Write loud and clear about what hurts

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Se conseguisse descrever-me em poucas palavras não tinha criado um blog. Desde 2009 a escrever sobre pedaços aleatórios de vida e histórias mirabolantes. Para questões, sugestões ou dúvidas existenciais, ana_bmd@sapo.pt




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“Home is Where the ♥ is”
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quinta-feira, 31 de outubro de 2013 || 8:24 da tarde

Os Thirty Seconds to Mars deram um concerto aqui em Lisboa. No dia anterior anunciaram um concerto flash com meia hora de antecedência e eu, que não sou apaixonada pela banda nem fui ao concerto principal, sem pensar duas vezes, pus-me a correr por Lisboa fora para ir vê-los. Corri, literalmente, durante uns 20 minutos, entre ruas, escadas e estações de metros e cheguei exactamente quando eles acabaram de cantar a última música do concerto flash e estavam a preparar-se para sair. Ainda me consegui arrastar uns metros até à carrinha onde eles iam. Eu e mais meia duzia de fãs colocamo-nos mesmo ao lado da carrinha e, depois de tanta correria, ainda consegui(mos) um adeus e um sorriso do Jared e um sorriso do Shannon. E meus senhores, um sorriso do Jared é qualquer coisa de espantoso e eu nem sequer sou fanática por ele. A modos que é isto, agora estou com dores no corpo por ter corrido tanto. Juro que me doem as pernas desde os tornozelos até ao rabo. Entretanto desenvolvi uma estranha necessidade de ouvir acústicos da banda e parece que estou a ficar viciada. Lindo. 

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[private post]
quarta-feira, 30 de outubro de 2013 || 6:54 da tarde

Dizem que a história é cíclica. Que a vida é cíclica. E é assustador perceber que sim, realmente andamos todos em espirais, passamos pelas mesmas situações e vivemos os mesmos medos, as mesmas alegrias e os mesmos nervosismos a cada 3, 5 ou 10 anos.  É particularmente assustador pensar que me senti exactamente assim em relação a uma pessoa há dois anos atrás. E não acabou muito bem. Tão pouco acabou mal, mas não tinha saudades nenhumas de me sentir assim nem de estar nesta situação. Curiosamente quando penso nisso sinto uma vontade enorme de sorrir enternecidamente, até porque desta vez podia dar quase certo se não fosse completamente impossível. 



*Não, ainda não foi desta que me apaixonei e que vou encher o blog de textos bonitos de amor. 

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ideais que poderiam ser meus
terça-feira, 29 de outubro de 2013 || 8:10 da tarde

"Homem interessante e gostosão ou é gay ou é cabrão"*



Tinha uma amiga que me dizia isto cada vez que eu comentava que achava um homem giro ou interessante. Infelizmente já não estamos muito tempo juntas, apesar de ainda nos adorarmos. Tenho pena, porque ela fazia-me rir imenso com pérolas como esta. Confesso que não sou uma mulher desconfiada no que toca ao sexo oposto. Geralmente sei o que esperar. Claro que às vezes uma pessoa fica com as voltas trocadas, mas nada que me leve a pensar nos homens de forma negativa. Porém, esta frase faz imenso sentido, quando são giros e inteligentes não têm que se esforçar tanto e ser boas pessoas para que se aproximem deles. Enfim, mais uma daquelas frases que podiam ser minhas. 

*provavelmente esta teoria também se aplica às mulheres. Mas convenhamos que não fica tão gira.

