Write loud and clear about what hurts

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Se conseguisse descrever-me em poucas palavras não tinha criado um blog. Desde 2009 a escrever sobre pedaços aleatórios de vida e histórias mirabolantes. Para questões, sugestões ou dúvidas existenciais, ana_bmd@sapo.pt




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“Home is Where the ♥ is”
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Janeiro
sábado, 31 de janeiro de 2015 || 4:13 da tarde

- Comecei a ver House of Cards e estou apaixonada pela série. Nunca vou desgostar de séries com personagens ambiciosas e manipuladoras. 
- Descobri que o Ioan Gruffudd é um dos homens mais bonitos da actualidade. Já procurei fotos dele mais antigas, mas parece que ele só está estonteantemente bonito desde que começou a gravar a série Forever. 
- Fui buscar o Cartão de Cidadão e, mais do que nunca, pareço uma talibã. Passar nos controles dos aeroportos vai ser um desafio. 
- Passei de semanas de frequências e entregas caóticas para o paraíso dos dias sem planos e sem stresses.
- Vi uma pessoa ter um AVC à minha frente e nunca me senti tão impotente na mina vida. 

- Vi 15 filmes. (sem comentários!)
- Terminei dois livros (This is Where I Leave You, de Jonathan Tropper e Maybe Someday de Colleen Hoover)
- Entrei, pela primeira vez, numa embaixada.
- Perdi a cabeça e decidi rever as quatro temporadas de Suits para me preparar para o regresso da série. 


Janeiro não foi um mês mau, mas foi longo.

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Numa só semana
quinta-feira, 29 de janeiro de 2015 || 2:26 da tarde

- Apanhei uma gripe fortíssima e passei dois dias de cama. 

-Acordei às 4h da manhã com o meu vizinho do lado (desta vez nem sequer foi o maluco) a murmurar canções contra a parede. Pensei que estivesse a delirar com a febre, porque ao fim de cinco ou seis segundos de melodia ele calava-se durante um ou dois minutos. Claro que depois recomeçava o processo e eu voltava a dar um salto de susto. 


- A minha avó caiu duas vezes. Uma delas durante a noite. Na noite em que o atrasado mental se lembrou de murmurar canções contra a parede do meu quarto e me acordou com um susto de morte. 

- A minha cama partiu-se a meio da noite, comigo a dormir lá em cima, completamente pedrada com febre. Foi na noite em que o meu vizinho se pôs a cantar e a minha avó caiu. Ouvi um crack enorme, acordei com um quase ataque cardíaco e o meu primeiro pensamento foi que a febre tinha subido e eu já estava na fase dos delírios. Conforme fui acordando percebi que não podia ser, o barulho tinha sido real, por isso saltei para a conclusão mais provável e entrei em stress. Pensei que o meu vizinho maluco tivesse perdido o pouco juízo que lhe restava e tivesse usado os andaimes (o prédio está em obras) para saltar para dentro de nossa casa. Levantei-me, percorri a casa inteira com um sapato de salto alto, pronta a vazar-lhe um olho ou a partir-lhe a cara se fosse preciso e como não o vi, voltei para a cama. Só percebi que a cama se tinha partido a meio do dia seguinte. Aparentemente, na minha cabeça, é mais plausível ter um louco dentro de casa à noite do que ter uma cama partida. 

- Uma pessoa da minha família próxima teve um AVC mesmo à minha frente e eu apanhei o susto da minha vida, apesar de não ter havido sequelas. 



