Write loud and clear about what hurts

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Se conseguisse descrever-me em poucas palavras não tinha criado um blog. Desde 2009 a escrever sobre pedaços aleatórios de vida e histórias mirabolantes. Para questões, sugestões ou dúvidas existenciais, ana_bmd@sapo.pt




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quotidiano
terça-feira, 29 de abril de 2014 || 7:15 da tarde

A única coisa que me espanta mais (pela negativa) do que a má organização dos serviços e burocracias portuguesas é aquele tipo de pessoas que ainda fica muito surpreendido quando chega às finanças, à loja do cidadão ou a qualquer repartição e fica muito surpreendido por ter 300 pessoas à sua frente. A sério? Até parece que não é o mesmo filme sempre que é preciso tratar de um papel qualquer, não entendo como é que ao fim de vinte ou trinta anos a passar secas de horas nas filas para resolver assuntos legais e burocráticos ainda há gente que pensa que daquela vez se calhar não vai ter que perder quatro horas enfiada naquelas salas claustrofóbicas ao lado de pessoas que cheiram mal. É que depois de tanto tempo à espera da minha vez fico irritada o suficiente para me ser difícil não revirar os olhos quando vejo uma reacção de surpresa pura, como se fosse o nosso primeiro dia a brincar ao mundo dos serviços em Portugal. 

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noções de liberdade
sexta-feira, 25 de abril de 2014 || 9:19 da tarde

O meu avô, comunista acérrimo, vive este dia com uma intensidade admirável. Passa metade do tempo a relembrar a miséria do tempo do Estado Novo e os anos a seguir ao 25 de Abril e a outra metade a gritar impropérios para a televisão sempre que esta transmite os discursos dos políticos actuais. Hoje, para celebrar a data, abriu a porta da gaiola do canário e deixou-o esvoaçar pela cozinha durante toda a tarde porque segundo ele a liberdade é um privilégio que todos deviam ter.

O gesto foi super bonito e eu até me comovi. Podia era ter-me avisado que o canário estava solto antes de eu entrar na cozinha de rompante e quase levar com ele na cabeça. Acho que me assustei mais que o pássaro.

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oh, as pérolas de um café de bairro
quinta-feira, 24 de abril de 2014 || 2:02 da tarde

Nem sei se vos fale primeiro do homem que bebe quase uma garrafa de whisky por dia e trabalha nas obras mas insiste que tem um doutoramento (não tem, eu confirmei, não estava só a ser preconceituosa) ou dos 575 clientes que todos os dias insistem em perguntar-me coisas sobre aquele período  nada agradável em que o meu pai estava a morrer...com um cliente que também está a lutar contra um cancro ao nosso lado. Se calhar não vos falo de nenhum deles e aproveito para vos dizer que os taxistas que frequentam este estabelecimento têm alcunhas tão prazenteiras como "cheira a merda", "patolas", "moda antiga" ou "espanta gado". Estes, por sua vez, convivem com uma senhora que é defensora acérrima do PDS e vive dos rendimentos que o seu património imobiliário lhe dá e com um trio de velhotas coscuvilheiras que todos os dias falam da situação das praxes do meco. À macacada juntam-se um carpinteiro que todos os anos pede à minha mãe para fugir numa aventura romântica com ele (e não, não está a brincar).Percebem agora porque é que eu não consigo ser muito normal? 

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problemas de cama
segunda-feira, 21 de abril de 2014 || 9:53 da tarde

