Write loud and clear about what hurts

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Se conseguisse descrever-me em poucas palavras não tinha criado um blog. Desde 2009 a escrever sobre pedaços aleatórios de vida e histórias mirabolantes. Para questões, sugestões ou dúvidas existenciais, ana_bmd@sapo.pt




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“Home is Where the ♥ is”
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segunda-feira, 30 de setembro de 2013 || 10:17 da tarde

Tenho tido tanta coisa para vos dizer, passo o dia com a cabeça cheia de posts, de frases sábias  ou, no limite, de citações do Senhor dos Anéis, mas quando chego ao computador, depois de me ter arrastado por mais um dia, parece que a minha cabeça fica vazia. Nestes momentos só me apetece dizer que quanto mais cresço mais pequena me sinto, mais ando aos tropeções pela vida, um dia depois do outro a tentar perceber como é que hei-de crescer, quais são as melhores opções, a tentar não ter tanto medo do futuro e não ser tão pessimista.
 
(a coisa está mal quando eu me identifico com os protagonistas de filmes sobre cancro. Epá..)

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coisas que aposto que nunca vos aconteceram
domingo, 29 de setembro de 2013 || 9:57 da tarde

- Desculpe, eu sei que isto é uma pergunta muito estranha, mas sabe-me dizer onde é que posso encontrar estrume de cavalo?

Foi assim que começou o meu dia, num Aki.

 

(Logo a seguir a ter ido votar pela primeira vez na minha vida. Foi tão estranho, estar ali na escola onde estudei dos 10 aos 14 anos e onde fui tão feliz e tão infeliz, onde cresci tanto. E de repente dei por mim a fazer coisas de pessoas crescidas, coisas sérias. Quanto é que o tempo começou a passar a estar velocidade descontrolada?!)

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home is where the hotties are
sábado, 28 de setembro de 2013 || 2:52 da tarde





Patrick Dempsey
actor, modelo
EUA, 47 anos [claramente idade para ser meu pai]
Grey's Anatomy

O Patrick, apesar de ter idade para ser meu pai, é homem para competir com o Ian Somerhalder pelo número 1 no meu coração. Conhecido por fazer de neurocirurgião em Grey's Anatomy. Caramba, a personagem dele tinha/tem a alcunha de mcsonho e não é por acaso.  Também é ciclista e tem um associação dedicada a uma causa solidária, que alimenta com donativos e dinheiro obtido através de vários  eventos - geralmente ligados ao ciclismo, como corridas ou passeios de bicicleta - nos quais o actor faz questão de participar/organizar. É que além de ser giro que se farta, boa pessoa e um excelente actor, só é convidado para interpretar personagens super atraentes. Grey's é uma das minhas séries do top 5 e parte do meu gosto pela série deve-se ao Pattick e ao Derek Shepherd.

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com a idade adulta chega a maturidade, dizem eles...
quinta-feira, 26 de setembro de 2013 || 4:10 da tarde

Chega, chega. Nem sei de que é que vos hei-de falar primeiro. Talvez facto de ter uma cadeira com muitos adultos de meia-idade inscritos (na sua maioria professores, ex-professores ou já com outro curso superior) que passam a aula a fazer perguntas e a levantar o braço, qual meninos de oito anos excitados ao perceber que sabem a resposta à pergunta colocada pelo professor. Adultos esses que mandam tantos palpites para o ar só para não ficarem calados que obrigam a professora a pedir-lhes que se acalmem porque não estamos a jogar um jogo de adivinhas, é suposto olhar para os documentos e pensar antes de falar. Sim, isto aconteceu várias vezes, era ver o pessoal e 18-20 anos a revirar os olhos e os adultos de 30-40 aos pulinhos na cadeira para responder à próxima pergunta. Paralelamente, talvez devesse começar por dizer que hoje, durante uma aula, com um professor doutorado, adulto, respetável e cheio de projectos, que insiste em apresentar-se nas aulas de fato e gravata (todo muito formal, menos as meias que hoje eram cor-de-rosa choque,para contrastar com o fato preto e os sapatos castanhos e, simultaneamente, dizer discretamente que todos os anos se apresenta no festival de cinema queer de Lisboa) tivemos que parar durante 5 ou 10 minutos porque o professor se empoleirou na janela e, com os pézinhos a balançar e a cabeça entalada entre o vidro e a parede e gritou várias vezes, todo encolerizado, "Vão para Coimbra!" para os alunos que estavam em praxe no jardim para o qual dava a janela da sala. Quando se cansou de berrar à janela desentalou a cabeça da parede, ajeitou o fato e voltou à matéria. Sim, isto aconteceu numa Universidade conhecida. Acho que na altura nem consegui rir, só olhei para a minha colega e arregalei os olhos, juro que pensei que estava a sonhar.