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das datas
terça-feira, 27 de janeiro de 2015 || 11:18 da tarde

Não sei se algum de vocês já teve a oportunidade de ir a Auschwitz. Eu já - falei sobre o lado mais soft da minha visita aqui. Toda a gente sabe o que se passou neste período negro da história, mas garanto-vos que não filmes ou livros que nos possam preparar para o que vamos encontrar dentro dos campos. Passaram 70 anos, está tudo limpo e restaurado, há guias e pessoas por toda a parte, há flashes a ser disparados e até pessoas a tirar selfies. Ir a Auschwitz já não é assustador, mas foi certamente das experiências turísticas mais intensas que eu já tive. O ambiente começa a adensar-se a quilómetros de distância dos campos e, assim que passamos a porta, é como se um interruptor se ligasse e a gravidade nos puxasse mais contra o solo e o ar fosse mais pesado. Fiquei com um aperto no peito e ainda mal tinha entrado. Não estou a exagerar e não sou uma pessoa particularmente dada a ondas de emoção. A prova disso é que um terço do grupo com quem eu ia sentiu-se tão mal com o peso do ambiente à entrada que optou por não fazer a visita guiada, esperando pelos restantes membros no bar. 


Durante a visita, dezenas de pessoas à minha volta sentiram-se nauseadas e doentes com aquilo que viam. Desde salas com tamanho de apartamentos integralmente ocupadas por cabelo rapado às vítimas, a andares inteiros cheios de sapatos ou pentes que ficaram para trás. É verdadeiramente avassalador. Auschwitz, para mim, foi muito pouco sobre aquilo que vi e muito sobre aquilo que senti. Nunca tinha estado num ambiente tão pesado. O sofrimento dos milhares de pessoas que ali passaram é ainda tão real que passados 70 anos continua a ser impossível não o sentir no ar e não se ser contagiado com um mal-estar instantâneo. Nas caves onde os prisioneiros eram castigados, nas câmaras de gás e nas míticas paredes onde ocorriam os fuzilamentos, quase podíamos cheirar as mortes. Não digo isto metaforicamente, as paredes das câmaras e os fornos tinham um ar ainda mais denso que os outros locais porque o fumo da cremação de todas aquelas pessoas está entranhado na infraestrutura. Podíamos, literalmente, cheirar a morte e o sofrimento. Não de uma forma nojenta como quando cheiramos um cadáver em decomposição, mas de uma forma muito mais subtil e, por isso mesmo, mais chocante. A atrocidade que foi vivida por tanta gente naquele local está entranhada na terra e, de uma forma ou de outra, criou alterações no campo electromagnético do lugar. Ninguém que já tenha ido a Auschwitz consegue esquecer o que sentiu lá dentro e, por extensão, o sofrimento de tantos milhares de inocentes. Auschwitz existe para nos relembrar e ensinar coisas sobre a vida e o poder da autoridade e da manipulação e não sobre a morte, como somos tentados a pensar de início.

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ouvi dizer
|| 11:48 da manhã

- Mas a tua opinião não conta, Anaa.
- Porquê?!
- Porque tu tens vida de rica. Foste criada como uma betinha.
- Como assim? A minha casa é nojenta e eu passo semanas quase sem gastar dinheiro.
- Sim, mas és betinha e riquinha na mesma.
- Dá-me um exemplo do que estás a dizer.
- Quando a tua família vai ao hipermercado, compram fiambre já embalado e fatiado em vez de esperarem na fila da charcutaria, como o resto dos mortais.
- ...
- ...


Portanto, acusaram-me de ser mimada porque compro fiambre embalado.
(O mais engraçado é que raramente compramos fiambre.)

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coisas que aposto que nunca vos aconteceram
sábado, 24 de janeiro de 2015 || 11:30 da tarde

Podem até já ter visto alguém a ter um AVC à vossa frente, mas aposto que nunca viram ninguém a criticar o Cavaco Silva e a política portuguesa em geral enquanto o tinha. Não estou a brincar. Apanhei o maior susto da minha vida ao ver alguém que adoro babar-se e ficar com a boca ao lado, perder o controlo de um dos lados do corpo, tremer desalmadamente e deixar de conseguir produzir palavras com sentido, mas enquanto tudo isto acontecia fui brindada com uma crítica politica completa e sem sentido nenhum por parte da pessoa que estava a ter o AVC. Se não estivesse tão em pânico a pensar que era desta que ia ver alguém morrer-me nos braços e a tentar perceber alguma coisa nas entrelinhas de um discurso enrolado e com palavras imaginárias, tinha rido muito do insólito da situação. Com os sustos que esta família de provoca qualquer dia sou eu que tenho problemas cardiovasculares...