Sempre dormi mal em alturas de stress. Quando era mais nova e tinha aulas cedo no dia seguinte, adormecer era uma tortura e, invariavelmente, acabava por passar horas às voltas na cama, enervar-me por não adormecer e saber que ia estar cansada no dia seguinte e ficava ainda mais tensa, o que funcionava como uma bola de neve. Continuava a conseguir fazer tudo e a ter boas notas, mas lembro-me que chegava a ter noites de seis horas de sono quando poderia facilmente ter dormido oito ou nove. À medida que cresci essa ansiedade diminuiu um bocadinho e hoje em dia já não sofro horrores na hora de adormecer. Ainda assim, se não estiver se férias ou tiver que acordar muito cedo tenho um sono leve, acordo com qualquer barulho e não descanso tanto como devia. O facto de ter um vizinho do lado maluco que decide martelar bifes e peças de bicicleta às duas da manhã e uma vizinha de cima que se põe a coser à máquina às onze da noite não ajuda muito.  Pensava que isto não fosse tão comum como é, que era a única ave rara a quem o stress afectava a capacidade de descansar. Aparentemente todos os meus amigos próximos andam com dificuldades em adormecer, ora passam noites acordados a distraír-se, ora acordam três vezes por noite, ou estão deprimidos e choram noites inteiras, ora os animais os acordam...andam pior que eu, o que faz com que quando nos encontramos estejamos todos meios zombies. Às vezes não sei se dá mais pena ou vontade de rir. 


Claro que comecei esta semana da melhor forma, dormindo apenas cinco horas de domingo para segunda. *suspirodedor*

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macacadas
sábado, 19 de abril de 2014 || 5:26 da tarde

Desde que vi um programa que mostrava como os humanos ainda se comportam como chimpanzés nunca mais fui a mesma. Estão a ver aqueles documentários que, apesar de muito interessantes, só vemos à noite, enquanto esperamos que o sono venha? Foi um desses documentários, lembro-me perfeitamente que já passava da uma da manhã de um Sábado e eu a ver um programa que nos compara a Chimpanzés. A forma como os homens se comportam em grupo e como se processa o flirt e o romance é particularmente semelhante. As posições que assumimos quando falamos com alguém do sexo oposto chegam a ser exactamente iguais. Gestos que fazemos com as mãos e expressões faciais incluídas. Acho que nunca mais vou ser capaz de olhar para certas situações e não comparar os intervenientes com chipanzés. Na semana passada, por exemplo, vi um grupo de homens num bar. Quando entrou uma mulher bonita e se sentou na mesa ao lado a dinâmica entre eles mudou completamente, sendo que dois deles assumiram imediatamente a liderança e começaram, literalmente, a competir pela atenção dela. Não fui capaz de não me rir, comportaram-se de forma exactamente igual aos homens e primatas testados para o tal documentário. Meu Deus, acho que estou a dar em louca. 

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Das coisas que aprendi nos momentos maus
quarta-feira, 16 de abril de 2014 || 2:19 da tarde

Sempre que alguém desabafa comigo, uma das primeiras coisas que tento fazer é assegurar à pessoa que tem todo o direito de se sentir mal. Que não precisa de se sentir culpada por não estar sempre radiante, que tem o direito de não querer sorrir e de passar por períodos de luto e de tristeza. Que temos sempre o direito de dizer não e que, mesmo que os outros nos digam "não penses assim" ou "não sejas parvo" temos toda a legitimidade de sentir o que quer que estejamos a sentir. Principalmente, que é normal e saudável não pensar constantemente nos outros, há alturas em que temos que pensar só no nosso bem estar, sob a pena de darmos em doidos. Acho que a maioria das pessoas tenta diminuir e menosprezar os sofrimentos dos outros, com boas intenções claro, mas sei por experiência própria que isso é errado, que a maioria das pessoas já se sente culpada o suficiente e que o que mais precisam é de saber que têm o direito de se sentir mal e de passar por todas as fases e todas as emoções pelas quais estão a passar, porque é normal e legítimo não estar bem. Mais do que isso, é um direito que todos temos. Não quero, com isto, dizer que nos devemos agarrar à tristeza, mas às vezes para seguir em frente é necessário aceitar e viver a tristeza durante uns dias ou umas semanas sem sentir que estamos a ser egoístas ou que os nossos sentimentos não são válidos. 

