Write loud and clear about what hurts

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Se conseguisse descrever-me em poucas palavras não tinha criado um blog. Desde 2009 a escrever sobre pedaços aleatórios de vida e histórias mirabolantes. Para questões, sugestões ou dúvidas existenciais, ana_bmd@sapo.pt




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“Home is Where the ♥ is”
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coisas que aposto que nunca vos aconteceram
terça-feira, 28 de janeiro de 2014 || 2:50 da tarde

O pai de uma das minhas amigas comprou um terreno numa floresta, na Escócia. Aparentemente isto faz dele um lord e da minha amiga uma lady, por extensão. Aparentemente estes títulos podem ser incluídos nos documentos de identificação de cada um dos membros da família. Só sei duas coisas. Uma delas é que sempre sonhei ter amigos assim tão interessantes (porque, let's face it, quem é que compra um terreno na Escócia e se torna lord) e a outra é que provavelmente uma situação destas nunca mais vai voltar a acontecer a alguém que eu conheça. Ainda não sei como é que hei-de lidar com o facto de ter uma amiga Lady e de me terem oferecido alojamento grátis no meio de uma reserva natural no Norte da Escócia.  

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nem sei que título devo dar a isto
sábado, 25 de janeiro de 2014 || 10:34 da tarde

Uma das coisas mais complicadas para mim é não me comprar com os outros. Viver a minha vida sem precisar de recorrer a um termo de comparação. Medir a minha vida e os meus sucessos ou insucessos numa escala interna e por si mesmos e não por comparação aos sucessos ou insucessos dos outros. Felizmente nunca tive inveja do sucesso alheio, mas ainda não consigo evitar comparar-me aos outros subconscientemente (a x é mais gira que eu, o y vai acabar os estudos antes de mim, a w já trabalha e é mais independente que eu, etc) o que acaba sempre comigo a sentir-me mal. Se eu fosse pessoa de fazer resoluções de ano novo colocava esta bem lá no topo, isto de lutar contra o nosso subconsciente é complicado. 

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então e quando o Raul caiu na lama?!
quarta-feira, 22 de janeiro de 2014 || 10:40 da manhã

Não acredito que em cinco anos de blog nunca falei sobre isto. A história do dia em que o Raul caiu na lama é uma espécie de private joke que eu partilho com todos os meus amigos, mesmo aqueles que não conhecem o Raul. Claro que tem muito mais piada quando estou com o meu grupo de melhores amigos, que testemunharam o momento comigo, e um de nós quebra o silêncio com um "então e aquela vez em que o Raul caiu na lama?"e desatamos todos a rir, Raul incluído. 

Quando andávamos todos no nono ano (sim, eu conheço os meus melhores amigos desde sempre) os rapazes desenvolveram a mania de jogar à apanhada sempre que podiam. Na verdade os nossos jogos eram tão contagiosos que lembro-me que chegámos a ter 3/4 da escola a jogar connosco. Num dos dias em que os meus colegas estavam a jogar à apanhada pela escola (e não estamos a falar de um jogo normal, mas sim de uma versão hardcore) a escola estava cheia de poças de chuva e de lama porque estávamos em pleno Inverno e tinha chovido imenso. Estava eu sentada, a conversar com a minha melhor amiga sobre um dos rapazes por ela julgava que estava perdida de amores, quando um dos momentos mais épicos da nossa amizade se deu. Durante esse intervalo fartamo-nos de ver os nossos colegas passar a correr, mas claro que nem ligámos, de tão habituadas que estavamos. Às tantas vemos o nosso melhor amigo a correr na nossa direcção (sim, temos o mesmo melhor amigo) e a gritar "O RAUL CAIU NA LAMA E AGORA ESTÁ NO BALNEÁRIO DOS RAPAZES COM O CARLOS". Nós olhámos uma para a outra e fomos logo a correr para a porta do balneário, onde já estava reunida o resto da turma e os amigos mais próximos da nossa turma e onde os nossos colegas que viram o Raul cair procederam a uma descrição muito detalhada de como ainda se podia ver a mossa na lama, de como ele fez "ploc", de como o corpo dele rebolou e deslizou pelo chão, etc.