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avaliando opções
segunda-feira, 28 de outubro de 2013 || 6:12 da tarde

Os homens que eu acho interessantes ao ponto de pensar em admitir que posso, potencialmente, estar interessada por eles são sempre:
- Demasiado velhos para mim
- Ou demasiado fixes para mim
- Ou pertencemos a escalões hierárquicos diferentes e incompatíveis
- Ou comprometidos
- Ou estrangeiros/de partida para o estrangeiro

As pessoas que me acham interessante ao ponto de pensarem em admitir que podem, potencialmente, interessar-se por mim são sempre:
- Adolescentes lésbicas que quase me violam quando me apanham sozinha num hotel
- Adolescentes bissexuais que me vêem sentada no chão, levantam a saia e esfregam as partes na minha cara em público, apanhando-me completamente desprevenida.
- Rapazes adolescentes a quem eu vi as mães mudar as fraldas há muito tempo atrás e com quem não quero ter uma relação. 
- Professores de educação física com trinta e tal anos que me deixam nervosa por serem demasiado dados a contacto físico e inapropriados. *


*(eu sei que tenho tendência a interessar-me por pessoas hierarquicamente acima de mim, mas professores estiveram sempre fora dos limites. padres e pais de amigos também, mesmo aqueles franciscanos americanos lindos de morrer que foram ordenados aos 25 anos e passeiam comigo, pelas ruas da Bósnia, exibindo os seus 29 anos e um sorriso deslumbrante que condiz com o sotaque sexy)

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querem ser simpáticos? aprendam comigo.
domingo, 27 de outubro de 2013 || 12:40 da tarde

Um dos maiores elogios que eu fiz a alguém começou com "Tu és como um cão".

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2+2 são sempre 4, mesmo quando queremos que sejam 5
sábado, 26 de outubro de 2013 || 8:34 da tarde

O meu avô começou a trabalhar aos 5 anos, como espantalho. Trabalhou a juventude inteira como pastor e lavrador, passou fome, casou, teve duas filhas que decidiram não tirar um curso superior, estabilizou a vida dele e agora vivem bem. Vivemos todos suficientemente bem. A minha avó a mesma coisa, aprendeu a ler aos 37 anos, à noite. Teve 3 aulas de matemática. O avô de uma das minhas melhores amigas tem menos 15 anos e quatro cursos superiores. É brilhante em todas as áreas que escolheu estudar/trabalhar. É brilhante como pessoa e, sinceramente, mete-me medo de tão inteligente e poderoso que é. Ter quase medo dos avós das nossas amigas é parvo, não condiz nada bem com a ideia de velhinho amoroso, mas deixem-me dizer-vos que um dos cursos superiores dele é na área do desporto e que ele ainda é capaz de se mexer melhor do que eu (não é preciso muito, mas ainda assim!), por isso não é bem o espelho daquilo que consideramos um avô. Ele fez saltos mortais em aparelhos de ginástica e gostou! O avô dela, há uns tempos atrás, leu um texto meu e não disse mal dele e isso chegou para eu ficar contente. A avô dessa minha amiga, esposa do super-avô, tirou dois cursos e, há coisa de um ano decidiu ir aprender italiano. O meu avô é igualmente brilhante. Teria sido um excelente interprete musical (já vos disse que ele aprendeu a tocar piano, sozinho, aos 74 anos?), um veterinário dotado (já vos contei que os pardais lhe comem na mão? sim, pardais selvagens) ou um engenheiro mecânico/de materiais cheio de talento. Mas não foi, porque esteve muito ocupado a ser espantalho, pastor e obreiro. O que eu quero dizer é que, durante toda a nossa vida, dizem-nos que se nos esforçarmos, se tivermos talento, trabalharmos e nunca deixarmos de acreditar conseguimos tudo aquilo que queremos. Não é bem assim, os contextos são diferentes. As oportunidades chegam a ser díspares. E é normal, é uma porcaria mas é mesmo assim. Só não me digam que estamos todos em igualdade, que basta acreditar, pensar positivo e lutar para sermos os melhores, porque isso é uma falácia tão grande como as noites de Inverno que o meu avô passou com frio, aninhado num palheiro. O facto de o meu avô não ter tido oportunidades de ser brilhante não me faz admirar menos o avô da minha amiga, não me faz ficar menos orgulhosa dela, por ter um avô tão especial e lutador, só me faz ficar triste e revoltada quando me dizem que cada um de nós chega onde quer chegar, porque no fundo todos sabemos que não é bem assim, só nos esforçamos por olhar para o lado e acreditar em contos de fadas, já que o mundo é suficientemente sombrio sem sermos pessimistas. 