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ups
sexta-feira, 23 de janeiro de 2015 || 8:28 da tarde

Em 2009 fiz o meu primeiro Cartão de Cidadão, depois de anos a ansiar pelo momento em poderia destruir definitivamente o BI e a sua foto horrorosa. Quando olhei para o cartão pela primeira vez, julguei que era impossível alguém ter um aspecto de terrorista tão pronunciado como o meu naquela foto. 2015 foi ano de renovar o CC, acabei de ir buscar o exemplar novo. Em 2009 estava enganada. Hoje aprendi que independentemente do quão mal ficamos nas fotos oficiais, há sempre uma maneira de, na foto seguinte, ficarmos ainda pior. E de parecermos um terrorista ainda mais perigoso. 

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isto dos bairros não são só coisas más
terça-feira, 20 de janeiro de 2015 || 7:40 da tarde

Sei que me queixo muitas vezes do sítio onde moro. E faço-o com razão, deixem-me que vos diga que ninguém com juízo tem paciência para vizinhos loucos que gritam todas as noites e batem com portas às quatro da manhã, grupos de chungas a olhar fixamente sempre que uma pessoa vai à rua, um negócio de venda de droga tão prolífero que até eu já sei os códigos da coisa, ensaios para as marchas durante meses e aparelhagens largadas no meio da rua, a passar kizombas até às tantas. Já para não falar de cães soltos a fazer necessidades quase em cima de nós ou de cenas de pancadaria frequentes.


A questão é que, apesar de 90% da vivência de bairro não ter nada a ver comigo e, nesse sentido, me ser incómoda, tenho que admitir que nem tudo é mau. Há umas semanas, por exemplo, morreu um rapaz da minha idade aqui da zona. Devo confessar que ele era um delinquente e que não fazia nada da vida a não ser sugar dinheiro à segurança social, mas não deixa de ser trágico um jovem de vinte e poucos anos morrer num acidente de automóvel. Aliás, seria trágico ainda que ele fosse idoso, morrer nestas condições é sempre horrível e injusto. Num outro sítio, provavelmente ninguém saberia do sucedido ou, sabendo, só a família mais próxima se importaria. Num bairro as coisas não se processam assim. Dez minutos depois do acidente já se contavam trinta pessoas à janela, a ver uma das amigas do rapaz chorar compulsivamente no meio da rua e gritar aos sete ventos que o grande amor dela tinha morrido. Pode parecer que estou a escrever isto com um tom de gozo, mas foi genuinamente triste, temi que a rapariga tivesse que ir para o hospital, tal era o estado de pânico e tristeza em que estava. Acreditem ou não, toda a gente conhecia o rapaz, eu incluída, apesar de não me relacionar com a maioria das pessoas que moram perto de mim. Em meia hora já toda a gente sabia, as pessoas comunicavam umas com as outras pela janela, falavam do rapaz, fazendo a cortesia de omitir das suas declarações que ele era um delinquente e, uns dias depois, o velório encheu. Claro que podemos ler esta situação como a tendência de toda uma comunidade se meter na vida alheia e se deliciar com o sofrimento de terceiros, mas também podemos acreditar que é interesse genuíno (ou fingido) e solidariedade para com a família do rapaz. 

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Sabem o que é que é mesmo ridículo?
domingo, 18 de janeiro de 2015 || 9:47 da tarde

Que as pessoas não saibam aceitar um não como resposta e nos coloquem, constantemente, numa posição em que temos que escolher entre mentir-lhes na cara para não parecer mal ou mandá-las à merda por serem bisbilhoteiras. Mas desde quando é que devemos explicações a conhecidos?

