiosas
quinta-feira, 12 de março de 2015 || 8:05 da tarde

Tudo o que eu precisava na minha vida era de uma pessoa tuberculosa que não só não teve pressa nenhuma em ir tratar-se, como achou por bem frequentar a nossa casa quase diariamente, comer nos mesmos talheres que nós, tossir sem pôr a mão à frente e cumprimentar toda a gente com dois beijos, sem avisar que tinha uma doença contagiosa. Não estou a defender que fujamos todos de quem está doente como se estivéssemos num Apocalipse zombie, mas caramba, nestas circunstâncias há que tomar precauções básicas que ninguém tomou porque o cabrão senhor não soube avisar que estava numa missão para dar cabo da saúde de um agregado familiar inteiro. Eu safei-me à calamidade porque sou princezinha e não só tenho um par de talheres só meus, como janto sozinha na sala sempre que pessoas indesejadas aparecem cá em casa, mas o meu avô esteve a dois segundos de apanhar uma tuberculose aos 86 anos. O mais assustador é que tive um maluco a tentar pegar-nos, propositadamente, uma doença grave e, ao contrário do resto da família, não fiquei nada surpreendida. A minha mãe insiste que eu sou muito desconfiada e pessimista, mas eu cá acho é que os meus instintos de sobrevivência estão bem apurados. Isto de esperar sempre o pior das pessoas raramente me falha. Agora rezem pela minha paciência, que depois deste episódio se viu drasticamente reduzida. 

Etiquetas:


Comentários.

lá está o Murphy a fazer das dele outra vez
quarta-feira, 11 de março de 2015 || 3:05 da tarde

Evito ao máximo fazer as coisas em cima da hora. Esta semana, por motivos alheios a mim, deixei um trabalho para a última hora. Era um relatório, para entregar hoje. Segunda-feira, já conhecendo a minha aversão a trabalhar à pressão, despachei logo a tarefa. Como inicialmente tinha escolhido um outro tipo de trabalho, confirmei com as minhas colegas as regras para o relatório, dizem-me que está tudo bem. No dia seguinte dizem-me que afinal o relatório tinha que contemplar duas aulas, e não uma como eu tinha pensado. Já com tudo pronto para a impressão, lá fui refazer aquela porcaria toda. Incluí as duas aulas. Hoje, indo novamente contra todos os meus princípios, levei as coisas para imprimir na faculdade. Detesto imprimir coisas no dia da entrega, mas lá teve que ser. Mal cheguei à faculdade despachei logo a impressão. Chego à aula anterior e recebo uma sms de uma colega a dizer que, afinal, talvez elas tivessem percebido tudo mal e fosse suposto fazer relatório de apenas uma aula. O professor esticou-se e saímos mais tarde do que o costume. Já a bufar por todo o lado, fui a correr à reprografia imprimir a primeira versão do relatório, contemplando apenas uma aula, para entregar na aula seguinte. Com esta dança das cadeiras, atrasei-me para o almoço. O metro de uma das linhas atrasou-se, perdi o metro da linha seguinte por cinco segundos e o autocarro demorou mais do que o costume. Todos os semáforos estavam vermelhos e todos os velhinhos do mundo decidiram apanhar o mesmo autocarro que eu. Cheguei ao café para almoçar a correr e isto está a abarrotar de gente para atender. Só me falta encontrar um enforcado numa árvore no caminho de regresso. Não era a primeira vez, caso estejam a perguntar. Isto teria sido evitado de eu já tivesse aprendido que sempre que pergunto alguma coisa a alguém, inevitavelmente recebo indicações completamente erradas. 

Etiquetas:


Comentários.

coisas que aposto que nunca vos aconteceram
terça-feira, 10 de março de 2015 || 10:00 da manhã

O chefe da minha tia gosta tanto de mim que me manda recados e conta piadas para a minha tia me contar quando chegar a casa. Aliás, na semana passada pediu à minha tia para trabalhar um dia no turno da noite e acrescentou "se a tua sobrinha se sentir sozinha podes manda-la para minha casa, que eu trato bem dela!". Não disse isto com uma conotação perversa, foi mesmo com boa vontade. Ainda assim, não sei se fique lisonjeada se comece já a ter medo. Ele só me viu uma vez, note-se. 