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constatações
quinta-feira, 24 de outubro de 2013 || 8:35 da tarde

Durante muito tempo, pensei que não que existisse algo pior do que pensar no passado e ter saudades, porque está tudo diferente e o tempo não volta para trás. Afinal, enganei-me. É ainda pior continuar exactamente no mesmo sítio, exactamente com as mesmas pessoas, em contextos muito semelhantes e ser uma pessoa completamente diferente. Porque está tudo igual, mas no fundo está tudo tão radicalmente diferente que magoa ainda mais.


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ainda sobre música
quarta-feira, 23 de outubro de 2013 || 1:53 da tarde

Também é interessante eu ter amigos que apregoam que a música pop e o kizomba dizem sempre a mesma coisa, que é só "eu amo-te mas tu não me queres" e depois gostarem de músicas cuja letra é, basicamente, uma repetição das frases "I smoke weed, like everyday" e "ready to get high, ready to get high". Realmente letras tão profundas rebentam com a minha densidade emocional e depois tenho que me ir refugiar na pop. E com isto não estou a defender as letras dos kizombas e a ser chunga, estou só a dizer que podíamos parar de brincar ao diz-o-roto-ao-nu.

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constatações
terça-feira, 22 de outubro de 2013 || 5:26 da tarde

Ás vezes até eu me admiro com a minha capacidade de ouvir rock num dia, pop-rock no outro, reggae na tarde seguinte e terminar a semana a ouvir kizomba ou hip-hop.Há dois anos fui a Cool Jazz Fest e tenho o bilhete guardado ao lado do bilhete do primeiro concerto da Rihanna. Sou uma music whore, portanto. Ah, e quando estou mesmo deprimida, de vez em quando também me dá para ouvir composições clássicas como a Marcha Fúnebre ou o tema principal do Harry Potter. Devo ficar preocupada com o meu estado?





[por falar nisso, sou a única a achar graça a piadas porcas feitas com base no universo Harry Potter?]

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segunda-feira, 21 de outubro de 2013 || 5:13 da tarde

Às vezes acho piada à forma como a minha mãe processa as coisas. Sem qualquer sombra de homofobia, mas de uma geração que ainda não consegue ver a homossexualidade com a mesma naturalidade que nós vemos, hoje em dia, a minha mãe segreda-me ao ouvido: "Estás a ver aquela mulher? Éramos amigas, na primária. Ela agora é lésbica com a prima do ex-marido." Portanto, na cabeça da minha mãe, a senhora era lésbica COM alguém. E não é que a maldita expressão me ficou na cabeça? Agora dou por mim a pensar "aquele é heterossexual com a Maria" ou "a não sei quantas é mãe com o x [pai da criança]" ou "ele já foi gay com o Rui, o Guilherme e o João" e não consigo evitar rir-me de mim mesma. 

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"um abraço neste ponto de encontroooo" *imaginar música ranhosa do ponto de encontro*
domingo, 20 de outubro de 2013 || 2:34 da tarde