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quando a realidade é mais estapafurdia que a ficção...
sábado, 17 de janeiro de 2015 || 2:11 da tarde

Eu e a minha melhor amiga conhecemo-nos há 16 anos e desde o primeiro dia em que nos vimos que temos sido inseparáveis. Dito isto, não somos nada aquele tipo de amigas que passam o tempo todo aos beijos e abraços. Ainda assim, a quantidade de pessoas que já nos confessou que julgava que éramos um casal é impressionante, principalmente se tivermos em conta que apesar da enorme cumplicidade que temos tendemos a não demonstrar isso fisicamente. A situação tornou-se ainda mais cómico-deprimente quando, aos 17/18 anos, descobri que a família dela também suspeitava de que nós pudéssemos ter os nossos momentos de amizade colorida. Claro que descobri isso da maneira mais embaraçosa possível. 



Estávamos ambas no quarto dela, enquanto esperávamos que a mãe dela nos chamasse para jantar. Eu estava deitada na cama dela, enquanto ela debitava com todos os pormenores a tarde que tinha passado com um rapaz com quem viria a namorar. Dizia-me ela "E depois eu deitei-me de barriga para baixo e ele sentou-se em cima de mim e fez-me uma massagem. Quando acabou, deitei-me de costas e ele ficou sentado em cima de mim, a falar". Vocês não a conhecem, mas deixem-me dizer-vos que independentemente de quantos anos viva, desconfio que nunca vou encontrar alguém com tanta paixão por descrever os seus momentos românticos como ela... a forma como ela estica um momento de dez segundos e não só o repete cinco vezes como o analisa de forma diferente das cinco vezes é um misto entre maravilha da natureza e sétimo círculo de inferno. Dizia eu que ela estava a contar-me o que tinham feito, reiterando-me sempre que eram só amigos e que ele nunca tinha mostrado qualquer interesse romântico por ela, quando eu perdi a paciência para ouvir a história de como o rapaz a massajou suavemente pela milésima vez e lhe perguntei se ela tinha noção de que ia acabar por se envolver com ele. Ela insistia que não, que tinha sido uma massagem amigável e, para reforçar o seu ponto de vista, levantou-se da cadeira onde estava e veio sentar-se em cima de mim, para exemplificar a forma amigável como ele estava sentado em cima dela. Eu ainda lhe disse que não era preciso, que dispensava demonstrações, mas ela insistiu. Ora, eu que tenho alguns amigos do sexo oposto, estava a dizer-lhe que aquela posição não me parecia nada amigável e, naquele momento, conseguia pensar em muito poucas situações em que duas pessoas estivessem sentadas e entrelaçadas uma na outra daquela forma sem terem um interesse romântico-sexual. Ela insistia que não, que ele tinha muitas raparigas atrás dele e que só tinha esta confiança com ela porque passavam muito tempo juntos. Entramos ali numa "discussão" (amigável) sobre o facto de eu costumar ter razão sobre o que vai acontecer num futuro próximo, ela nunca acreditar em mim e depois telefonar-me muito espantada a dizer que eu tinha razão. Claro que tivemos esta discussão toda com ela sentada em cima de mim, numa pose muito suspeita e nem nos apercebemos do quão comprometedor aquele momento poderia parecer fora de contexto, precisamente porque somos tão amigas que estamos 100% à vontade uma com a outra. Nisto, a mãe dela entra no quarto com roupa para a minha melhor amiga arrumar e vê-nos naqueles preparos. Abriu muito a boca, espantada, pediu desculpa e foi embora. Na altura fiquei tão envergonhada que nem me deu para rir, mas agora só de pensar nas nossas caras sou capaz de rir à gargalhada.

