Write loud and clear about what hurts

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Se conseguisse descrever-me em poucas palavras não tinha criado um blog. Desde 2009 a escrever sobre pedaços aleatórios de vida e histórias mirabolantes. Para questões, sugestões ou dúvidas existenciais, ana_bmd@sapo.pt




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“Home is Where the ♥ is”
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Home is where the hotties are [vamos lá aproveitar este bom tempo para embelezar o blog]
domingo, 30 de junho de 2013 || 2:52 da tarde




Shane West
35 anos, EUA
A Walk to Remember, ER (Serviço de Urgência), Nikita

Talvez assim não pareça particularmente sexy, mas escrevam "Michael Nikita" ou "Mikita" no youtube e depois falamos. Não se vão arrepender. Conheci-o em Nikita, onde desempenha um dos organizadores de uma agência secreta americana que treina recrutas para missões de alto risco que envolvem todos os tipos de crimes graves. O actor é muito giro, a personagem é ainda mais sexy, o enredo é muito bom (e olhem que eu detesto filmes de acção e tiros para aqui e para acolá!) e o cast é mesmo muito talentoso. Se o Shane West e uma plot muito boa não são razão suficiente para vos pôr a ver Nikita, talvez ajude saberem que as co-protagonistas são a Maggie Q e a Lindsay Fonseca (sim, ascendência portuguesa). 

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random
sábado, 29 de junho de 2013 || 12:04 da tarde

Um amigo que eu não vejo há imenso tempo adicionou-me no facebook. Na altura eu era muito nova, tinha só 13 anos e ele parecia-me adulto. Agora sei que, quando eu tinha 13 anos, ele tinha a idade que eu tenho hoje e que se calhar não era assim tão adulto como os meus olhos o viam. Segundo o facebook dele, ele está a trabalhar como advogado na Phillips, na Holanda, tem uma licenciatura em Direito pela Universidade de Lisboa e um mestrado em Direito Internacional de Negócios por uma faculdade Holandesa e é candidato a um doutoramento e orientador de mestrado de actuais alunos do mestrado que ele fez há uns anos. Fico muito feliz por ver que uma pessoa de quem gosto e com quem me cruzei está a ter tanto sucesso, com uma carreira excelente para alguém tão novo, uma namorada linda, uma boa casa e tudo mais e desejo do fundo do coração que as coisas continuem a correr-lhe assim ou, se possível, ainda melhor, mas, simultaneamente, bate um medo e uma tristeza por pensar no estado actual do país e uma incerteza quanto ao meu próprio futuro.

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Problemas linguísticos
sexta-feira, 28 de junho de 2013 || 12:03 da tarde

Os meus avós continuam a insistir em dizer coisas como "selada" (salada) "chechi" (chichi), "iAna",(Ana ou qualquer outro nome próprio que comece por A) "espinabos" (espinafres), ao cabo (à ponta/na esquina) etc. A lista continua e é ridiculamente grande, principalmente se tivermos em conta que já vivem em Lisboa há 50 anos. Acho que os meus olhos saltam se eu os revirar outra vez por me chamarem Iana. Simultaneamente, o meu avô parece ter uma tendência natural para dizer a palavra "côdeas". Sim, côdeas de pão. Juro-vos que num mês ele consegue arranjar mais oportunidades para dizer esta palavra do que eu arranjaria em dez anos, chega a ser perturbador a quantidade de vezes que eu estou a fazer qualquer coisa e oiço "côdeas" no meio de uma conversa perfeitamente normal. Principalmente porque a palavra não é aplicada ao acaso, faz sempre sentido no contexto. A questão é, quantos contextos mais podem existir para dizer "côdeas"? 