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filosofias das oito da manhã
domingo, 13 de abril de 2014 || 2:35 da tarde

Há uns dias ia no metro, hora de ponta, caras mal-humoradas com o inicio de mais um dia de trabalho. Ao meu lado sentou-se um rapaz praí com 30 anos, completamente tatuado, um piercing no sobrolho e outro do lábio, claramente orgulhoso por se destacar da massa de gente que vai no metro todas as manhãs, orgulhoso do seu estilo original, das suas crenças originais. À (nossa) minha frente um homem na casa dos cinquenta, aparência completamente normal, cabelo a começar a ficar grisalho, fato completo e pasta na mão, aparentemente com uma boa carreira. O tipo de homem que tem uma vida banal, enquadra-se na sociedade capitalista, provavelmente tem a sua família normal, vai de férias para locais absolutamente normais, aborrece-se com coisas normais e compreensíveis, passa o dia a tentar ser sensato e a esforçar-se por ser feliz tendo em conta as circunstâncias a que sabe que não pode fugir. Claro que as aparências enganam e que o valor das pessoas não se mede pelo seu aspecto. Mas quem se veste e comporta de forma normal costuma ter orgulho na normalidade, no facto de se integrar, e quem tem um estilo mais alternativo costuma ter orgulho nessa diferença. Não há nada de errado com nenhuma das opções. 

E ali ia eu, demasiado filosófica para quem tinha acordado às oito da manhã,a pensar que estes dois homens que quis o acaso que se sentassem ao pé de mim personificam os maiores medos de 90% das pessoas. Se pensarmos bem, o mundo divide-se entre aqueles que morrem de medo de nunca se conseguirem integrar e de, por mais que se esforcem, não conseguirem chegar ao reconhecimento social, ao conforto material e à convivência pacifica com a sociedade e os ideais que os rodeiam. 45% das pessoas morre de medo de ser diferente para sempre, de ser olhado de lado ou com desprezo nos transportes. Os outros 45% morrem de medo de se deixarem formatar pela vida e acabarem com cinquenta anos, cabelo grisalho, fato, gravata e pasta, carreira aborrecida e monótona e uma vida rotineira e sem grandes aventuras, sem nada que marque a diferença. Morrem de medo de um dia perderem a originalidade que lhes vale olhares de desconhecidos no metro. E é curioso que seja assim, que a maior ambição de uns seja o mais medo dos outros. 

Eu? Tendo que escolher gostaria de ser o senhor de cinquenta anos, normalíssimo e provavelmente endinheirado, porque sei que mesmo as pessoas mais normais costumam ter qualquer coisa especial dentro de si, só não o mostram a toda a gente. "E o que é que temem os 10% que faltam?", perguntam-me vocês. "Olha, não faço ideia" respondo eu, "mas deduzir que as pessoas só temem uma coisa ou outra pareceu-me muito redutor e quis que houvesse uma terceira opção".

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Coisas que aposto que nunca vos aconteceram
quinta-feira, 10 de abril de 2014 || 2:57 da tarde

Irem a um espaço que mistura concertos, exposições, bares, espectáculos e eventos culturais variados. Entrarem numa das salas e terem que assistir a uma actuação de stand-up comedy enquanto esperam que a banda que foram ver possa entrar em palco. Sala intimista, poucas pessoas, ambiente aparentemente muito descontraído. Terem que passar meia hora a levar com um comediante tão mau que pensa que stand-up consiste em insultar toda a gente presente na sala, deixando as pessoas constrangidas ao ponto de seis ou sete membros da audiência terem saído incomodadas ou em protesto. Para mal dos vossos pecados, serem obrigados que levar com o gajo a cantar uma música típica de danças de strip enquanto insiste que tirem o casaco e se vão sentar num lugar na parte da frente da sala. Recusarem, corados, e terem quarenta pessoas olham para vocês com expectativa. O comediante perceber que convosco não vai longe e voltar a aborrecer a pessoa com quem tinha estado a fazer piadas até essa altura. Uma das familiares da banda desatinar com o comediante e dizer-lhe para se despachar, que está a atrasar a banda. O comediante recusar-se a despachar-se. A mesma familiar sacar de um apito e impossibilitar o resto da actuação. Toda a gente a rir, incluindo vocês. Acabarem a noite na frente da sala, junto ao palco, a dançar ao lado dos amigos e família da banda e a acreditarem piamente no karma/lei do Retorno. 