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entretanto, na minha vida
quarta-feira, 14 de janeiro de 2015 || 9:41 da tarde

Tudo o que eu precisava era de um tio avô que decidisse aparecer de surpresa cá em casa, para jantar, umas duas ou três vezes por semana. Entre os dias em que vem bêbedo, os dias em que me tosse para cima (o homem está com tuberculose!) e os dias em que só diz porcaria, o homem é boa companhia 0% das vezes que nos visita. Honestamente, às vezes não sei se sou eu que complico ou se os outros é que foram criados por lobos. Desde quando é que é normal aparecer na casa de alguém sem, pelo menos, um telefonema a avisar? Hoje, quando lhe abri a porta e fui chamar o meu avô, que estava deitado a descansar, a reacção dele foi "oh, que merda", enquanto se arrastava para fora da cama. A minha mãe e a minha tia só reviram os olho e eu escondo-me no quarto e fico dividida entre a vontade de rir e a vontade de chorar. No Natal e no Verão, a este filme, juntam-se as visitas tardias do melhor amigo da minha mãe, que não só não avisa ninguém, como nos enche a casa com três filhos, a mulher e o cão e me obriga a fugir para casa da minha melhor amiga de emergência. Está decidido, vou colocar 10 anos de experiência em gestão hoteleira no CV, a minha casa é uma espécie de pensão. 



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crónicas de um café
|| 12:54 da tarde

Desde que descobriram que um dos clientes do café da minha mãe tem uma posição de topo num dos ministérios, é ver as velhas todas a meter conversa e a deixar-lhe cafés pagos. No outro dia até insistiram em pagar um bagaço ao motorista, que obviamente não o pôde beber porque estava de serviço. Se vocês soubessem o que eu me rio naquele café...


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das promessas
terça-feira, 13 de janeiro de 2015 || 1:12 da tarde

Mais do que professores maus que fazem testes estupidamente difíceis, irritam-me os que passam o semestre a fingir que são maus e, chegando a data do teste, nos apresentam um conjunto de perguntas super acessível. Não me interpretem mal, adoro testes fáceis e adoro ter boas notas e nunca, em circunstância alguma, vou preferir fazer um teste difícil a um teste fácil.  Mas irrita-me a necessidade de aterrorizar os alunos sem qualquer fundamento. Irrita-me o gosto de criar ansiedade nos outros e o desejo de receber olhares cheios de terror. Mete-me nojo, acima de tudo, a falta de palavra. Ainda ontem fui fazer uma frequência convencida que ia chumbar à cadeira, tais eram os critérios que o professor dizia ter; saí da sala com a certeza que vou ter boa nota. Agora pergunto, qual era a necessidade de ter assustado as pessoas durante um semestre inteiro? Houve gente que anulou a cadeira e atrasou a vida porque percebeu que com aquele nível de exigência nunca ia conseguir passar e depois uma pessoa chega à sala e percebe que andou enervada sem razão e que qualquer pessoa conseguia passar sem problemas. Não gosto de exageros, mas consigo respeitar as pessoas muito exigentes (desde que o sejam também consigo próprias)... já as pessoas que não cumprem a sua própria palavra e não têm coragem para cumprir as suas próprias promessas não me merecem respeito nenhum. Não se ameaçam tormentas quando só se planeia produzir uma brisa veraneante, é falta de carácter. 




Isto aplica-se a toda a gente e não apenas aos professores, claro.

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Sabes que os teus amigos te conhecem bem quando
segunda-feira, 12 de janeiro de 2015 || 7:43 da tarde

O Cristiano Ronaldo ganhou a terceira Bola de Ouro há menos de uma hora e eu já recebi quatro mensagens a dar-me os parabéns por ele. Claro que me entusiasmei um bocadinho demais durante a cerimónia e quase me caiu uma lágrima de orgulho quando ele foi anunciado vencedor pela terceira vez. Isto de ser fã de longa data do rapaz é uma montanha russa de emoções. (e agora vou voltar à minha regra de comentar o menos possível a actualidade)