Hoje, no supermercado, encontrei os avós de uma amiga de quem sou bastante próxima desde o sétimo ano. Foram eles que nos levaram ao Colombo para irmos todas ao fun center, naquela que seria uma das nossas primeiras saídas sozinhas. Foram eles que nos levaram, de carro, ao cinema e nos foram lá buscar 4h depois, no dia em que vimos o nosso primeiro filme sem adultos. Basicamente, eles patrocinaram as minhas primeiras saída de gaja sem nunca se queixarem.  Foram eles que tantas vezes me deram boleia para a escola durante os anos de secundário e me salvaram de tantas greves da maldita Carris. Foram eles que várias vezes me levaram para a Margem Sul, para as festas de anos da neta. Já não os via há tanto tempo que deixei de pensar neles e no quão espantosos são. Reencontra-los e dar-lhes um abraço deixou-me nostálgica. Eles estão exactamente na mesma, mas tudo o resto está irremediavelmente diferente. Vê-los tão simpáticos e tão prontos a estender os braços para me abraçar fez-me lembrar de um tempo em que as coisas eram mais fáceis e éramos todos tão mais felizes. Eu sei, estou uma lamechas. Vejo a neta deles todas as semanas, continuo a morar perto deles e a estar com as mesmas pessoas nos tempos livres, mas é tudo muito diferente e já não vou para casa deles fazer panquecas e rir-me demasiado alto na varanda. E isso deixa-me triste e nostálgica, pronto.  

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Carta às mulheres que se cruzam comigo
quinta-feira, 17 de outubro de 2013 || 3:46 da tarde

Não me interessa que tenham um curso superior. Não me interessa se são bonitas ou feias. Não me interessa com quem vivem, nem de onde são, nem como se vestem, nem os vossos interesses, nem os vossos desinteresses. Não quero saber das vossas qualidades nem dos vossos defeitos. Não quero mesmo saber. Só gostava que puxassem o autoclismo depois de irem à casa de banho. Quer tenham feito xixi, cocó ou uma gazela, puxem a porra do autoclismo. É que esta nova moda de ir às casas de banho públicas e não puxar o autoclismo é coisa para equivaler a uma regressão até à idade da média. Não lavem as mãos, não sequem as mãos, não fechem a braguilha, façam como entenderem, mas não sejam porcas, puxem o autoclismo, porque há gente que gostava de usar a casa de banho a seguir a vocês sem ter que torcer o nariz logo pela manhã. Sei lá, da mesma maneira que se usam talheres, puxa-se o autoclismo. Era só uma ideia para sermos só um bocadinho mais humanas e menos animalescas...mas se quiserem ser animalescas, façam xixi contra uma árvore e deixem as casas de banho públicas para quem puxa o autoclismo e assim ficamos todas contentes. Obrigada. 



[agora a sério, que mania é esta? Nem quando andava no básico e tínhamos todas 12 anos  havia tanta falta de higiene.]

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Das inspirações
quarta-feira, 16 de outubro de 2013 || 2:58 da tarde

Existem as pessoas que admiramos e aquelas que nos inspiram. Às vezes conhecemos alguém que consegue ser ambos, mas regra geral já somos suficientemente sortudos por conhecer alguém que encaixe numa destas categorias. Muitas vezes as pessoas que admiramos inspiram-nos, mas nem sempre é assim. Já conheci muitas pessoas que admirei instantaneamente. Pessoas inteligentes e misteriosas são tiro e queda para me deixarem interessada. Quando encontro alguém inteligente, reservado e bondoso é como acertar no Jackpot. A inteligência fascina-me, a determinação atraí-me, o mistério deixa-me curiosa, e a bondade...a bondade é a prova suprema da esperteza e do auto-conhecimento, a força (ainda que apenas aparente) é sinal de dignidade. O que não quer dizer que estas pessoas me inspirem, porque sei que não sou naturalmente assim tão bondosa, tão reservada ou tão inteligente. Gostava de ser como elas, no condicional, não no futuro. Se calhar só admiramos as pessoas que já estão num patamar ao qual nos achamos que nunca chegaremos. Ou que, na melhor das hipótese, do atingiremos daqui a muito tempo, com muito trabalho e alguma sorte. Há umas semanas, por exemplo, encontrei um blog do qual gostei muito. Não admiro propriamente a autora. Simpatizo com ela, identifico-me muito com aquilo que ela escreve, que é, obviamente reflexo daquilo que ela vive e sente, mas não a admiro, porque não acho que ela seja superior a mim nos campos que eu considero importantes o suficiente para me fazerem admirar alguém. Ainda assim, ler o blog dela inspirou-me a escrever de uma forma diferente. A escrever de forma sincera sobre aquilo que eu sinto, em estilo carta-aberta, em inglês. E fez todo o sentido, porque assim que comecei nunca mais consegui parar. Naquele momento aquele método fez todo o sentido para mim. Ela inspirou-me a comunicar melhor, ainda que comigo própria. Certas pessoas inspiram-me a ser mais calma - apesar de eu falhar redondamente nessa meta - só o estar na mesma sala que elas e sentir a energia positiva e pacifica que emana delas. Geralmente admiro os melhores. O sucesso atraí-me loucamente, mas não foi nem a primeira nem a segunda vez que dei por mim a ser inspirada por pessoas completamente normais, que nem sequer possuem qualidades que eu considero chave. Talvez eu só me deixe inspirar por pessoas parecidas comigo ou que estejam num patamar que eu sinta que eventualmente vou conseguir alcançar. 