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Sim, estou a fazer um post igual ao das outras pessoas todas
domingo, 6 de abril de 2014 || 8:45 da tarde

Quem me conhece sabe que sou fascinada pela inteligência. Quando aliada a poder social o meu interesse aumenta exponencialmente. Gosto de estar perto de pessoas muito sábias e com um poder de assimilação muito grande, não porque ache que esteja ao nível delas, mas porque gosto de aprender com os melhores. Gosto, especialmente, de pessoas que conseguem aliar a inteligência e o poder social ao sucesso profissional e estabilidade emocional. Está mais que provado que o QI é só um dos factores responsáveis pelo sucesso, por isso gosto de analisar estas pessoas, os seus percursos de vida, os seus métodos e as suas opiniões e tentar compreender o que é que as faz destacar-se tanto. É raro encontrar uma pessoa assim, que me fascine verdadeiramente e cujo intelecto eu admire muito. 

Manuel Forjaz é uma dessas pessoas. Descobri-o há pouco tempo e por mero acaso. Desde o percurso pessoal e profissional (com uma fase de rebeldia enorme, como quase todas as pessoas extremamente inteligentes) até à forma como ele encara a vida, a doença e a família, tudo nele me fascinou. Manuel Forjaz morreu hoje e Portugal ficou tão mais vazio sem ele.  Viajou pelo mundo, tem um casamento estável, foi empresário e gestor de topo, trabalhou em televisão e rádio e deu palestras. Chegou a ter a sua própria empresa, correu mal, ficou sem nada, começou tudo do zero. Criou dois filhos que aparentemente adoram o pai. Estamos a falar de um homem com um cancro em fase terminal que continuou a dar aulas, fazer programas e conferências semanais, viajar e ter vida social enquanto fazia quimio e operações um pouco por toda a Europa. A força necessária para resistir ao cansaço, às dores e ao abatimento normais neste tipo de situação é muito mais mental do que física, e por isso, muito mais rara e brilhante.

Acho que pessoas destas, que sobem na vida por si próprias, são brilhantes e que não só aguentam as adversidades como as usam como forma de aprender e melhorar merecem sempre ser divulgadas, mesmo quando já é tarde demais para saborearem esse reconhecimento em vida. Os lutadores merecem sempre reconhecimento. Quem for, como eu, fascinado por pessoas brilhantes, tem aqui uma entrevista dele, em link 

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Então, Anaa, o que é que fizeste ontem?
sábado, 5 de abril de 2014 || 2:58 da tarde

Fui mal-tratada e ligeiramente humilhada por uma pessoa a quem não pude responder à letra porque, se o fizesse, sairia ainda mais prejudicada (um dia hei-de fazer um post sobre os diferentes montes de merda com quem tenho que lidar). Fiquei frustrada não por me terem falado mal, mas porque não pude responder e calar a pessoa em questão, que foi rude e arrogante. Respirei fundo e vim para casa, ainda fula. Um homem decrépito, nos 60s, teve a ousadia de gritar que me comia toda, em plena rua, a 2 metros de mim. Dei-lhe um pontapé com tanta força que ele caiu para o lado e não se atreveu a repetir a piada (em defesa dele devo dizer que o homem já estava sentado, foi só deixar cair a outra metade do corpo até ao chão, mas juro que o meu olhar estava ameaçador!). Virei as costas a fui-me embora cheia de vergonha, por ter dado um pontapé (merecido) a uma pessoa quando a minha raiva era direccionada a outra. Contei à minha mãe e ela não só ficou orgulhosa por eu ter agredido fisicamente um homem que me objectificou e desrespeitou* como se ofereceu para ir ameaçar a pessoa A) e lhe pregar um susto de morte. Recuperei o meu bom senso e declinei a oferta. Mais um dia perfeitamente banal na minha vida, portanto. 