Mas esta não é a parte da história que tornou o momento épico. O meu melhor amigo tinha ido a correr avisar o Carlos, o nosso funcionários favorito e super boa onda e quando eu e a A. chegámos lá, o que nos disseram foi que o Carlos estava lá dentro a dar banho ao Raul. Agora, estão a imaginar um grupo de miúdos de 14 anos a imaginar o nosso colega dentro do chuveiro, despido, com um dos funcionários...a história correu a escola inteira, durante uma semana não se falava de outra coisa, até os professores se riam e faziam piadas sobre correr e cair na lama. A história foi tão adulterada que dois dias depois eu passei por dois rapazes do sétimo ano (a nossa turma era popular, em parte por sermos parvos, em parte por sermos finalistas) a dizer um para o outro "ouvi dizer que o Carlos violou o Raul. Apanhou-o de costas e..." Uns dias depois falei com o Raul, que por acaso além de meu colega no básico é também um dos meus melhores amigos, e ele contou-me que a única coisa que aconteceu dentro daquele balneário foi o Carlos ir buscar um pano, molha-lo e dá-lo ao Raul para ele limpar a lama das calças.

A história começou como "o Raul caiu na lama", mudou para "o Carlos está a dar banho ao Raul" e terminou como "o Raul foi violado pelo Carlos no balneário e gostou". E ainda hoje, cinco anos passados, é inevitável falar no assunto quando nos juntamos. 

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home is where the hotties are
domingo, 19 de janeiro de 2014 || 7:27 da tarde




Jared Leto, dos 30 Seconds to Mars. Ao contrário da maioria das pessoas, não acho o Jared sempre bonito. Achei que ele estava perfeito na altura destas fotos, mas de vez em quando arranja looks que não lembram a ninguém. O que mais me atraí no Jared, para além da inteligência com que se vai guiando pela vida e escrevendo as letras maravilhosas que a banda interpreta, é a sua intensidade. Nunca vi os 30STM ao vivo, porque só comecei a gostar da banda há uns meses [para ser mais precisa, no dia em que eles deram o último concerto aqui em Portugal], mas acho que o Jared é daquelas pessoas com uma energia e uma autoridade tão fortes que consegue, facilmente, levar as pessoas a fazer aquilo que ele as mandar. E isso é muito raro e extremamente fascinante. 

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dramas de primeiro mundo
sábado, 18 de janeiro de 2014 || 12:04 da tarde

Já disse aqui, há pouco tempo, que se há coisa que me tira do sério é ouvir estranhos a meter-se na minha vida. Ultimamente tenho passado muito tempo no café da minha mãe, só vou para casa à noite, o que faz com que certos clientes tenham a falsa sensação de que me conhecem. A palavra chave aqui é"falsa" porque, de facto, não só não me conhecem como não consigo admitir que opinem sobre a minha vida. Ainda ontem, estava eu no computador a acabar de estudar para uma frequência e a minha mãe a fazer o almoço quando entra um cliente e me pergunta porque é que não sou eu a fazer o almoço. Uns dias antes já me tinha pressionado para ir tirar a carta para ser mais independente. Qual é a necessidade destes comentários? Dizer que eu não sou independente? Que faço da minha mãe minha criada? Por acaso não acho que faça, mas e se fizesse, isso fazia do assunto uma matéria aberta a discussão pública? Foram pessoas assim, a fazer comentários deste género a toda a hora que fizeram com que eu deixasse de falar da minha vida com pessoas que não pertencem ao meu círculo mais íntimo. Eu sei que todos temos telhados de vidro, mas olhando para trás e analisando os meus comportamentos acredito mesmo que não tenho nem nunca tive lata para fazer este tipo de reparos a pessoas que não conheço bem. Não consigo entender esta necessidade de mandar uma posta de pescada que a maioria das pessoas parece ter adquirido. Para onde é que foi o senso comum das pessoas que vêm a este café?!