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Foi tão c*brão que até eu me ri
terça-feira, 15 de outubro de 2013 || 5:30 da tarde

Quem anda de transportes públicos em Lisboa, provavelmente sabe que a Estação de Metro dos Olivais é linda, mas tem mais escadas do que todas as outras estações juntas. As escadas rolantes avariam muitas vezes, principalmente de manhã e ao fim do dia, quando as pessoas precisam mais delas e têm que se arrastar escada acima, escada abaixo sem energia. Eu gostava de conseguir mostrar-vos o abismo de escadas que uma pessoa tem que percorrer até chegar à plataforma, mas não há fotos online, por isso vão ter que imaginar. Hoje de manhã, por acaso, apanhei o metro nos olivais e não fiquei surpreendida quando olhei para as escadas rolantes e vi que aquela porcaria estava parada. Lá respirei fundo e comecei a descer. Quando ia a 3/4 do fim das escadas, já um bocado zonza de tanto degrau, vejo um homem passar ao meu lado...nas escadas rolantes. Aquilo deve ter começado a funcionar quando eu ia a meio do último lance de degraus. O Homem passou por mim, olhou para trás com um sorriso trocista, saiu das escadas rolantes e dirigiu-se calmamente para a plataforma enquanto ainda se ria de mim. 

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conversas de transportes públicos
segunda-feira, 14 de outubro de 2013 || 12:10 da tarde

Hoje, num autocarro duas irmãs estavam sentadas à minha frente, naqueles conjuntos de 4 bancos, virados uns para os outros. Uma tinha sensivelmente 15/16 anos e a outra uns 11/12. A mais nova abriu a mala para tirar uns phones e a mais velha desata a ralhar com ela. 

Irmã mais velha - Mas tu és parva? Fecha já a mochila. 
Irmã vais nova - Porquê? O que é que te deu?
IMV - Não vês que quando abres assim a mochila vê-se o penso [higiénico] que fazes questão de levar sempre na mala. Não tens vergonha que toda a gente no autocarro veja o penso aí a sair da mala?
IMN - Não...eu só a abro para tirar qualquer coisa, depois fecho logo. Tenho que ter isto aqui para o caso de me aparecer o período de repente. 
IMV - És mesmo atrevida. Eu com a tua idade tinha vergonha de dizer que tinha o período, quanto mais andar com pensos a saltar da mala. 

Duas paragens depois elas levantam-se para sair e a mais velha tinha um daqueles calções que deixam ver quase metade das nádegas. Portanto, mostrar o rabo é fixe, mas ter um penso na mala é feio...Já tomei nota. 

No metro, iam dois amigos, universitários, sentados à minha frente. 