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coisas que aposto que nunca vos aconteceram
domingo, 11 de janeiro de 2015 || 2:03 da tarde

Ao lado do café da minha mãe mora um rapaz com quem me relaciono desde que sou muito pequena. Os pais dele são clientes e amigos da minha mãe, por isso era frequente brincarmos juntos ou eu ir passar tardes a casa dele, apesar de termos uma diferença de sete anos. Entretanto crescemos, ele foi para o exército, arranjou namorada, esteve no Afeganistão e, como seria de esperar, houve uns anos em que nem nos vimos. Mais recentemente, o contrato dele acabou, bem como a relação com a namorada, que foi enviada para o Iraque. Desde que ele voltou só nos cruzamos umas quatro ou cinco vezes, dissemos olá e pouco mais falámos. Não pensei mais nele, até há umas semanas. Um outro cliente (F.) veio cá e fez-me imensas perguntas sobre o N. Torci logo o nariz perante tanto interesse: o dito cliente é gay e não tem juízo nenhum nas suas relações. Além de trocar de namorado muito frequentemente e de escolher sempre homens com quem é incompatível, é extremamente fofoqueiro e chega a roçar a indiscrição e a ordinarice. Pediu-me o número dele, respondi-lhe que não o tinha - porque não tenho! Tentei explicar-lhe, educadamente, que o N. não era gay e que até tinha chegado a viver com a namorada, mas ele não acreditou em mim e disse que eu estava era com inveja e por isso é que não lhe queria dar o número. Como é óbvio, disse-lhe para fazer o que entendesse, que a mim não me fazia diferença porque não estava interessada no N. Depois desse episódio, ainda voltou ao café mais duas vezes para obter mais informação da parte da minha mãe (que sabe tanto como eu).


Uns dias depois cruzei-me com o N. e ficámos dez minutos à conversa sobre os velhos tempos. Lembrei-me da situação com o outro rapaz e avisei-o que ele estava interessado em conhece-lo. Fi-lo só para o deixar de sobreaviso, não fosse ele ser apanhado desprevenido e porque o F. comentava alto e bom som no café, para quem quisesse ouvir, que o N. era giríssimo e que ainda se iam enrolar, portanto deduzi que não fosse segredo nenhum. De facto, uns dias depois, encontraram-se na rua e ele pediu o número ao N. A questão é que, desde essa altura, o N. já me convidou para ir a casa dele duas vezes (ele mora sozinho, os pais compraram duas casas no mesmo prédio e uma é só dele). Não sei se está a tentar provar-me que não é gay ou se subitamente percebeu que já somos ambos adultos e que a este ponto a diferença de idades já não importa, mas está a tornar-se ligeiramente assustador. Nunca foi indelicado, mas tanta insistência em encontrar-se comigo em casa dele já me começa a deixar constrangida. A modos que é isto, de um lado tenho que fugir dos convites do N. porque não somos propriamente amigos íntimos e não tenho confiança com ele para nos fecharmos numa casa uma tarde inteira a fazer sabe-se lá o quê, do outro tenho que fugir do F. que além de ser chato, passa a vida a lamentar-se que o N. não quer nada com ele. A minha vida está a um passo de se tornar numa novela mexicana de má qualidade. 

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aquele momento em que percebes que és a adulta da família...
sábado, 10 de janeiro de 2015 || 11:49 da manhã