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medidas drásticas!
quinta-feira, 16 de janeiro de 2014 || 2:55 da tarde

Tenho uma amiga que fez 21 anos esta semana. Contaram-me que ela se sentia deprimida por já ter vinte e um anos (o tempo passa depressa) e que sentia que qualquer dia abria os olhos, tinha trinta anos e não tinha construído nada. O resto do grupo decidiu organizar-lhe uma festa surpresa para a animar e a lembrar que a adoramos e eu lá fui, apesar de regra-geral odiar festas surpresa (porque 1. as pessoas assustam-se 2. é um bocado animalesco gritar parabéns para a cara de uma pessoa 3. corremos o risco de a pessoa surpreendida detestar 4. corremos o risco de esperar horas e horas pela pessoa em questão e não lhe podemos dizer para se despachar). E correu super bem, felizmente. 

Não sei muito bem como é que a coisa se descontrolou, mas a certa altura estavam oito pessoas encolhidas numa varanda, tapadas por tapetes e cortinas, a segurar balões com mensagens ofensivas e a desesperar por a situação já se prolongar há vinte minutos. A convidada atrasou-se uma hora e nós tivemos que nos entreter a escrever nos balões e a prometer insulta-la quando ela chegasse. Acabamos a festa a jogar ao telefone estragado...porque não podíamos jogar ao quarto escuro. Porque, convenhamos, depois de uma tarde a jogar este tipo de jogos e a rir mais do que quando tínhamos todos dez ou onze anos, não sei quem é que é capaz de se sentir velho. 

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segunda-feira, 13 de janeiro de 2014 || 7:22 da tarde

Não é por ser português, é por ser o melhor. Não podia estar mais feliz pelo sucesso e reconhecimento dele. Desta vez merecia mesmo e vê-lo emocionado, no palco, com a Irina a olhá-lo com um ar super enternecido, a mãe desfeita em lágrimas e o filho ao lado dele comoveu-me mesmo. Pelo sucesso, pela determinação, por ser genuíno e pelo caminho enorme, magnifico, trabalhoso que ele foi percorrendo ao longo dos últimos anos. É uma honra seguir o trabalho dele há tanto tempo e vê-lo representar tão bem Portugal.

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mood swings
domingo, 12 de janeiro de 2014 || 2:17 da tarde

Sempre tive a sorte de não sofrer muito com TPM, alterações repentinas de humor, sensibilidade extrema e esse tipo de coisas que faz os homens temer a disposição das mulheres. Mas ultimamente não sei o que se passa comigo. Tudo começou quando passei por um período de tanta sensibilidade que dei por mim chorar ao ver Juno. A sério, parecia uma grávida que chora a ver cães bebés. Umas semanas depois passei por uma fase em que estava tão insensível que acho que não existia nada que me tivesse feito chorar. Ontem de manhã acordei quase com vontade de pôr uma corda à garganta, de tão cinzento que via o mundo. No espaço de tempo que demorei a ir da cama para o sofá consegui verter meia dúzia de lágrimas, parecia que nada seria possível neste mundo de malucos. A meio do dia comecei a sentir-me extremamente preocupada e ansiosa, como se viesse um javali a correr atrás de mim. E à noite, juro que me sinto como se tudo fosse possível e o mundo fosse um sítio lindo. Não sei o que é que se passa comigo, mas sou capaz de me estar a transformar numa criatura do sexo feminino. A minha mãe esperou por este momento durante 19 anos.