Amigo 1 - E depois ela disse-me "ah, não sei quê, não sei quê, não sei quê, não sei quê, não sei quê. 'tava prali com uma ganda conversa e um gajo não percebeu nada. 
Amigo 2 - [com tanta vontade de rir como eu] Anh? O que é que ela te disse, afinal?
Amigo 1 - Epá. não interessa. Mandou ali com alta conversa, só dizia não sei quê, não sei quê e um gajo fica farto de tanta conversa. Dass, tava ali eu todo queimado da ganza e das quatro vodkas que já tinha bebido a a gaja com conversas de escola.

Portanto, nada de conversas profundas e de dizer não sei quê. Got it. 

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as 3 perguntas que me perseguem
domingo, 13 de outubro de 2013 || 1:15 da tarde

Qual é o problema das pessoas? A sério, qual é o problema das pessoas? Sempre que alguém que não me vê há algum tempo me põe a vista em cima faz uma de três perguntas. Ou as três, uma a seguir à outra. 


Estás na faculdade?/O que é que estás a tirar?
Já tiraste a carta?
 Então e os namorados? 


Enquanto a primeira ainda é relativamente normal, o facto de, na maioria das vezes, nem esperarem que eu responda para rematarem um Ah, também agora não vale a pena, vais para o desemprego já não é tão normal. Eu sei que as coisas estão muito complicadas. Sei que não estou em medicina nem em informática, logo, aos olhos da opinião pública, estou condenada. Sei que há probabilidades de acabar desempregada ou num emprego ranhoso que tem como pré-requisito o 12º ano e paga o ordenado mínimo. Eu não sou estúpida. Também vejo notícias, também sei que há desemprego, também oiço falar da crise, não preciso que me digam que vou ser uma falhada dia sim dia não. Sinceramente, não preciso mesmo, porque estou a dois minutos e um comentário estúpido de apanhar uma depressão séria por causa disso. Dispenso que me dêem cabo da cabeça com profecias de um futuro negro, porque já é difícil o suficiente sobreviver sem ter corvos pousados no meu ombro à espera que eu morra para me comerem a carne. Ok, esta última frase foi um bocado mórbida demais, desculpem lá. Depois de terem feito merda, também dispenso os típicos comentários do género Anima-te, a vida é mesmo assim. Temos que viver um dia de cada vez, com alegria e paz. ou Não sei porque é que te preocupas tanto com isso, não te falta nada, a tua família consegue sustentar-te. Realmente é normal esfregarem-me o desemprego e a miséria de tempos que vivemos na cara e depois dizerem-me para me animar e viver muito feliz. 



A pergunta sobre a carta também é uma constante desde que fiz 18 anos. Geralmente é seguida por um Tens que tirar para poderes sair à vontade. Ou Estás à espera de quê? A tua mãe não é tua motorista. Mas está tudo parvo? Desde quando é que é obrigatório começar a tirar a carta mal se complete os dezoito anos? Desde quando é que um desconhecido se sente no direito de dizer o que é que eu tenho ou não tenho que fazer? Não sei se as pessoas percebem que eu estudo, tenho vida social, tenho - espantem-se - problemas, alguns deles sérios que quero ver resolvidos antes de me meter em mais uma obrigação. Já tenho responsabilidades suficientes para me pôr maluca, não preciso de mais uma. Não por enquanto. Não enquanto eu não me sentir mentalmente preparada para pegar numa máquina que, mal manuseada, pode colocar vidas em perigo. Eu saio à vontade, ninguém me prende. Só estes comentários estúpidos. A minha mãe é tudo menos minha motorista. Há um tempo para tudo, lamento se não tenho necessidade de gritar aos sete ventos "a minha pila é maior do que a tua" indo tirar a carta só para provar que, tal como os outros, também sou capaz. Se há dinheiro, tempo e vontade para a tirar aos 18,  acho muito bem que o façam, mas se um desses factores não existe, lamento mas não me vou esfolar para poder pôr uma foto no facebook ao volante do carro novo. Ter a carta dá muito jeito, e planeio tira-la a curto prazo, mas não é por me mandarem bocas dessas que me fazem sentir diminuída ou com mais vontade de a ir tirar. 