Na minha família parece haver uma espécie de crença generalizada de que eu sou muito pessimista e ligeiramente dramática. A primeira parte é absolutamente verdadeira, mas quanto à segunda, posso afirmar que é completamente mentira, sou muito mais ponderada e racional do que dramática. Dito isto, não consigo deixar de rir por as pessoas que insistem que eu sou pessimista serem das pessoas mais dramáticas que já conheci. A minha avó é hipocondríaca e não consegue passar mais do que seis minutos sem falar dos seus problemas de saúde (é mais ou menos por isso que eu insisto em não estar no mesmo espaço que ela mais do que 90 segundos seguidos). O meu avô adoece umas duas vezes por mês, recusa-se a tomar a medicação e diz que está a morrer, passa o dia na cama a gemer.  Duas vezes por mês! A minha mãe adoeceu esta semana, apanhou uma gripe e teve que ficar em casa a descansar dois dias. Ter gripe é horrível, todos nós já apanhamos pelo menos uma na vida e sabemos que não se deseja a ninguém passar por esse inferno, mas juro que se a ouvissem queixar pensavam que ela estava em estado terminal de tuberculose ou algo do género. Também foi para a cama e não se lembrou de tomar nada. Fui à farmácia, comprei-lhe uns granulos naturais que funcionam como reforço de glóbulos e em 12 horas estava quase boa. A modos que é isto, estou aqui a fazer malabarismo com um membro da família em cada mão e a dramática sou eu. 

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ponto da situação
terça-feira, 6 de janeiro de 2015 || 10:58 da tarde

Eis que depois de três anos sem me entender com as novas políticas de programação htlm e java autorizadas pela blogger e a usar modelos básicos disponibilizados pela plataforma, voltam os modelos giros giros e femininos. Passei três anos a pensar que tinham banido templates mais complicados quando, afinal, podia ter resolvido o problema em trinta segundos, carregando numa das opções da formatação de modelos. Demorei três anos, mas mais vale tarde do que nunca. Já tinha saudades de ter um template personalizado e mais ao meu estilo. Espero que também vos agrade.




Entretanto, ali entre os festejos de Natal e Ano Novo e os mil balanços de 2014 acabei por não tocar no tema, mas o Home is Where the Heart is fez seis anos. Ninguém no seu perfeito juízo se lembraria de criar um blog no dia 23 de Dezembro, claro que metade das vezes me esqueço da data e a outra metade estou demasiado atarefada com festejos e balanços para escrever sobre o assunto no dia certo. Estes seis anos de blogosfera têm sido fantásticos. O blog acompanha-me desde os meus 14 anos, viu-me crescer e permitiu-me contactar com pessoas verdadeiramente inspiradoras que, de uma forma ou de outra, me enriqueceram. Umas semanas antes de fazer seis anos, também atingiu as 50.000 visualizações. Sei que há blogs que atingem este valor em seis meses, mas honestamente gosto que o Home is Where the Heart is não seja muuuuuito conhecido. Dá-me mais liberdade e poupa-me comentários anónimos a chamar-me nomes. Obrigada a quem me lê e obrigada a quem escreve e torna a blogosfera um lugar interessante para mim. :)

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|| 6:44 da tarde

Lembro-me de me dirigirem a frase "Afinal és igual às outras" duas vezes. Estou a falar de contextos sérios em que se atiram palavras afiadas com a intenção de magoar e não de brincadeiras, claro. Curiosamente, nenhuma das vezes que ouvi esta frase foi numa situação amorosa, como é comum. Deixem-me explicar. Durante muito tempo, esforcei-me que nem louca para ser igual às outras. Esforcei-me para não sentir as coisas de forma diferente, para não me incomodar com coisas que não incomodavam os outros. Dei por mim a tentar gostar de pessoas que não me diziam nada e a mover-me num mundo ao qual queria desesperadamente pertencer. Tentei muito gostar do que os outros gostavam, sentir-me confortável nos mesmos ambientes, achar piada às mesmas faltas de postura. Eventualmente, depois de tentar incessantemente e de falhar incessantemente, percebi que não era como as outras. Ninguém é igual aos outros porque ninguém é como ninguém, ponto final. Deixei de me esforçar por me integrar num sítio que claramente não era o meu. Eu sabia-a e os outros também, não valia a pena tentar demasiado. Eventualmente também percebi que não podia ser como os outros porque estudava num local onde 50% das pessoas eram delinquentes em formação e outros 25% eram delinquentes já formados. Depois de me ver livre dos delinquentes, dei por mim rodeada de fanáticos religiosos e de pessoas que viviam a vida como se experiências fossem gotas de água num deserto. Pensei que o problema era meu, que alguma coisa se passava por eu não viver a vida de forma ávida e obsessiva, por não seguir as figuras de proa até ao fim do mundo, por não querer dar a vida por elas, por nunca baixar a guarda, por fazer questão de não ir contra mim mesma e de conservar a minha dignidade. Aprendi a dizer não e a não ceder às pressões alheias. Foi a lição mais valiosa da minha vida. Não era como os outros. Eu sabia-o e eles também. Claro que não foi preciso muito tempo para perceber que não era como esses outros porque, graças a Deus, tinha algum senso comum. Raras vezes fui como as outras porque, lá está, ninguém é como os outros. 