Enquanto eu aguento estes duros golpes da vida, a minha mãe parece ter bloqueios cerebrais graves. Este mês já lhe expliquei quatro vezes o que é o efeito placebo, mas sempre que ouve a palavra, ela insiste em perguntar-me mais uma vez o que é. Ontem chegou mesmo a contar uma situação em que tinha dado um comprimido para as dores ao meu pai, fazendo-o pensar que era um comprimido para dormir e que ele dormiu que nem uma pedra porque pensou que os químicos estavam a fazer efeito. Quanto lhe perguntei como é que se chamava o que ela tinha acabado de fazer, a pobre mulher olhou para mim, inclinou a cabeça como os cães fazem quando estão confusos e disse que já não se lembrava. Também acontece ela perguntar-me o significado de palavras muito simples, tipo "confortável", "antropologia", etc, mas, felizmente, no dia seguinte já lhe passou a parvoíce e sabe o significado de todas as palavras simples que me perguntou no dia anterior. Acho que prefiro que ela me pergunte este tipo de coisas do que se ponha a inventar nomes alternativos para as partes intimas femininas. Infelizmente isso acontece muito frequentemente e saem coisas como "Maria Inácia", "Maria Frufru", "Flor", "Pompeia", etc. 

Eu já teria ficado muito preocupada com o estado da minha família, se não descesse a rua e fosse à casa da minha melhor amiga, onde a mãe dela parece usar a palavra "antropologia" em todos os contextos possíveis e imaginários. Estão a ver o meu avô com a palavra "côdeas"? É do género, mas sem conseguir usa-la correctamente já que, na verdade, a senhora não sabe o que significa antropologia. Diz coisas do género: "A antropologia deste frigorífico está toda avariada" ou " As minhas filhas não percebem a antropologia do amor". A mim resta-me tentar conter o riso, afinal, isto é tudo uma questão de "antropologia" linguística. 





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post de gaja
quarta-feira, 26 de junho de 2013 || 11:29 da manhã

Não sei muito bem o que é que se passa com o meu cérebro. Depois de ter desenvolvido uma panca descomunal pelo Carlos da Casa dos Segredos (e ele nem fazia o meu estilo!) eis que me ponho a ver o Big Brother Vip e começo a achar o Kapinha muito sexy. Isto é a prova de que algo está errado comigo. 

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O trauma da invisibilidade. Ou a panca que se me meteu na cabeça.
domingo, 23 de junho de 2013 || 10:48 da tarde




Um dos meus problemas é que penso sempre que as pessoas não se vão lembrar de mim. É uma espécie de trauma que me acompanha desde a adolescência, pois quando era mais nova - e ainda hoje - muitas vezes passava despercebida ou tentava fazê-lo e, por essa razão, era frequente as pessoas não se lembrarem de mim se me reencontrasse ao fim de algum tempo. Por vezes não passava despercebida propositadamente, o que me levava a ficar incomodada quando não me reconheciam, não me falavam ou não se lembravam de mim. Habituei-me a esperar que as pessoas não me fossem reconhecer, mesmo quando falávamos ou eu me lembrava claramente delas, e ainda assim não consegui evitar algumas desilusões e o sentimento de invisibilidade por vezes aborrecia-me bastante, pensei muitas vezes se o problema era meu, se era uma pessoa desinteressante e insossa ou se, por alguma razão, era detestável ao ponto de as pessoas me ignorarem. Hoje, calculo que o problema fosse meu, não por ser assim tão desinteressante mas por ser tímida e reservada e nem sempre mostrar a minha personalidade a recém-conhecidos. Ainda assim, apesar de os anos terem passado e de eu ter crescido, continuo sempre à espera de que as pessoas com quem troquei apenas algumas palavras ou que vi apenas um par de vezes não se lembrem de mim. Mesmo que eu me lembre muito bem delas, não posso contar o número de vezes que enviei uma sms a um colega e ele me respondeu com um "quem és?" ou que uma pessoa que eu reconhecia sem dificuldades não me falava na rua porque não me reconhecia ou não se lembrava de mim. Habituei-me a esperar que não me conhecessem apesar de saber que isso é uma expectativa parva e que já não tenho 12 anos há muito tempo. O problema, ou a solução, é que hoje em dia as pessoas costumam lembrar-se de mim. A minha personalidade continua muito semelhante àquilo que sempre foi, mas entretanto as minhas mamas cresceram, tornando muito mais fácil para as pessoas lembrarem-se da minha cara. Ou talvez não, nunca saberei. Assim, fiquei extremamente surpreendida quando o primo da minha melhor amiga (casado e pai de filhos) veio ter comigo no baptizado, no último Domingo, e me cumprimentou com um abraço, não perdendo a oportunidade para me assediar. Já não fiquei tão surpreendida quando, umas horas mais tarde, veio sentar-se ao meu lado no sofá com conversas que eu dispensava ouvir. Nesse momento desejei continuar meia invisível, mas as coisas não podem ser e não ser ao mesmo tempo, ou somos completamente visíveis ou completamente invisíveis. Não me apercebi do momento em que me tornei visível e abandonei a capa com a qual me protegia dos outros. Acho que nunca a abandonei completamente, mas algures a meio do caminho tornei-me alguém de quem os outros se recordam e isso é muito bom. O próximo passo é conseguir deixar de ser assediada por calceteiros e lésbicas assustadoras e passar a ser assediada por homens decentes. Ou, à falta de homens, mulheres decentes, que isto são tempos tenebrosos, não podemos ser muito esquisitos. 