Etiquetas:


Comentários.

porque, para mim, hoje não é dia de ir ao spa ou de contratar stripers:
domingo, 8 de março de 2015 || 10:54 da manhã


Vivemos lado a lado com os homens. Somos mães, filhas, amigas, tias, namoradas, esposas e colegas de homens. Fazemos parte de todas as etapas das suas vidas, tal como eles fazem das nossas. E ainda assim, a maioria das pessoas ainda crê que a luta pela igualdade de direitos e oportunidades é uma luta só da mulher. As coisas estão a mudar. Devagarinho, mas estão. Ainda não há igualdade, estamos muito longe disso. Estima-se que só em 2080 haverá igualdade salarial. O Dia da Mulher, para mim, é um dia triste, que existe para nos lembrar que ainda não chegámos lá, que ainda há um mundo de coisas a mudar até não fazer sentido que exista este dia. Nos EUA também existe o mês da História Americana, um mês que, cheio de boas intenções, só serve para lembrar os americanos que os outros 11 são sobre a história dos brancos. Os outros 365 dias do ano também são, de certa forma, dedicados aos homens. Que trabalham lado a lado connosco e levam mais dinheiro para casa, que passam por nos na rua e se sentem no direito de gritar obscenidades, que repetidamente violam, batem e matam, que esperam, por vezes subconscientemente, que sejamos submissas e correspondamos a uma série de estereótipos antiquados. Há homens que não são assim, há homens que nunca foram. Mas também há por aí muitas mulheres machistas. O dia de hoje existe  para nos lembrar que um pouco por todo o mundo e até aqui na Europa, ser mulher ainda é ser menos do que ser homem e isso é absolutamente inadmissível. A maioria das pessoas ainda precisa que perceber que o feminismo, apesar de ter um nome muito infeliz, não é uma luta de mulheres e para mulheres. O machismo afecta mulheres, mas também diz aos homens que têm que ser machos e agir de certa forma para ter valor, diz-lhes que não podem chorar e que é impossível serem violados porque têm obrigação de gostar. Que neste dia da Mulher possamos todos tirar trinta segundos para agradecer todos os progressos já feitos no campo da igualdade e cinco minutos para pensar no quanto ainda precisamos de caminhar, no quanto as mulheres ainda são prejudicadas, num mundo aparentemente democrático que se rege por constituições que apregoam liberdade, igualdade e fraternidade. Enquanto as mulheres forem desrespeitadas na rua não há liberdade, enquanto não ganharem o mesmo e tiverem acesso a cargos de poder na mesma medida que os homens têm não haverá igualdade e enquanto os homens não olharem para nós como iguais e não participarem na nossa luta, desculpem-me mas não existe fraternidade! Mais do que isso, não vamos conseguir ter igualdade enquanto festejarmos a desigualdade com flores.

Etiquetas:


Comentários.

melhores momentos
sexta-feira, 6 de março de 2015 || 10:15 da tarde

A melhor parte do dia é, sem dúvida, chegar a casa ao fim da tarde, mandar-me para cima da cama e passar as horas seguintes a ler, ver séries, actualizar-me nas redes sociais ou a conviver com a minha tia. Não há nada que me saiba tão bem como estes momentos de paz depois de um dia preenchido. 



Etiquetas:


Comentários.

dramas de primeiro mundo
quinta-feira, 5 de março de 2015 || 10:27 da manhã

Aguento tudo menos enfiar-me num autocarro com pessoas a usar perfumes doces ou frutados logo de manhã. Que porra de inferno. Preferia que cheirassem a suor, era mais suportável.  

Etiquetas:


Comentários.

para futura referência
terça-feira, 3 de março de 2015 || 8:08 da tarde

Nunca mais beber um litro de ice tea e meio litro de chá preto depois das sete da tarde. É que parecendo que não, é cafeína suficiente para impedir uma pessoa de dormir até praí às seis e meia da manhã do dia seguinte. 

Etiquetas:


Comentários.