Write loud and clear about what hurts

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Se conseguisse descrever-me em poucas palavras não tinha criado um blog. Desde 2009 a escrever sobre pedaços aleatórios de vida e histórias mirabolantes. Para questões, sugestões ou dúvidas existenciais, ana_bmd@sapo.pt




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“Home is Where the ♥ is”
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eles andam aí
domingo, 28 de setembro de 2014 || 2:57 da tarde

A minha vida social atingiu o ponto mais baixo de sempre no momento em que eu e um grupo de amigas fomos assediadas, à noite, por um grupo de rapazinhos de 10/11 anos. Não só acharam que podiam olhar para nós e comentar-nos, como pensaram que eram intimidantes o suficiente para terminarem com um "cuidado, eles andam aí". Claro que eu não sou capaz de ficar calada e respondi logo "Quem? Os menores?". Um dia levo uma facada ou ameaçam-me porrada, mas a verdade é que perante situações ridículas ou de falta de respeito tenho sempre respostas igualmente atrevidas na ponta da língua e raramente fico com medo e me encolho no meu canto. O que nem sempre é a atitude mais inteligente, eu sei. Porém, neste caso duvido muito que houvesse motivo para ter medo de quatro crianças de dez anos. Só me faz confusão como é que os pais deixam crianças desta idade sair à noite sozinhas.


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crónicas de um café
sexta-feira, 26 de setembro de 2014 || 7:00 da tarde

Aqui ai lado do café da minha mãe há duas obras. Numa delas estão a tratar, simultaneamente, das canalizações e do telhado. Todos os dias, ao almoço, os operários vêm cá beber café e bagaço. Não estou a exagerar quando digo que, no espaço de meia hora, cada um bebe uma média de quatro ou cinco bagaços. Num curto espaço de tempo,o eu sirvo tantos bagaços e recebo tantos pagamentos pelos mesmos, que rapidamente deixo de conseguir saber quais as bebidas que estão pagas e quais as que não estão. O que vale é que eles são sérios; protestam quando cobro a mais e avisam quando cobro a menos. O que me faz confusão é como é que homens que bebem cinco bagaços em meia hora são capazes de manter o equilibro num telhado todo partido e a cair de podre. Honestamente, espero que nenhum caia e dê cabo dos ossos todos...não era a primeira vez que um vizinho metia a chave à porta do prédio e dava com um homem morto nas escadas. 

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Eu podia fazer-vos um discurso sobre feminismo, mas não vai ser preciso ou Palavras que podiam ser minhas
terça-feira, 23 de setembro de 2014 || 7:49 da tarde

"
     Não sejas mandona. Não te faças de vítima. Não digas asneiras. Pára de fazer queixinhas. Não te sentes de pernas abertas. Devias usar mais vestidos e saias. Não fales com estranhos. Dá um beijinho ao senhor. Nem penses que vais ao cinema só com rapazes. Vais passar as férias enfiada em casa, não tens amigos? Tens de ser boa aluna. Não sejas marrona. Penteia-te. Não sejas vaidosa. Uau és muita maluca. Não sejas careta. Copiar é muito feio. Não sejas egoísta, deixa-os ver o teu teste. Devias tirar o bigode? Tens o lábio todo vermelho da cera. Apareceu-te o período agora já és uma mulherzinha. Uma menina não fala sobre "esses assuntos" em público. Credo, andas sempre com roupas largas e escuras. Esse vestido não é demasiado curto? Uma menina não diz asneiras. Uma senhora não chora. Não sejas histérica. Então, não dizes nada? Nem penses em arranjar um namorado. Quando é que te casas? Não me apareças em casa grávida. Já estás a ficar um bocado velha para ter filhos, não? Não te podes dar ao luxo de perder esse emprego. Devias sair mais, divertir-te. Estás com um ar cansado, devias usar maquilhagem. Vais a algum lado, assim toda produzida? Ganhaste uns quilinhos nas férias não foi? Estás demasiado magra, ficas com um ar abatido. Esses saltos devem ser muito desconfortáveis. Andas sempre de ténis. Compras demasiada roupa. Queres ir ao shopping arejar a carteira? Só comes saladas, que seca. Vais comer esse bolo, isso deve ter imensas calorias. Não vais viajar? Estás sempre de férias... (continuem vocês)                                                                                                                                                                                                                                  "
Há pessoas que têm infinitamente mais jeito que eu para resumir temas sérios em meia dúzia de palavras certas. Postado, originalmente, pela São João, no seu A Febre dos Fenos. (que é, na minha opinião, um dos blogs mais geniais da blogosfera)