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Pilares da nossa amizade
sábado, 22 de junho de 2013 || 2:06 da tarde

S. a descrever os rapazes da turma dela:
- Um parece um urso. É enorme, tem a cara super redonda e mais pelo do que um urso a sério. E, para piorar a coisa, é fã das praxes, parece que vive para aquilo. Foi o primeiro a comprar o traje, participa na tuna, parece um animal autentico.
- Outro é alternativo, tipo a Lena (nossa amiga comum), mas é muita feio. A sério, tem uma cara toda deformada, é muito estranho. É que é mesmo feio e mesmo estranho, parece que tem uma deficiência qualquer, mas acho que não é esse o caso. Não sei, parece que quando era criança um cão lhe abocanhou a cara e ele ficou assim.



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Dias importantes!
sexta-feira, 21 de junho de 2013 || 11:21 da manhã

Diz que hoje é o solstício de Verão. Com este tempo ranhoso vou ficar em casa e começar, finalmente, a ler a trilogia O Senhor dos Anéis. Cheira-me que quando acabar de a ler o Verão ainda não chegou...

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quarta-feira, 19 de junho de 2013 || 4:16 da tarde

Depois de me ouvir dizer à mãe que eu estava a dar explicações de preparação para o exame de Português a três estudantes do décimo segundo ano, um rapaz de onze anos perguntou-me se lhe podia dar, também, explicações de preparação para a prova global de português, que é já amanhã. Disse-lhe que sim e até vim à net informar-me da gramática e literatura que se dá no sexto ano. Lá chegou ele, munido do seu livro de preparação para a prova e qual não é o meu espanto quando ele me explica que não tem dúvidas nenhumas a interpretar textos nem a fazer exercícios de gramática. Afinal, o problema dele são as composições, diz que tem demasiadas ideias e que está sempre a riscar o que escreveu porque a meio do texto lembra-se de uma ideia melhor. O pessoal a quem dou explicações costuma sair-se bem, consigo explicar-lhes obras literárias, consigo tornar a gramática um bocadinho menos complicada, até sou capaz de ensinar um rapaz de onze anos aquilo que ele já está farto de saber, que todos os textos devem ter título, introdução, desenvolvimento e conclusão e que devemos pensar muito bem naquilo que queremos dizer antes de passar as nossas ideias para o papel, mas por muito boa vontade que eu tenha, não sou capaz de pôr um freio na imaginação agitada de um pré-adolescente. A modos que tenho um rapaz super concentrado ao meu lado, a tentar fazer um texto narrativo, completo e estruturado sobre um urso. Não sei se ria ou se chore, principalmente porque a verdade é que o rapaz não precisa de ajuda nenhuma e vai para a prova com uma média de 4 (5 nos textos!)  mas, tal como qualquer bom aluno no sexto ano, acha que ainda não está suficientemente bem preparado. 