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story of my life
sexta-feira, 10 de janeiro de 2014 || 8:59 da tarde

Hoje, no café da minha mãe, um senhor sentiu-se mal. Enquanto o homem começou a revirar os olhos e a cambalear para trás a minha mãe foi a correr chamar o genro do senhor. Lá o sentaram, ele tremia por todo o lado e estava mesmo mais para lá do que para cá quando entra o namorado da vizinha do lado do café. E, sem olhar para o senhor que estava notoriamente a passar mal, põe-se quase aos pulos atrás da minha mãe a perguntar se tinham batido à porta dele. Era a minha mãe a dar água ao homem e a deitar as mãos à cabeça de preocupação e o rapaz a ignorar completamente o estado do senhor e a fazer perguntas a que a minha mãe nem conseguia responder. É que não, o rapaz não tinha estado fora de casa, mas como estava quentinho na cama disse que não lhe apeteceu levantar-se para ir à porta. Entre a falta de sensibilidade do rapaz, o ataque do homem e o pânico e a fúria da minha mãe não consegui evitar ir para a casa de banho a rir-me que nem uma perdida da parvoíce com que me deparo. É que vocês não conhecem a minha mãe, mas eu juro que se o rapaz tivesse aberto a boca mais uma vez ela era capaz de o correr do café para fora à vassourada. 

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Palavras que podiam ser minhas
quinta-feira, 9 de janeiro de 2014 || 10:44 da tarde



"Tenho a certeza de que nunca poderia ter contado a minha história de outra maneira; não acho que qualquer de nós possa falar francamente sobre a dor senão quando já não a estamos a sofrer mais. "

In Memórias de uma Gueixa

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[private post]
terça-feira, 7 de janeiro de 2014 || 12:47 da tarde

Retirado do facebook da ursa

Isto é tão verdade. Admiro muito as pessoas que correm por opção e que aprendem mesmo a gostar daquilo, porque eu pura e simplesmente não sou capaz. Se correr dez minutos já me deixa arrumada durante um mês nem sequer consigo imaginar como é que ficaria se corresse uma hora seguida como alguns dos meus leitores. Deus abençoe esses pulmões!
Infelizmente para mim e felizmente para as minhas colegas, que se riram muito, já tive mesmo que correr porque alguma coisa (eu sempre disse que não se podia chamar pessoa àquela criatura) estava, literalmente, a correr atrás de mim. Ou ao meu lado. Ou à minha volta. (Suse, pensei logo em ti e no quanto te vais rir com isto)

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Palavras que podiam ser minhas
segunda-feira, 6 de janeiro de 2014 || 7:54 da tarde




"A adversidade é como um vento forte. Não quero apenas dizer que nos afasta de lugares aonde poderíamos ter ido noutras circunstâncias. Também nos arranca todas as coisas à excepção das que não nos podem ser arrancadas, de modo que depois nos vemos como realmente somos, e não apenas como poderíamos ter gostado de ter sido. "

"Porque eu já tinha passado pela adversidade antes, o que aprendi acerca de mim própria foi como uma recordação de alguma coisa que eu já soubera mas que entretanto quase esquecera - nomeadamente, que por debaixo das roupas elegantes e o dançar exímio, e a conversa inteligente, a minha vida não era nada complexa, mas simples como uma pedra a cair para o chão. Todos os meus objectivos em tudo, durante os últimos dez anos, se resumiam a tentar conquistar a afeição do director. "

in Memórias de uma Gueixa

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palavras de meia-noite
domingo, 5 de janeiro de 2014 || 2:08 da tarde

Toda a minha vida tentaram dizer-me o que fazer. Como, de resto, fazem com toda a gente. Muitas vezes recusei tradições, ideias e caminhos pré-estabelecidos. Discordei de coisas com as quais a maioria das pessoas concorda e concordei com coisas com as quais a maioria das pessoas discorda. Umas vezes fiz exactamente o que era esperado de mim e outras saí-me com as palavras e as acções menos comuns que os que me rodeiam poderiam esperar. Fiz muitas coisas contra e a favor daquilo que é esperado que alguém faça, mas de todas as vezes em que fiz algo, não houve uma única em que tivesse pedido a alguém que me dissesse exactamente o que devia fazer. Prezo conselhos e ajudas tanto como qualquer outra pessoa, mas sempre me orgulhei de pensar por mim própria, de avaliar e ter opiniões sobre o que fazer a seguir. 