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terça-feira, 24 de setembro de 2013 || 6:26 da tarde

Todos os anos penso para mim mesma que nesse ano não vou de férias. Pela questão do dinheiro, por uma série de outras questões complicadas demais para explorar aqui, porque já fui à Bósnia sete vezes e sete vezes me apaixonei, porque tudo tem um tempo, enfim, por mil e uma razões. E quase todos os anos acabo por voltar. Ou porque conseguimos passar por Itália ou pela Hungria a um preço muito acessível, ou porque bate uma saudade daquelas ruas, daquelas pessoas, daquelas experiências. E a verdade é que todos os anos volto para casa com o coração mais cheio, aqueles dias fazem milagres, dão-me força. Só me arrependi de ter ido um ano, e a culpa não foi do local, esse deu-me tanto como nos outros anos, a culpa foi parcialmente minha, por forçar uma situação que já sabia que correria mal e em parte do grupo com quem fui, onde não se aproveitava uma única pessoa. Mesmo esse ano foi produtivo, conheci um dos homens mais fantásticos com quem tive a sorte de me cruzar. O mesmo homem que me faz escrever um livro sobre ele. O mesmo homem que me fez apaixonar de vez pelos italianos. E não, [infelizmente] não nos envolvemos. E não, esta não é uma daquelas histórias de paixão ardente entre uma portuguesa e um italiano, lamento desiludir. 

A questão é, este ano, mais uma vez, insisti com a minha mãe que não devíamos ir. E mais uma vez acabei por ir e voltar um bocadinho mais apaixonada. Já comecei o processo de me convencer que, em 2014, não vou. Pelo dinheiro. Porque já sei como é. Porque há um tempo para tudo. Não sei se vai resultar. 

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apontamentos mórbidos da minha semana
sábado, 21 de setembro de 2013 || 1:39 da tarde

Há um encanto mórbido em voltar a experimentar aquilo que nos fez felizes. Experimentamo-lo muitos anos depois, não sendo os contextos em nada semelhantes e nós próprios uma pessoa completamente diferente daquela que, tanto tempo antes, se sentiu tão plenamente feliz. Esta semana fui (pseudo) forçada a fazer uma coisa que fiz há três anos atrás e que, na altura, foi uma situação tão perfeita quanto poderia ser. Três anos depois, com outras pessoas, inserida noutro contexto e estando eu completamente diferente, em vez da felicidade que senti da primeira vez, senti-me miserável. Literalmente miserável, pois o contraste entre o antes e o depois não serviu para me confortar mas para acentuar a felicidade do antes e a tristeza do depois, que por comparação cresceram exponencialmente. Porque por muito que queiramos não podemos esperar que fazer aquilo que costumávamos fazer nos faça sentir como costumávamos sentir. As coisas mudam. Para melhor, para pior ou para diferente, mas mudam sempre, mesmo quando são perfeitas e deviam congelar.  Fazer as coisas do antigamente deixa-me nostálgica porque, generalizando, o antigamente foi tão melhor do que o agora que é como sentir uma sombra daquela felicidade toda escapar-me por entre os dedos enquanto eu tento desesperadamente agarra-la. Agarrar-me a ela. 


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ponto da situação
sexta-feira, 20 de setembro de 2013 || 10:19 da manhã

Aqui estou eu, a tentar convencer-me a não reler a saga Harry Potter pela milésima vez. Talvez se continuar a lembrar-me que no sexto livro a minha personagem masculina favorita morre de forma super trágica e que eu choro sempre que leio essa parte consiga não sucumbir à vontade de reler sete livros pela quarta vez e vá fazer qualquer coisa ligeiramente mais produtiva.



Será que se ler a saga em inglês consigo enganar-me dizendo que estou a aperfeiçoar os meus conhecimentos da língua? :)

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desculpe?
quarta-feira, 18 de setembro de 2013 || 1:00 da tarde

Será que eu ouvi mal ou a minha cabeleireira acabou de me aconselhar a só lavar a cabeça uma vez a cada duas semanas? Devo ter ouvido mal, apesar de ela ter dito a mesma coisa mais de três vezes...os disparates que eu tenho que ouvir.