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coisas que aposto que nunca vos aconteceram
segunda-feira, 22 de setembro de 2014 || 6:31 da tarde

Ando, desde o dia 15 de Setembro, carregada com chapéu de chuva. Como tinha lido que hoje não ia chover e o céu até estava limpo quando acordei, decidi sair de casa sem ele.  Se moram em Portugal, provavelmente já sabem que hoje é dia de temporal e que de um momento para o outro choveu tanto, que há por aí automóveis a ser arrastados pelas águas, estradas cortadas e catástrofes várias. Eu, que vi logo que não valia a pena esperar que a tempestade passasse e que não tinha forma de apanhar um taxi sem me molhar ainda mais, saí da faculdade e vim de autocarro e a pé. Quando cheguei ao café da minha mãe, estava completamente ensopada, desde os sapatos até às cuecas, toda eu escorria água. Por sorte a minha mãe tinha aqui uma muda de roupa para mim e um aquecedor pronto a aquecer-me. A coisa resolveu-se rapidamente e sem problemas. Vinte minutos depois, já eu estava em processo de secagem junto ao aquecedor, chegou um cliente dela, que vive aqui ao lado. Advogado administrativo, lindíssimo, homem de uma classe e educação invejáveis e muito simpático. Ouviu a minha mãe falar comigo sobre a molha que eu tinha apanhado uns minutos antes e foi logo a casa. Voltou com uma t-shirt, uma toalha e meias quentinhas e deixou-as cá ficar, mesmo depois de eu ter recusado e de lhe ter explicado que já tinha mudado de roupa e que rapidamente ia ficar seca. Eu sempre tive esperança de ter um homem destes a partilhar roupa comigo e não posso dizer que, noutras circunstâncias não adorasse acordar com a camisola de um homem giro, educado e bem sucedido vestida (era tão bom sinal!), mas, neste contexto, posso dizer que estou coradíssima e que só aceitei a roupa porque ele não me permitiu recusar a oferta. Eu tenho um dom para atrair este tipo de momentos constrangedores. Quando envolve homens, então, é certinho e direitinho. A modos que é isto, esta que vos escreve raras vezes fica sem palavras, mas hoje foi exactamente assim que ficou. 

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dos connects
domingo, 21 de setembro de 2014 || 5:55 da tarde

Cada família tem os seus amigos de longa data, com quem trocam favores ou através dos quais obtém benéficos mútuos. Há pessoas com muitos familiares ou amigos ligados à saúde que têm sempre consultas mais baratas, mais rápidas e com os melhores, há quem tenha amigos juizes e advogados e esteja sempre safo em matérias judiciais, há as famílias que são amigas que professores que são explicações aos filhos quando estes precisam, há pessoas que, pura e simplesmente, têm muitos amigos que, por sua vez, têm muitos contactos, o que resulta numa rede de pessoas sempre prontas a ajudar com qualquer complicação.