De ambas as vezes em que me atiraram um "Pensei que eras diferente, mas afinal és como as outras", sorri e respondi que sim, talvez fosse como as outras. Não fiquei magoada, ofendida ou zangada. Sorri e não disse mais nada, porque achei muito irónico que depois de tantos anos a tentar ser como as outras, me tenham dito isto numa altura em que eu já aceitei que não sou e não me importo absolutamente nada com isso. Há uns anos atrás tinha dado tudo para ter ouvido alguém dirigir-me esta frase. Claro que perante esta reacção, o meu interlocutor deve ter pensado que eu era doida ou que estava a gozar com ele, mas isso só me deu ainda mais vontade de rir porque nem disso fui como as outras. 

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não acreditem em tudo o que vos dizem: casos práticos
segunda-feira, 5 de janeiro de 2015 || 7:41 da tarde

Já me chamaram pêga em quatro línguas diferentes, mas garanto-vos que foi sempre sem razão. (risos)



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living on the edge
domingo, 4 de janeiro de 2015 || 12:21 da tarde

Os bombeiros da freguesia onde vivo têm mais experiência em acender fogos para grelhar febras (em plena rua e ao lado de carros com tanques cheios de gasolina!) do que em apagar fogos, arrombar portas, transportar doentes, resgatar gatinhos, etc. Aliás, há uns meses foram multados porque ligaram as luzes e sirenes da missão urgente de socorro para ir comprar frango. A polícia achou estranho e seguiu-os. Foi dar com quatro marmanjos todos contentes com não sei quantos frangos assados nas mãos. Hoje um camião da corporação não me queria dar prioridade na passadeira (não iam em missão urgente) e o condutor - que por acaso é meu vizinho - abriu o vidro e pôs-se a reclamar comigo por eu ter passado na mesma. Eu, que claramente gosto de viver nos limites do bom senso, pedi-lhe desculpa e perguntei-lhe se estava com pressa para ir buscar o frango assado. A avaliar pelo olhar que ele me atirou, acho que esteve a dois segundos de pegar na mangueira e me dar um banho de água a alta pressão. Obviamente que quando cheguei a casa ainda ia a rir da cara dele. 

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#2015
sexta-feira, 2 de janeiro de 2015 || 7:00 da tarde

Este mês, ao contrário do que tenho feito desde que tenho blog, não vou fazer uma to do list para o próximo ano. Tenho quatro grandes objectivos para 2015, todos eles importantes e, por isso mesmo, deixo-os fora do blog (pelo menos por enquanto). À parte disso, claro que quero escrever muito, ler muitos livros, ver muitas séries e assistir a muitos filmes. E é o mais longe que vou no que toca a "tarefas" para 2015. Nunca formulo desejos, porque se as coisas dependerem de mim, são objectivos e se não dependerem, não vale a pena esperar que o universo de alinhe para me fazer as vontades, já que isso raramente acontece. Em 2015 não quero ter metas nem fazer as coisas só porque é giro riscar items da lista. De 2015 só preciso mesmo dos quatro sucessos de que já falei, de resiliência e de quilos de maturidade. 

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