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e o monstro dos momentos constrangedores volta a atacar.
terça-feira, 18 de junho de 2013 || 12:42 da tarde

Fui fazer a terceira sessão de depilação a laser. Não é coisa que eu goste muito de ir fazer, mas garanto-vos que é mil vezes melhor do que usar cera. Tanto em termos de eficácia como em termos de dor. Estou na sala de espera, a ver passar as pessoas numa das ruas mais movimentadas de Lisboa, quando uma senhora, também cliente, inicia uma conversa comigo sobre depilação de lábios vaginais. A sério? Podia falar comigo sobre quase tudo, eu sou amigável, mas falar de  lábios vaginais, depilação a laser nas partes intimas e as preferências do marido com uma desconhecida é levar a sociabilidade de uma pessoa ao limite. No fim da conversa, como que pare se desculpar por ter tornado aqueles cinco minutos muito mais longos do que o necessário, sorri em jeito de desculpa e acaricia as partes intimas enquanto olha para mim. O mais assustador é que a senhora tinha, claramente, idade para ser minha mãe. Eu mereço? Mas este tipo de coisas acontece a alguém que não seja personagem de uma série?

Retirada de uma das cenas de The Vampire Diaries

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Depois do dia de hoje...
domingo, 16 de junho de 2013 || 10:26 da tarde

Ateus que continuam a insistir em baptizar os filhos e em casar pela igreja são tão difíceis de perceber como os casais ateus que se casam pelas Noivas de Santo António, pelo civil. Se não acreditam em Deus e querem casar pelo civil porque é que insistem em casar no dia e numa cerimónia dedicada ao santo padroeiro dos casamentos e do namoro? Hoje estive num baptizado com pessoas que adoro mas que não só não sabiam fazer o sinal da cruz como passaram a Missa inteira a bufar e a desesperar para que "mandassem a porra da água e do óleo para a cabeça da miúda" e  acabassem com aquilo depressa. Não acreditar em Deus é tão válido como acreditar. Ser Islâmico é tão válido como ser católico e isto é ponto assente para mim. O que não me cabe muito bem na cabeça é a razão que leva pessoas que criticam a igreja e não acreditam nos ideais defendidos pelo catolicismo a optar por uma cerimónia religiosa séria ao ponto de envolver um sacramento. 

Mosteiro de S.Bento, Itália, Lindo que só ele, perdido no meio de uma serra italiana. 



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o terroooooooor
terça-feira, 11 de junho de 2013 || 11:34 da tarde

Se alguém souber onde posso comprar um parecido ainda vou a tempo de o estrear no mui nobre baptizado


Dia 16 vou a um baptizado. Não gosto de usar vestidos, a preocupação constante em manter a compostura e não mostrar partes do corpo que não devo não me deixam muito tempo para me sentir confiante e sexy, desculpem-me se tenho um problema. Odeio feiras de vaidades. Convenhamos, os pais da criança não são católicos e metade dos convidados são Testemunhas de Jeová, faz-me alguma confusão, enquanto católica, ver um sacramento religioso ser transformado numa ocasião para toda a gente sacar os vestidos do armário, calçar uns bons saltos altos e comer que nem um porco à custa dos pais da criança baptizada. A coisa safa-se por a minha melhor amiga ser tia da baptizada (se ela me apanha a chamar baptizada à sobrinha vamos ter problemas) e por a família dela ser espectacular para mim. Além disso é uma boa oportunidade para ir passear para a Malveira e passar uma noite numa vivenda gigante com mesa de matraquilhos e bilhar. A mãe da baptizada está grávida do segundo filho e faz barrigas assustadoramente grandes que me deixam stressada só de pensar como é que aquilo vai sair cá para fora, desculpem-me se tenho outro problema. (Já vos disse que gravidezes e partos me causam ansiedade? Pois...). Tenho dois vestidos que posso levar à cerimónia. Um deles é demasiado chique e o outro demasiado simples. Para melhorar a situação, tenho a depilação a laser a meio, o que significa que não estou completamente sem pelos, mas também não os posso arrancar, só cortar com uma gilete. Como o tempo tem andado uma porcaria, há grandes probabilidades de eu me apresentar com um vestido curto e as pernas cor de lixívia e mal depiladas. Estou a rezar para que nesse dia esteja frio para eu poder levar collants sem parecer estranah. No dia seguinte a minha melhor amiga tem exame nacional de português, se os professores fizerem o favor de aparecer, claro, o que significa que me espera uma noite quase sem dormir. Perante isto, coloco-vos três perguntas:


1 - O que é que eu ofereço como prenda de baptizado? (Para além da minha presença e da visão maravilhosa das minhas pernas!)
2 - Levar sapatos azulados com um vestido azul é too much? Será que fico mais decente com sandálias castanhas? Falem comigo, fashionistas. 
3 - Se eu tirar uma foto com a minha melhor amiga vamos transformar-nos num daqueles clichés de eventos familiares? 

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filha do padeiro
segunda-feira, 10 de junho de 2013 || 2:09 da tarde

A minha mãe contou-me que o meu pai trabalhou uns meses como padeiro, antes de ter ido para a Alemanha e se ter tornado gerente e empresário. Claro que passei metade do fim de semana a dizer "Afinal sou filha do padeiro". Acho que é nestas alturas que ela agradece a Deus não ter mais filhos. 

(E agora um assunto completamente diferente: gostam da nova foto de fundo do blog? Acham que está muito escuro?) 

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Pilares da nossa amizade
sábado, 8 de junho de 2013 || 12:28 da tarde



A minha melhor amiga telefonou à mãe, que tinha saído cedo para ir trabalhar, a perguntar se eu podia ir lá almoçar. Entretanto, a mãe dela começa a fazer perguntas parvas que só o instinto maternal leva uma mulher que saiu de casa há duas horas a fazer. À quarta pergunta que a mãe lhe fez sobre o irmão ela não aguentou mais e deu-lhe uma resposta sarcástica. O pai do miúdo estava em casa e acho que nem ele conseguiu não se rir. É por este tipo de reacções que eu acho que somos tão amigas.

Mãe - Então e o teu irmão?
MA - Está no quarto a jogar PSP.
Mãe - E ele já tem fome para almoçar?
MA - Já, vou fazer agora o almoço para nós os três.
Mãe - Ele não tem frio? Não o deixes ir para a rua, está a chover!
MA - Epá, o miúdo está em casa, sentado em cima da cama com uma manta ao lado, se tiver frio tapa-se, ele não é parvo.
Mãe - E ele está bem?
MA - Claro que está. Estavas à espera de quê? Não, deu-lhe uma travadinha e anda com o queixo caído e a arrastar a perna. Alías, acho que vou mesmo uma trombose, só ainda não o levei à Estefânia porque está a chover e não quero que ele tenha frio.

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Life Changing Moments III (e eis que ela volta a falar de Roma)
quinta-feira, 6 de junho de 2013 || 3:00 da tarde