Na minha família, infelizmente, não temos nada disso. Temos sim, uma amiga que é dona de uma fábrica de sapatos (de designers portugueses) e que, periodicamente, nos dá sacos cheios com coisas que sobraram das colecções. Não estou a exagerar se vos disser que, nesta casa, moram, pelo menos, vinte pares de sapatos de salto alto brancos (colecções de noivas) e que chegámos a um ponto em que já temos mais saltos altos do que aqueles que poderíamos precisar de calçar nos próximos dez anos. Também recebemos sacos e sacos de botas, mas aí somos mais esquisitas e acabamos por dar a maioria. O mesmo acontece com sabrinas e, de vez em quando, também recebemos carregamentos de sandálias. Lembro-me que, a certa altura, a minha mãe andava com sessenta pares de sandálias na mala do carro, para fazer a triagem. Estamos perigosamente perto de não ter espaço para armazenar mais sapatos. Há que ser positivo, se tivermos complicações judiciais temos que pagar caro para as resolver e se precisarmos de uma consulta temos que escolher entre pagar o privado ou ficar dois anos em lista de espera, mas quando chegar a nossa vez vamos entrar no consultório com uns sapatos lindos e de boa qualidade. 

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coisas que descobri hoje
sexta-feira, 19 de setembro de 2014 || 8:06 da tarde

Descobri que, acordando às 7:10h, sou capaz de estar a sair de casa às 7:30h. Com banho tomado, cabelo penteado e roupa vestida. Não, não descobri isto da melhor maneira, nem tive um acordar suave e tranquilo. Depois apenas três horas de sono interrompido não estava nada à espera de me conseguir mexer, quanto mais de me despachar à velocidade da luz.

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quarta-feira, 17 de setembro de 2014 || 11:52 da tarde

O que mais me custa nas primeiras semanas de aulas (e em todas as outras) nem são as horas intermináveis a estudar ou sentada numa sala de aula, não são os dias inteiros fora de casa, nem o tempo perdido nos transportes públicos, não é o facto de ver menos alguns amigos, pois andamos todas mais ocupados, nem o ter que conciliar responsabilidades académicas, sociais e extra. O que mais me custa é mesmo chegar à noite e não poder ficar acordada até tarde, com aquela sensação de que a noite é minha e que posso relaxar, sem ter que pensar no dia seguinte ou em acordar cedo. É dessas noites sem compromisso que eu sinto mais falta durante grande parte do ano. 

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se um dia adaptarem a minha vida a filme quero poder escrever o guião
segunda-feira, 15 de setembro de 2014 || 8:30 da tarde

No final da aula de apresentação de uma das cadeiras, uma rapariga que eu não conhecia veio ter comigo e fazer-me perguntas sobre uma outra professora. Disse que me tinha achado inteligente, simpática e responsável e por isso queria saber as coisas por mim. Estranhei um bocadinho, porque eu não tinha aberto a boca durante a aula que tivemos juntas e até me tinha sentado no fundo da sala, mas como ela me pareceu simpática e interessante trocámos contactos e falámos um bocado. Teve uma vida brutal: fez o secundário nos EUA e trabalhou três Verões na China, como professora de inglês. Não tive tempo para fazer muitas perguntas, pois tinha outros compromissos e não podia ficar a falar mais com ela. 

Dez minutos depois, fui encontrar-me com uma amiga e a tal rapariga vem atrás dela. Ao que parece já se conheciam, por isso acabámos por ficar todas em grupo  a conversar. A rapariga que me tinha dito com todas as letras que era muito exigente consigo própria, muito responsável e muito ponderada, estava noiva de um chinês que tinha conhecido três meses antes...enquanto ainda andava a encontrar-se com outro. Uma história que parecia saída de um guião de filme, com o rapaz a ter um negócio próprio, mas tecnicamente não legal e episódios com a família dele que não cabem na cabeça de ninguém. Não é que, ao que parece, apesar de ser muito responsável em Portugal (palavras dela), na China bebe que se farta todas as noites, passa a vida envolvida com rapazes que mal conhece e que não tem interesse em conhecer, sai à noite e vai para o trabalho quase sem dormir e coisas do género? Em meia hora fiquei a saber que conheceu o rapaz e, na primeira noite, estavam tão bêbedos que iam mandando com a mota que o noivo dela estava a conduzir para uma espécie de ravina à beira da estrada. Uma semana depois estavam a viver juntos e, dois meses depois de se terem conhecido, estavam noivos e a família do rapaz até já começou a planear o casamento para daqui a dois anos, quando ela se licenciar. As coisas que ela me contou da vida familiar deles e os preconceitos que as famílias tradicionais chinesas têm foram, só por si, suficientes para me deixar os olhos em bico. A história até envolvia uma ex-namorada completamente psicopata.