Já posso hibernar até 2015 ou....?


*Lembram-se do meu post do dia da mulher? Podem encontra-lo neste link. É por situações como esta acontecerem todos os dias que precisamos que exista feminismo. Se bem que o homem de hoje teve azar...é capaz de pensar duas vezes antes de mandar uma boca ordinária a uma chavala nova, pelo menos durante os próximos dias. 


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pérolas do básico: o salame
quinta-feira, 3 de abril de 2014 || 1:48 da tarde

Depois da história de como o Raul caiu na lama acho que, para o bom funcionamento deste blog, é indispensável que eu vos conte uma outra história quase tão épica e deturpada como a do Raul. 

No final do nono ano, estava eu a passear pela escola com a minha melhor amiga, quando um dos nossos colegas decide correr na direcção dela e fazer-lhe uma placagem de tal forma violenta que não só a mandou ao chão como lhe rasgou as calças nos joelhos. O resto da turma estava por perto e veio logo ter connosco. Em dois segundos estavam todos à volta dela, tentando impedi-la de ir bater ao rapaz. No meio de tanta confusão, eu nem conseguia chegar perto dela, pelo que apanhei do chão  o salame que ela estava a comer (porque conforme ela voou largou o bolo, como é óbvio), vi que não estava sujo e fiquei a segura-lo para lho dar quando acabasse o tumulto. Mas a coisa demorou, os ânimos estavam muito exaltados, com uns a gritar a favor do rapaz, outros a gritar a favor dela e outros, como eu, a rir da situação ridícula que ali se tinha formado. A certa altura dei uma dentada no salame, aquilo era como estar no cinema sem pipocas. Dei a tal dentada e guardei o bolo na minha mochila. (Andei com ele durante dois dias, pois sempre que eu lhe perguntava se queria o bolo ela dizia para eu lho dar mais tarde. O bolo estragou-se na minha mala e tive que o deitar fora.) Quando a confusão passou aproximei-me dela, mandei o rapaz à merda e levei-a para casa comigo, temendo que ela entrasse em auto-combustão de tão fula que estava. Ainda lhe pus betadine no joelho e fiquei a tarde inteira com ela. 

Eu juro que fui boa amiga, mas se perguntarem a qualquer um dos meus colegas o que é que eu fiz nessa situação, eles não se vão lembrar de mim a acalmar os ânimos, a mandar o rapaz à merda e a virar costas com a minha melhor amiga. A única coisa que eles vos vão dizer é que juram que me viram comer o salame todo enquanto a minha melhor amiga estava no chão a gritar. de dor. Agora digam-me sinceramente, eu mereço estes boatos? :P

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LOL, literalmente
terça-feira, 1 de abril de 2014 || 6:11 da tarde

Há uns dias uma amiga muito próxima contou-me uma novidade sobre a vida dela. Não está grávida nem vai casar, mas era uma novidade feliz e importante para ela, uma novidade que envolvia uma situação algo delicada e com contornos pouco convencionais. Depois de pestanejar e demorar dois segundos a assimilar a informação olhei para baixo e vi, no telemóvel dela, uma prova de que o que ela me estava a contar era mesmo verdade e não uma partida. Perguntei-lhe mais uma vez se estava a falar a sério e ela disse-me que sim. Duas pessoas normais ter-se-iam abraçado e a coisa acabava com um "parabéns, estou muito feliz por ti". Eu ainda tentei ter uma reacção normal, mas já vos expliquei que em situações constrangedoras ou imprevistas tenho tendência a rir-me. Olhei para ela durante mais dois segundos, muito séria e depois largamos as duas a rir às gargalhadas durante imenso tempo. Gargalhadas histéricas. Eu com os olhos muito arregalados e toda a gente à nossa volta a olhar para nós com ar de "lá estão elas outra vez". Eu tentei reagir normalmente mas não deu mesmo. 

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