Ir a Roma pela primeira vez foi, sem dúvida, um daqueles momentos que eu vou relembrar para o resto da vida. Tinha eu 12 anos, era a primeira vez que saía de Portugal, que viajava de avião e que viajava em grupo - e com um grupo de pessoas de quem eu gosto tanto. Chegar a Roma foi diferente de chegar a qualquer outro sítio e ainda hoje não sei bem porquê. Sei que senti uma lágrima escorrer pela bochecha direita ainda antes de sair do aeroporto, que nunca em outra cidade me senti tão em casa. Eu adoro Lisboa, adoro viver em Lisboa,e não a trocava por outra cidade, mas Roma recebeu-me de uma forma tão singular, tão especial que deixei lá um pedaço do meu coração. Conhecer Roma (Itália, no geral) foi como redescobrir um baú com recordações de um tempo muito feliz que há muito tinha esquecido, o que é altamente improvável, porque nunca tive qualquer contacto com Itália, não tinha ninguém na família que falasse italiano e, nessa altura, ainda não tinha nenhuma panca especial com o país e a cultura. Conhecer Roma foi melhor do que conhecer qualquer outra cidade até hoje, à excepção de Medjugorje, na Bosnia, onde vive outra pequena parte do meu coração. Quando lá voltei, há dois anos, cheia de saudades da língua, da cultura, da cidade, dos monumentos, dos italianos, dos piropos, dos croissants com recheio de pêssego, dos cappuccinos, da Piazza Navona à noite, das Pizzas, dos gelados, do flirt, das sobremesas, das massas intermináveis, dos turistas, das ruínas, das 920 igrejas espalhadas pela cidade, das sete colinas romanas, das fontes, das freiras e padres, das vespas, da condução louca dos italianos, etc, tive medo de ter inventado metade das sensações, tinham passado seis anos e eu tinha mudado entretanto. Voltei a aterrar em Roma ao final da manhã, voltei a sentir-me em casa, voltei a sentir uma lágrima escorrer pela bochecha direita ainda antes de sair do aeroporto, voltei a comer os coissants com recheio de pêssego, a falar todas as línguas que conheço com sotaque italiano, a ver as fontes, igrejas e monumentos, a falar com os guardas suiços que nunca falam com ninguém, a perder-me no Vaticano, a emocionar-me na capela sistina e à frente da Pietá. Voltei a ser assediada por empregados de mesa giros e a invejar as mulheres que mantêm a compustura ao andar de vespa com saltos altos e vestidos curtos. Voltei a sentir tudo outra vez, de forma tão avassaladora como antes e foi aí que tive a certeza que ir a Roma foi um daqueles momentos que mudou a minha vida. Este ano, há uma pequena possibilidade de voltar a Itália, mas desta vez, sem passar por Roma. E só eu sei as saudades que já tenho dos meus italianos (e das ruas de Roma). 



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Life Changing Moments II
segunda-feira, 3 de junho de 2013 || 11:02 da manhã

Ainda meio a propósito do post anterior, dei por mim a pensar nos momentos fulcrais da minha vida. Aqueles que, de uma forma ou de outra, tiveram um peso decisivo na construção da pessoa que sou hoje. Curiosamente, cheguei à conclusão que alguns dos meus life changing moments (passo a expressão em inglês, mais poética do que a correspondente portuguesa) se prendem com a perda. Acredito que sempre que perdemos alguém de quem gostamos muito, perdemos um pedaço de nós. O meu pai morreu e com ele morreu uma parte importante da minha infância. Os meus padrinhos emigraram e um pedaço da minha adolescência emigrou com eles. Uma das minhas melhores amigas mudou de cidade e o meu sorriso ainda está algures com ela, por esse Portugal. Quando a minha mãe emigrou a minha alma passou a estar dividida entre Portugal e o Luxemburgo e o meu sorriso tornou-se uma sombra daquilo que era. Quando ela voltou, o pedaço que me faltava voltou com ela e eu voltei a ser (quase) completa. Quando perdi o meu avô, ou melhor, quando perdi a relação que tinha com o homem que era quase um herói para mim, uma parte da pessoa que eu era desapareceu e hoje sei que nunca mais vai voltar. Como disse a Polo Norte, do quadripolaridades, quando perdemos alguém aprendemos a viver com a alma amputada. E isso é life changing, isso molda-nos e, melhor ou pior, tem efeito na pessoa em quem nos transformamos. Não acredito que o que não nos mata nos torne mais fortes. Não acho a minha mãe mais forte por ser viúva, não me acho mais forte por ter perdido - como todos nós - partes importantes de mim. Aprender a sobreviver é importante, sobreviver a uma tragédia, a um desastre, a um período difícil é life changing. Não sou uma pessoa desgraçada, nem tão pouco tive uma vida particularmente dificil, mas todos os momentos de perda aos quais sobreviver tiveram um impacto grande na pessoa que sou hoje. Não só em termos logísticos, como em termos emocionais. 

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