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P.S.
domingo, 15 de setembro de 2013 || 8:52 da tarde

Acreditam que umas horas depois de eu ter escrito o último post um atrasado mental veio chagar o meu juízo porque achou que eu estava a comer demasiado depressa? Eu estava num canto do café da minha mãe, a jantar e a ver uma série no computar e, quando dou por ela, está um obeso a tapar-me a luz e a reclamar que eu como demasiado depressa e não saboreio a comida. Atreveu-se a comparar a minha refeição a um molho de palha.  Quem inventou que o cliente tem sempre razão nunca deve ter convivido com "o cliente". Feliz ou infelizmente a minha mãe não leva essa máxima muito a sério.  Agora que penso nisso, ela manda dois clientes habituais para o cara*** quase todos os dias. E eles não só voltam sempre para mais, como fazem questão de não aprender. Um deles gosta tanto de ser mal tratado que tem uma paixoneta por ela e já lhe pediu para fugir com ele. Há dias em que a minha paciência para malucos esgota completamente.


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idiots!
sexta-feira, 13 de setembro de 2013 || 2:17 da tarde

Ou eu acordei há uns meses miraculosamente transformada numa pessoa cheia de etiqueta e de falsas boas maneiras, ou o mundo perdeu mesmo a noção do ridículo e do inconveniente. Ultimamente toda a gente faz questão de se meter na minha vida. Ou são aqueles que vêem ter comigo e me aconselham a deixar a faculdade porque vou para o desemprego de qualquer forma, ou os que me querem obrigar a tirar a carta de condução à força, só porque já tenho idade ou, na loucura, são os clientes do café da minha mãe que, vendo-me aqui plantada,  insistem em dizer que eu posso ir dar uma volta. Ora, a sério? Era mesmo da aprovação dos estranhos que vêm cá tomar café que eu estava à espera para ir ali à praia dar um mergulho. É que depois de ouvir as barbaridades que eu oiço quase diariamente, fico a pensar se serei estranha por não me sentir no direito de querer mandar na vida dos outros. Então e também querem vir mastigar a comida por mim? Se calhar mastigo muito com o lado direito e era melhor começar a mastigar também para o esquerdo, só para o caso de os molares direitos estarem a ficar gastos. Não sei...

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:O
quarta-feira, 11 de setembro de 2013 || 11:27 da manhã

Hoje foi um dia marcante. Vi uma colega de secundário num cartaz promocional às autárquicas. Sim, uma rapariga da minha idade está a começar a carreira na política, estreando-se num outdoor do tamanho do mundo. Estamos a falar de uma das raparigas mais invulgares que já conheci - e não sei se digo isto num sentido positivo ou negativo. Se continuar assim vai sair-se bem na vida, mas até lá eu não sei se ria ou se chore. Acho que ainda estou em choque, pelo que sou capaz de demorar uns dias a decidir. Ainda assim, desejo-lhe tudo de bom, mais que não seja porque dá sempre jeito ter connects na política. Sinto-me demasiado crescida, quando é que o tempo passou tão depressa? Ainda ontem éramos todos adolescentes de 15 anos e agora as mesmas pessoas que eu vi cair na aula de E.F candidatam-se às autárquicas?





[Suse e Ika, só para o caso de estarem a dar voltas à cabeça, deixem-me dar-vos uma pista: sobrancelhas]



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double standards
segunda-feira, 9 de setembro de 2013 || 12:31 da tarde


Se achamos isto ridículo, porque "onde é que já se viu um homem nessas figuras?", também devíamos achar o original ridículo, onde são as mulheres que abanam o rabo, apaparicam os homens e se comportam como objectos sexuais. A sociedade faz-se de indivíduos, as mentalidades mudam-se uma pessoa de cada vez. Se até nós, mulheres compactuamos e achamos normal 80% dos videoclips se basearem em raparigas semi-nuas a roçarem-se umas nas outras e nos homens e a serem tratadas como objectos, como é que os padrões duplos e os sexismos dissimulados hão-de acabar? Não sou feminista, sou pela coerência, é diferente. Não sou (muito) púdica, não quero criticar a Miley, não quero ofender ninguém, só quero compreender como é que chegamos ao ponto de achar que isto é normal.

Video retirado do fantástico blog da Luna

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Extensão de mim
sexta-feira, 6 de setembro de 2013 || 8:29 da tarde

Há uns anos atrás a minha melhor amiga passou por um período complicado. Mesmo muito complicado. Tínhamos 13 anos na altura e caiu tudo em cima dela ao mesmo tempo. Entre as discussões com a mãe, o padrasto e o irmão, o pai bêbedo sempre com merdas, a pressão de ter 13 anos e ter que tirar boas notas e descobrir quem somos, o quase não dormir por passar o dia na casa da mãe e a noite na casa do pai, nos subúrbios, para acordar às seis e meia da manhã e estar em Lisboa às sete e meia, um desgosto de amor e o cansaço normal a rapariga entrou em colapso. 