 Não tenho absolutamente nada a ver com as decisões dos outros, mas achei irónico que ela fosse tão ponderada em certos aspectos e não impulsiva noutros e, apesar de tudo o que possa ter de certo ou de errado, a história de vida dela é absolutamente genial e digna de livro. Vou ter uma cadeira com ela em ambos os semestres, se no dia em que nos conhecemos eu já fiquei a saber isto tudo, não imagino as historias que vou ouvir até Junho. Tenho que admitir que até gostei da rapariga. 

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coisas que aposto que já vos aconteceram
sábado, 13 de setembro de 2014 || 4:22 da tarde

Há um ano e quatro meses fui passar um fim de semana com um grupo de amigos (enorme) da minha mãe e da minha tia, num hotel perto da praia (abençoados descontos de grupo). Nesse fim de semana reencontrei-me com dois rapazes (quatro anos mais novos que eu) que já conhecia desde criança, visto que os nossos pais sempre foram amigos. Levaram um amigo, que me apresentaram. O rapaz era asqueroso, fisicamente falando, e para ser sincera, não tinha grande coisa na cabeça, mas era bastante simpático e notava-se que tinha um bom coração. Tem uma história de vida desgraçada, a mãe morreu, o pai não quis saber dele, vive com os avós e passa dificuldades, enfim, uma tragédia super injusta. Às tantas combinamos ir todos dar uma volta depois de jantar. Esse rapaz ficou com o meu número para me mandar uma sms para descer quando eles estivessem prontos, visto que ambos os meus amigos eram de uma rede diferente. Correu tudo bem, o rapaz mandou-me a sms, nós descemos, demos uma volta com mais algum pessoal da nossa idade e ainda passei uns vinte minutos sozinha com eles, a recordar histórias antigas e a passear na praia. 

O fim de semana acabou e eu vim para casa mais do que feliz por, finalmente, voltar ao meu sossego. Neste ano e quatro meses, só vi os meus amigos duas ou três vezes e nem por uma vez vi o tal amigo deles. Até que ontem, enquanto jantava em casa de uma amiga, recebo uma sms de um número desconhecido a perguntar-me como é que eu estava. Não é que o raio do rapaz se lembro de esperar dezasseis meses para decidir que talvez não fosse má ideia tentar engatar-me por mensagens? Já tinha passado por algo parecido com um dos outros dois, mas como esse era muito mais novo na altura e sempre fomos amigos, não levei nada a mal e depois de lhe dizer que não estava interessada ficou tudo bem e as coisas voltaram à normalidade. No caso presente também não estou, obviamente, interessada. O problema é que apesar de ele ser muito mais novo que eu, de não nos conhecermos e de ele não ter capacidade intelectual para desenvolver uma conversa com pés e cabeça, sei que é um bom rapaz e que está farto de sofrer na vida, o que faz com que me custe ainda mais dizer-lhe que tem que se deixar de ideias e ir falar com raparigas da idade dele, porque eu não estou interessada. Eu vejo-me em cada uma...

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coisas que aposto que nunca aconteceram
sexta-feira, 12 de setembro de 2014 || 12:12 da tarde