A pergunta dos namorados é só indiscreta, principalmente porque vem sempre de pessoas que não têm qualquer confiança comigo. De vez em quando ainda digo que tenho namorada, só para ver se a pessoa fica suficientemente chocada para não me aborrecer mais com perguntas indiscretas. O que é que as pessoas esperam? Confissões sexuais? O histórico da relação? Ver uma foto do moço como wallpaper do meu computador/telemóvel? É que se é rude perguntar a uma pessoa de 35 anos como é que vai a sua relação amorosa, lamento mas também é rude e aborrecido perguntar a uma pessoa de 19 pelo seu estado civil quando não temos uma relação suficientemente próxima para esse tipo de conversas.


Se calhar sou eu que penso mal, é uma possibilidade, mas torna-se tão cansativo ouvir estes três tipos de comentários em repeat todos os dias. 

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afinal a estupidez é um mal crónico
quinta-feira, 10 de outubro de 2013 || 11:27 da tarde

Estudar história ou literatura às vezes deixa-me revoltada, porque lembra-me que sempre fomos parvos. Não me interpretem mal, eu adoro Portugal e terei muita pena se algum dia for forçada a sair daqui. Provavelmente apanho um desgosto tal que durante uns anos nem vou poder com uma gata pelo rabo. Mas não posso negar que sempre fomos parvinhos. Há 500 anos Camões queixava-se que os governantes só queriam saber da espada e não ligavam à pena. Mais de meio século depois nem com a espada nem com a pena nem com o raio que os parta. Os franceses atacam-nos e dão-nos cabo do país e, no meio de tanta coisa para repudiar, dá-nos para rejeitar os valores do liberalismo, a única coisa minimamente decente vinda daquela selvajaria. Há uma carrada igualmente grande de anos que nos gabamos de ter uma aliança muito profunda com os nossos amiguinhos ingleses. Desde o dia em que nos gabamos desse feito histórico que os ingleses se aproveitam de nós. Ele é tratado de Methuen, ele é Ultimato Inglês, ele é anda cá para a guerra que agora vamos combater meia Europa...Mais uma vez, não me interpretem mal, eu amo os ingleses de paixão, mas custa-me um bocadinho perceber que esta estupidez de que nos queixamos não é de hoje e, por este andar, ainda fica por cá mais 500 anos, no mínimo. 

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just my luck
quarta-feira, 9 de outubro de 2013 || 10:34 da tarde

Hoje, estava eu numa aula a fazer um trabalho de pesquisa com um rapaz que nunca tinha visto na minha vida, quando o moço olha para mim e começa a revirar os olhos. Ao fim de um minuto a perguntar-lhe o que é que se passava, ele lá me consegue responder que desmaia ao ver sangue. Depois de mais meio minuto a processar aquela informação, apercebi-me que estava a deitar sangue. Uma gota de sangue, de uma borbulha que tinha rebentado. Quando olhei para a cara do rapaz pensei que tinha sido mordida por um tubarão e não tinha dado conta...Se eu comprasse rifas aposto que me saía aquele prémio mais ranhosinho da feira.  

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terça-feira, 8 de outubro de 2013 || 9:16 da tarde

Tive que reler parte dos Lusíadas. Acho que fiquei com os neurónios queimados. Dei por mim a gritar mentalmente "Oh! Estranho caso inesperado. Oh! Que cousa nunca antes vista. Oh! Tormenta que desceu dos céus." quando vi que faltavam vinte e cinco minutos para o autocarro que precisava de apanhar para regressar a casa. Claro que me desmanchei a rir com a minha parvoíce, abanei a cabeça e fui a pé para casa. 