Deixou de andar com o resto da turma, afastou-se de mim e do nosso grupo de amigos, sentava-se a dez metros de toda a gente, sempre calada e carrancuda. Respondia-me mal. Sempre. Evitava conversas, odiava toda a gente. Não permitia a ninguém ter pena dela, expressava raiva, nunca tristeza ou vulnerabilidade, a minha miúda sempre foi uma guerreira. Dizia que estava bem. Sempre. Quase me batia cada vez que eu lhe perguntava se estava tudo bem. O que é normal, porque claramente não estava e eu lembrava-a disso dez vezes por dia, ao perguntar como é que ela estava. Na altura não percebi isso, fiz o melhor que pude, lutei contra ela, não a deixei alienar-se também de mim. Lembro-me que, às vezes, dizia-lhe coisas como "essas calças ficam-te mesmo bem" e ela gritava-me de volta "epá, já usei estas calças imensas vezes, só te lembraste disso agora? Porque é que me estás a dizer isso agora?". E eu respirava fundo, pedia desculpa e continuava a andar atrás dela,  com passos calmos e em silêncio, a dizer aos outros que tivessem paciência, a sentar-me junto a ela, muitas vezes contra a sua própria vontade, a passar intervalos e tardes ao lado dela, quase em silêncio, a chama-la para se sentar com o resto dos nossos amigos, a ordenar aos nossos colegas que parasse no momento em que abriam a boca para a criticar. Algumas vezes tínhamos conversas normais, comentávamos os rapazes que passavam, falávamos da vida dos outros, da nossa vida, das aulas, etc. Outras vezes ela preferia o silêncio, ficava mais irritada e mudava de tema. Fazia-me sinal para irmos embora se visse que estava alguém conhecido prestes a vir cumprimentar-nos- Bufava. Muito. Revirava os olhos. Escondia a cabeça nos braços e fechava os olhos. Nem assim deixámos de passar, no mínimo 9 horas juntas, todos os dias. 

Eu fiquei sempre com ela. Foi das alturas mais complicadas da nossa amizade. Nem sempre ela me tratou bem, mas por alguma razão eu não conseguia desistir dela. Não fui capaz de não perguntar se ela estava bem, mesmo sabendo que ela ia gritar que não lhe perguntasse isso, nem de me sentar ao pé dela e puxar conversa, mesmo quando ela não queria conversar. Muitos intervalos, quando a via andar à volta da escola, sozinha e de phones, colocava-me ao lado dela, se ela quisesse falar eu falava, caso contrário andávamos em silêncio, com um ou outro comentário ocasional. Nunca fui capaz de desistir dela, porque sabia o quão mal ela se sentia, porque era como abandonar uma parte de mim. Eu sou uma pessoa orgulhosa, não dou o braço a torcer, não me humilho, não mostro a quase ninguém quando estou mal e nunca, em situação alguma, permito que me tratem mal. Com ela foi diferente. Sempre foi diferente. Chegaram a perguntar-me como é que eu não me zangava com ela e eu sorria e respondia que aquilo ia passar, que não era propositado, que ela estava só a tentar sobreviver e descarregava em mim porque sabia que eu a ia abandonar. Foram muitas as vezes em que por pouco não lhe dei duas chapadas, foram ainda mais os momentos em que só me apeteceu virar-lhe as costas e deixa-la sozinha, mas nunca fui capaz. Porque sabia que por muito doloroso que fosse para mim, era mil vezes pior para ela e ninguém merece passar por tanto sofrimento sozinho. Muito menos uma irmã. 

Passaram seis anos e eu nunca me arrependi de ter passado o que passei por ela. Não ficou uma única mágoa da minha parte, um único ressentimento, porque nunca fui capaz de me zangar a sério, mesmo quando o discurso dela não era propriamente simpático, mesmo quando ela me odiava por não desistir dela, mesmo quando as 9 ou 10 horas que passávamos juntas eram complicadas.  Os problemas passaram e o esgotamento dela passou com eles. A nossa amizade continua forte como uma rocha, somos completamente à prova de bala. Nada nem ninguém se mete entre nós. Hoje em dia sou eu que estou um pouco mais ausente, que passo por momentos mais complicados e ela apoia-me exactamente como eu a apoiei há uns anos atrás. Ela foi tia há dois dias e a minha felicidade foi tão grande que quase me tornei tia por extensão. Todos os dias agradeço a Deus não ter desistido dela, porque não ter desistido dela foi a melhor coisa que poderia ter feito por mim. 