Terça-feira fui comprar botas. Comprar calçado é algo tão normal que seria quase impossível eu ver-me envolvida num momento constrangedor qualquer, certo? Pois. Vi umas botas giras que só elas, pedi o meu número, corri o fecho e fui ver, ao espelho, como é que me ficavam. Gostei logo de as ver no meu pé e decidi que as ia levar. Quando olho para baixo para as tirar, vejo que o fecho estava estragado e não corria para baixo. Obviamente que não as conseguia tirar com o fecho todo apertado. Chamei o empregado da loja, que ainda ficou uns bons dois minutos ajoelhado aos meus pés a tentar puxa-lo para baixo. Tive que me sentar num banco com as pernas numa posição estranha e um pé no colo dele. Não estou a exagerar quando vos digo que o senhor esteve, pelo menos, cinco minutos com o meu pé no colo, a puxar pelo fecho das botas e a transpirar. Entretanto ia fazendo umas piadas, dizia que me ia vender com a bota, que se não conseguisse tirar-ma eu tinha me casar com ele e que se lhe tivessem dito que ia ter raparigas quase ao colo, tinha concorrido para aquele emprego muito antes. Eu não sei se estava mais envergonhada ou bem-disposta. Finalmente, depois de muito puxão, conseguiu abrir a bota até meio e passou mais dois minutos a puxar e repuxar, para ver se ela saltava fora do meu pé. E, ao fim de dez penosos minutos presa dentro daquela bota, lá consegui ver-me livre dela. Foi a bota para um lado, o meu pé para outro e o homem para outro. Com esta história toda, o único par que era do meu número ficou estragado e agora tenho que esperar que a nova encomenda chegue. Eu realmente devia adoptar um trevo de quatro folhas como brasão de família, tal é a minha sorte. 

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Ao bom velho estilo português
quarta-feira, 10 de setembro de 2014 || 12:56 da tarde

Ontem combinei com umas amigas irmos ao Jardim da Estrela assistir à ante-estreia de um filme, uma actividade inserida numa série de eventos de cinema ao ar livre no Jardim, que decorrem durante esta semana. Sendo um filme com um actor relativamente conhecido nos meios de adolescentes e jovens adultos, uma ante-estreia, uma sessão de cinema grátis e uma actividade ao ar livre, o Jardim da Estrela estava completamente a abarrotar. Como, infelizmente, um dos elementos do grupo se viu numa série de situações desagradáveis, chegamos em cima da hora e não com a hora de antecedência que tínhamos planeado. Claro que já não apanhamos lugares sentados e ficamos de pé, encostadas a uma árvore e relativamente longe do ecrã, apesar de se ver suficientemente bem. Estava previsto que o filme começasse às nove, mas estando em Portugal e sabendo que ainda havia gente a chegar, não estranhei quando olhei para o telemóvel e vi que já passava quinze minutos da hora prevista. Pois que às 21:20h a organização avisou as pessoas que, devido a uma falha técnica, o filme não poderia ser transmitido e que, para remediar a situação, iriam passar um outro filme que nada tinha a ver com o primeiro. Claro que pediram mil desculpas e remediaram a situação o melhor que puderam, mas eu fiquei a pensar para comigo que se podem passar um filme e não outro, o problema não será do equipamento, mas do filme que tencionavam passar...e não sendo uma avaria de última hora no equipamento de reprodução visual e audio, não era suposto já terem experimentado o filme antes, precisamente para ter a certeza que não acontecia nada deste género? Lá se foi a estreia mundial.


O que mais me impressionou nem sequer foi o filme ser cancelado assim, sem mais nem menos. O mais escandaloso no meio de toda a situação foi ver que a reacção imediata das pessoas incluíu bater palmas, rir, encolher os ombros e ir embora sem grandes protestos ou indignações, porque em Portugal estamos tão habituados a passar por situações destas que já nem nos espantamos o suficiente para ficar furiosos. É tão habitual que nos enfiem o barrete que, pelo menos pela parte que me toca, já nem esperamos outra coisa. E isso é muito, muito triste. 

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quem nasceu para lagartixa nunca chega a jacaré
segunda-feira, 8 de setembro de 2014 || 12:49 da tarde

Há uns dias, durante a madrugada, a minha tia foi ao meu quarto buscar o secador de cabelo. Como estou de férias, ainda estava a dormir, por isso ela tentou fazer o menor ruído possível para não me acordar. Às tantas, claro que a coisa correu mal e ela mandou qualquer coisa ao chão. Quando me viu virar e abrir ligeiramente um olho, decidiu que eu já estava suficientemente acordada e disse-me "Bom dia. Dá cá um beijinho, que eu vou sair para o trabalho daqui a cinco minutos". Eu, que aparentemente estava acordada mas na realidade estava era a dormir de olhos abertos, fiz-lhe má cara e respondi: "Cai fora, cachorra!", com sotaque brasileiro e tudo. Claro que ela e a minha mãe estão fartas de se rir de mim, mas eu juro que não me lembro de nada disto.