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segunda-feira, 7 de outubro de 2013 || 2:35 da tarde

Eu sei que a greve é um direito e a melhor forma de os trabalhadores lutarem e exigirem condições dignas, mas ou os funcionários das empresas de transportes públicos são uns desgraçados, explorados que nem crianças chinesas, ou então esta brincadeira das greves mensais com que agora somos brindados é só mais uma grande palhaçada. Gosto, principalmente do "pedimos desculpa pelo incómodo causado" que fazem soar de 3 em 3 minutos no dia que antecede a greve.

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Estou a notar aqui um padrão.
domingo, 6 de outubro de 2013 || 3:34 da tarde

As pessoas que, na segunda-feira, usaram botas, camisolonas de lã e casacos de Inverno são as mesmas que este fim de semana usaram vestidos de Verão, calções curtos e tops. A isto é que eu chamo viver a vida com paixão. Ou então não. 




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home is where the heart is
sábado, 5 de outubro de 2013 || 5:01 da tarde

Nunca a frase que dá nome ao meu blog e que constitui uma das minhas filosofias fez tanto sentido na minha vida. Porque quando não sabemos mais quem somos e quem queremos ser, o que fazemos e o que queremos fazer, sentimos-nos completamente perdidos, sem casa, sem paz.

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quinta-feira, 3 de outubro de 2013 || 5:29 da tarde

Não importa a idade que tenho, ver filmes com cenas de sexo numa aula vai ser sempre constrangedor. Só gostava que os meus professores pensassem da mesma forma e não insistissem em passar filmes com orgias em todas as cadeiras. Era tão bom. Quem diz passar filmes com cenas de sexo explícitas diz, sei lá, não falar de um fetish diferente todas as aulas ou não dizer coisas "quando eramos novos, eu e a minha mulher vivemos noites conturbadas numa casa rústica do Alentejo".  Ou falar sobre as menages a trois do rei D. Duarte começando a conversa com " Eu não vou falar das mensages a trois do rei D. Duarte, mas como todos sabem na idade média blá blá blá". Ou projectar quadros super explícitos na tela gigante do anfiteatro da faculdade durante 20 minutos enquanto se fala de uma coisa completamente diferente. Era tão bom que os meus professores não tivessem uma estranha obsessão por conteúdos constrangedores.


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acabaram as piadas com o vocalista dos green day!
terça-feira, 1 de outubro de 2013 || 9:55 da tarde

Finalmente chegou Outubro. Acho que já toda a gente percebeu que detesto Setembro. É aquele fantasma do regresso às aulas que não me deixa aproveitar bem as férias, é a readaptação à rotina e as mil e uma mudanças que o mês acarreta, é andar o tempo todo cansada porque ainda não estou em forma, é ver o tempo ora escoar-se, minutos que parecem segundos, ora espalhar-se, minutos que parecem horas...
Outubro é um mês melhor. Continuo a ter saudades do Verão e das férias, mas já entrei na rotina, o mau já não parece tão mau, o stress da faculdade, dos trabalhos, das frequências e dos compromissos exteriores continua grande mas torna-se suportável e a vida social regulariza-se, voltam as pessoas de férias, ficam os horários feitos definitivamente, toda a gente está ocupada, toda a gente arranja espaço ao fim-de-semana ou num qualquer fim de tarde. 
Deixa de estar aquele calor-frio, as roupas de Inverno chegam para ficar. Já posso usar gorros e botas se achar que estes ficam bem na toilette ou se estiver frio sem medo que seja demasiado cedo. Chegam as botijas de água quente e o chá antes de deitar. Chegam as temporadas novas das séries, os cadernos ficam cheios, a vida volta a ter contornos definidos. Vem a casa dos segredos e as noites aconchegada nos cobertores a ver os outros fazer escândalos debaixo dos cobertores em plena televisão nacional. E o Halloween, que na minha modesta opinião, é o melhor de Outubro. A sério, apetece-me suspirar de alivio por este mês do demónio que é Setembro já ter acabado.  

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