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momentos de insanidade
quinta-feira, 5 de setembro de 2013 || 7:51 da tarde

Percebes que talvez não sejas a única pessoa estranha quando decides criar um blog privado só para desabafos que não podes publicar no blog principal sob a pena de o transformar num espaço tipo poço de tristeza meets muro das lamentações e pensas que o nome perfeito para a coisa seria Uivos. A rir-te da tua própria estupidez, tentas criar o tal blog mas percebes que já existem imensas pessoas com blogs chamados uivos e que os links que contêm a palavra estão todos ocupados e ris ainda mais, desistindo da ideia e indo uivar para uma página de word. Acabas por criar o tal blog, mas com um nome ainda melhor que consegue ser uma alusão excelente a Harry Potter e muito mais preciso sobre o seu conteúdo deprimente.




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invasão de vegetarianos
quarta-feira, 4 de setembro de 2013 || 8:38 da tarde

Quem diria que a minha melhor amiga acabaria por se tornar vegetariana. Estamos a falar da mesma pessoa que, há uns tempos atrás, me convidou para ir jantar com ela a um restaurante que serve rodízio de carne e, para se guardar para a refeição, mal almoçou e não lanchou, nesse dia. Não satisfeita, antes do jantar ainda fumou uma ganza para ter mais apetite. O mundo dá voltas muito estranhas. Claro que o namorado novo contribuiu para esta mudança radical, mostrando-lhe vídeos de massacres de animais, como fazem todos os vegetarianos que querem converter gente ao vegetarianismo. O que mais me espanta nesta história, foi ele ter conseguido converter também o meu melhor amigo, o rapaz que, na minha opinião, teria ganho o prémio de a pessoa menos provável de se tornar vegetariana.  Agora é vê-los olhar para mim com o nariz torcido sempre que eu falo em ir a algum restaurante e a lançar-me comentários como "A única coisa que eu posso comer nesse restaurante é uma sandes de queijo". Estamos a falar de um rapaz que não gostava de vegetais e que comia cachorros quentes a meio da noite e de uma rapariga que dizia coisas como "Ok, eu admito, sou uma miúda de frango assado e de churrascos ao pôr do sol". Pffffff, não me interpretem mal, eu adoro vegetais, saladas, peixe grelhado, massas e afins, mas sabem as saudades que eu tenho de um bom jantar numa esplanada com os meus melhores amigos? Sabem o quão dificil é encontrar um restaurante que sirva comida que um vegetariano possa comer a um preço decente? Sugestões?


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crónicas das férias #7 carta aos italianos do norte
segunda-feira, 2 de setembro de 2013 || 1:13 da tarde

Amigos,

eu gosto de vocês e tudo e tudo. Sabem que a minha paixão por italianos é fogo que arde há já muitos anos e que sou menina para andar nas ruas de Itália com uma expressão de êxtase permanente tal é a minha felicidade por ter o privilégio de ir a um sítio tão bonito e acolhedor. Dito isto, que merda é essa de vocês ainda usarem sanitas turcas? Que eu saiba não são turcos e a era dos buracos para fazer necessidades já acabou há muito, aqui na Europa. Não levo ressentimentos, todos erramos, mas vejam lá se corrigem isso antes da minha próxima visita, eu sei que não parece, mas até sou uma mulher decente e não me apetece muito andar de perna alçada e rabo ao leu sempre que tiver a bexiga cheia.


Obrigadinha,

Anaa

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meu querido mês de Agosto [estou em negação, odeio setembro]
domingo, 1 de setembro de 2013 || 9:25 da tarde

O melhor amigo da minha mãe, que vive no Luxemburgo e passa sempre o mês de Agosto em Portugal, tem a mania irritante de dizer "palavra de honra" no inicio ou no fim de cada frase. Isso, juntamente com as expressões francesas conjugadas em português ("A minha mulher passou um mês a 'replaçar' uma colega italiana." " Não corras tão en vite"") torna muito difícil eu não me rir nos primeiros dez minutos e não ter vontade de fugir a partir daí. Ajudava tanto se ele não se fizesse acompanhar por uma comitiva de três filhos para todo o lado e se não saltasse à volta da minha mãe como um cão excitado...

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