Foi sempre assim até, um dia, não ser. Toda a minha (curta) vida tive pessoas a tentar dizer-me o que fazer contra a minha vontade. Toda a minha vida me zanguei com quem quer saber mais sobre a mim vida do que eu própria e rejeitei a companhia de pessoas possessivas e manipuladoras, que tentam comandar a vida dos outros, porque desde sempre na minha vida soube pensar por mim própria e, mal ou bem, tomar as minhas decisões em relação a tudo o que tivesse que ser decidido. Mas a verdade é que na primeira altura em que precisei realmente que me ajudassem, que fizessem aquilo que eu nunca permiti, em suma, que me dissesse exactamente o que devia fazer, ninguém me ajudou, ninguém decidiu por mim. As pessoas que deixavam ordens e sugestões no ar quando eu não precisava delas e que diziam conhecer-me a mim e à vida tão bem foram as primeiras a dizer que não podiam tomar decisões por mim, que não conheciam o futuro, que não sabiam e não podiam ajudar. 

Por mais palavras desesperadas e independentemente de quantos pedidos de ajuda eu lançasse, ninguém me disse realmente o que devia fazer. Quando precisei as respostas tornaram-se mais vagas que nunca, os "vais tomar a decisão certa" multiplicaram-se e o meu desespero por estar completamente à deriva e sem alguém que me ajudasse só cresceu. As pessoas que nos amam dizem muitas vezes para termos coragem porque vão estar sempre connosco a apoiar-nos e ajudar-nos quando precisarmos, mas percebi que no fundo estamos sempre completamente sozinhos e o facto de nos induzir-nos a nós próprios de que os outros vão ajudar em caso de necessidade é um comportamento mais motivado pelo medo do que pela razão. Faz parte, é mesmo assim, mas não deixa e ser uma ideia falaciosa. Porque escrevam o que eu vos digo, quando finalmente precisarem que alguém vos diga o que fazer porque se sentem tão perdidos e desorientados que não são capazes de analisar as opções quanto mais de tomar decisões, ninguém vai aparecer, ninguém vai saber, ninguém vai procurar e ninguém vai decidir por vocês. Comigo não aconteceu e eu aprendi isto da forma mais dura, completamente desesperada e sem ideia do que fazer a seguir. 

E esta é a história da minha primeira não decisão. Foram precisos quase 19 anos para eu tomar uma verdadeira não decisão. Fiquei não porque tivesse decidido ficar, mas porque não tive coragem para decidir ir. A bem dizer, não tinha sequer para onde ir, porque nem isso consegui decidir. E fiquei como um fantasma, porque não decidi ficar e não vivi a permanência como uma decisão, mas como uma eventualidade não-planeada. 

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inspira, expira
sexta-feira, 3 de janeiro de 2014 || 2:18 da tarde

Devemos começar o ano da forma mais realista possível. Eu, para manter os primeiros dias do ano iguais aos outros todos acordei com uma pedrada de sono que mal me aguentava em pé. Nada melhor do que ajustar as expectativas e eu tenho cada vez mais sono. Realmente já não vou para nova, uma pessoa começa a precisar de dar descanso ao corpo, que em 19 anos ainda se faz muita coisa, parecendo que não. 

Mal saio de casa comecei a ouvir um zumbido. Pus-me a olhar à volta, ainda no corredor das escadas do meu prédio. Não vejo nada e começo a ficar intrigada. Até perceber que no segundo em que saí porta fora duas moscas se enfiaram dentro dos meus caracóis e estavam em pleno acto reprodutivo quase em cima da minha orelha. Mais cinco minutos a sacudir-me e a fazer caretas de quem está profundamente enojada e lá abri e o chapéu de chuva e fui à minha vida. A sério? É que nem estamos na época das moscas, eu não mereço.

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palavras que podiam ser minhas
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014 || 4:05 da tarde

A tristeza é uma coisa muito especial, de tão de indefesos que ficamos dentro dela. É como uma janela que se abre apenas quando lhe apetece. A sala fica fria, e não podemos fazer mais nada do que tremer. Mas abre-se um bocadinho menos de cada vez; e um dia perguntamos-lhe o que é que lhe aconteceu. "
In Memórias de uma Gueixa
(absolutamente genial!)

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