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somos todos um bocadinho preconceituosos.
domingo, 7 de setembro de 2014 || 1:05 da tarde

Fui a Massamá, ao fim do dia, e pus-me a olhar à minha volta, com algum receio de ser assaltada, tal era o aspecto das pessoas que se iam cruzando comigo.  A ironia? Passo em Chelas com muita frequência, relaciono-me com todo o tipo de pessoas que moram perto da minha casa (algumas perfeitamente "normais", outras com um aspecto que, à partida, seria duvidoso) e nunca me lembrei de ter medo de passar a pé ou de autocarro em Chelas nem de me sentir receosa junto a pessoas que têm um estilo exactamente igual ao das que se cruzaram comigo em Massamá. Conhecer as pessoas e o espírito do local muda tanto a forma como olhamos para quem se cruza connosco. 

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combinações improváveis
sexta-feira, 5 de setembro de 2014 || 7:00 da tarde

Nunca pensei que Taylor Swift combinasse tão bem com Itália. Apesar de ser uma cantora de quem gosto moderadamente, não a oiço com muita frequência. Porém, assim que dei por mim em Itália, só conseguia ouvir todas as músicas dela que tinha no mp3 e quando estas chegavam ao fim, tinha que recomeçar a partir do inicio da lista, nem sequer era capaz de ouvir outro interprete qualquer. Não sei se é por a associar a um ambiente medieval, mas posso dizer com toda a certeza que as (já) belas cidades italianas se tornaram ainda mais bonitas com a Taylor nos meus ouvidos. 

[pê, ouve a Red, toda ela é metáforas]

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crónicas de um café
quarta-feira, 3 de setembro de 2014 || 10:52 da tarde

O cliente mais querido, educado e simpático da minha mãe está a passar por um momento complicado. Está na casa dos 60s e anda, há já um ano, a fazer quimioterapia sem ver resultados suficientemente positivos para se sentir animado com o rumo que a sua saúde leva. Vem cá todos os dias, ora sozinho, ora com amigos aqui da zona, ora com a mulher, ora com os netos. Hoje, já não me recordo a propósito de quê, puxou a manga da camisa para cima e eu tive que fazer um esforço para não abrir a boca de espanto. O homem mais baixo, mais calado, mais educado, mais simpático, mais fragilizado fisicamente e mais tudo que frequenta este café tem a tatuagem mais badass (do tempo da guerra colonial) que eu já vi. É por estas pequenas surpresas que eu adoro pessoas. É por pessoas assim que eu ainda gosto de vir ter com a minha mãe ao café.


(se eu não aproveitar estas pessoas para, um dia, escrever um livro, só posso ser muito parva

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wake me up when september ends
segunda-feira, 1 de setembro de 2014 || 4:18 da tarde

Já sei que toda a gente adora Setembro e os recomeços, o pensar na vida, a rotina e os casacos de malha. Eu detesto Setembro. É o meu mês da ansiedade, da tristeza e do regresso de tudo o que me faz infeliz: o frio, a falta de tempo, o acordar cedo, os dias preenchidos, os stresses, os recomeços e as responsabilidades. Por norma, costuma ser um mês muito longo, com dias que se arrastam e pesam como semanas, responsabilidades mil todas atiradas para cima de mim ao mesmo tempo e quatro semanas que mais parecem quatro meses. Mas Setembro acaba e trás consigo Outubro e uma maior serenidade e habituação à rotina. Aproveitem Setembro e todas as coisas positivas que associam a este mês porque eu vou esperar pacientemente por Outubro. 


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