Write loud and clear about what hurts

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Se conseguisse descrever-me em poucas palavras não tinha criado um blog. Desde 2009 a escrever sobre pedaços aleatórios de vida e histórias mirabolantes. Para questões, sugestões ou dúvidas existenciais, ana_bmd@sapo.pt




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“Home is Where the ♥ is”
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mood para os próximos quatro dias
quarta-feira, 31 de outubro de 2012 || 10:22 da tarde






Depois de duas semanas de loucos, duas frequências no mesmo dia, dias inteiros sem comer e muuuuito stress estava mesmo a precisar deste fim de semana prolongado. 

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flashback
sábado, 27 de outubro de 2012 || 8:11 da tarde

Acabei de receber uma sms da minha professora do terceiro ano, a perguntar como é que eu estava e se tinha entrado na faculdade. Ocorrem-me vários pensamentos. O primeiro é que tive a sorte de encontrar inúmeros professores fantásticos ao longo do meu percurso académico e que, cada um deles, contribuiu um pouco para a pessoa que sou hoje e me ensinou algo que ainda recordo e me é útil. Lembro-me que foi no terceiro ano, com esta professora excelente que eu descobri que eu própria queria ser professora. Em seguida, para lhe responder à pergunta "E os teus colegas?" tive que olhar para uma fotografia da minha turma do terceiro ano, para ter a certeza que não me esquecia de ninguém e foi com grande tristeza que constatei que numa turma de 20 alunos, só eu e outra rapariga estamos já na faculdade. Claro que há mais três ou quatro pessoas que estão a fazer melhoria de notas ou que chumbaram um ano mas pretendem ir para a faculdade e estão a acabar o secundário, mas ainda assim, a esmagadora maioria dos meus antigos colegas não vai lá chegar, não porque não tenham capacidades mas porque, pura e simplesmente, não querem saber. Se por um lado é engraçado ver que nos últimos dez anos cada um de nós fez um percurso completamente diferente e mudou e evoluiu imenso, também é muito triste perceber que nem todos esses percursos nos levaram a sítios bons. 

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este é um daqueles posts que eu escrevo com boas intenções mas que gera polémica sobre coisas que não o seu assunto central
sexta-feira, 26 de outubro de 2012 || 3:15 da tarde

Já disse, muitas vezes, que a minha relação com a humanidade é ambígua. Já vi o Ser Humano no seu melhor e no seu pior [e para os anónimos que se preparam para vir para aqui dizer que não sei nada da vida porque só tenho 18 anos, cut the crap] e sei que as pessoas são capazes de fazer as melhores coisas e, nos segundo seguinte, ter os comportamentos mais horríveis. Geralmente tenho uma atitude pessimista em relação à sociedade, mais depressa espero o mal do que o bem. Porém, são as excepções que fazem a regra e eu não me canso de falar das pessoas fantásticas que se cruzam no meu caminho. Não por serem poucas - que são! - mas por serem infinitamente mais importantes do que as centenas de pessoas péssimas que conhecemos. Sei bem que basta uma hora infelicidade para estragar 23 de felicidade. O mesmo acontece com as pessoas. Basta alguém maldoso e com mau carácter intrometer-se no nosso caminho para ficarmos zangados e desiludidos. Se as pessoas que não valem a pena são importantes, na medida em que nos ensinam a proteger e a criar mecanismos de sobrevivência, as pessoas que valem a pena são infinitamente mais importantes, porque nos ensinam a ter esperança e a não deixar de ser bons só porque estamos rodeados de pessoas péssimas. (e o conceito de "bom" e "mau" é relativo e eu não os uso como uma espécie de oposição anjo-demónio, porque ninguém é tão bom que seja perfeito nem tão mau que seja horrível, para mim, as coisas não são pretas ou brancas, são cinzentas).

Há uns tempos conheci dessas raras pessoas, que além de serem fantásticas têm genuinamente bom coração. (É raro encontrar alguém que tenha bom coração e seja, simultaneamente, fantástico. E, mais uma vez, o conceito "fantástico" é muito relativo, por isso quando o uso refiro-me àquilo que é fantástico para mim, àquilo que é ser uma pessoa fantástica segundo o meu ponto de vista). Conversei com essa pessoa que, aqui no blog, será o PM e desabafei com ela uma série de coisas que estavam e estão a acontecer na minha vida e senti-me verdadeiramente compreendida. Acontece que, por acaso, o PM é padre, mas isso é completamente irrelevante para esta história porque ser padre/freira/etc não tem absolutamente nada a ver com a) ser boa pessoa b) ser uma pessoa fantástica e, mesmo sendo crente, tenho essa noção muito clara na minha cabeça. Ora, hoje, cerca de dois meses depois, recebi um mail do PM a perguntar se está tudo bem e a dizer que se tem lembrado de mim e rezado para que tudo me corra bem. Acho fantástico que após dois meses e tendo falado comigo apenas uma vez alguém se lembre de me mandar um mail a perguntar se está tudo bem e se preocupe ao ponto de desejar que tudo corra bem. 

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se calhar a minha vida dava mesmo um blog.
quarta-feira, 24 de outubro de 2012 || 7:31 da tarde

Os meus colegas da faculdade dizem que a minha vida é super interessante e que me acontecem coisas engraçadas e dignas de contar num blog quase todos os dias. Claramente só me conhecem há um mês e ignoram o período da minha vida - que é cerca de 85% do meu tempo - que eu passo na faculdade, a estudar ou a fazer qualquer outra coisa por obrigação e não por prazer. Claro que, de vez em quando, lá me acontece alguma coisa surreal que valha a pena contar aqui, o que acaba por não ser assim tão anormal visto que sou uma cidadã Lisboeta que usa os transportes públicos com regularidade. O facto de eu me ver metida em situações que não lembram a ninguém também está directamente relacionado com a minha matrícula na disciplina de Espanhol (hoje a conversa girou à volta do BDSM e o professor perguntou a uma colega minha se ela gostava de homens submissos, assim, de uma forma directa como só um espanhol poderia fazer, mas isso não me aconteceu a mim, por isso não é para aqui chamado).
   Ora, hoje, enquanto vinha no autocarro a pensar que não me tinha acontecido absolutamente nada digno de registo, é com grande espanto que vejo um homem (notava-se perfeitamente que o senhor tinha uma doença mental grave e potencialmente perigosa, possivelmente esquizofrenia) tirar da mala um objecto que, na altura, me pareceu um foguete ou um objecto explosivo do género. Claro que eu não acreditei mesmo que ele fosse explodir com o autocarro, porque, parecendo que não, ainda reina aqui algum bom senso, mas confesso que estive ali um minuto a ponderar seriamente sair do autocarro enquanto podia. Claro que depois vim a descobrir que eu é que estava a ficar paranóica e que aquilo era só uma bomba de encher pneus do benfica, mas juro-vos aquela alternância entre um olhar obcecado dirigido ao raio da bomba e a expressão de loucura com que que olhava para o resto das pessoas que estavam no autocarro, como se fosse rebentar com elas daí a um segundo não era muito tranquilizante. E, pelos vistos não fui a única a pensar isso, porque uma senhora idosa fez questão de se sentar quase ao meu colo para ficar o mais afastada possível dele. E antes de me dizerem que sim, realmente ando a estudar de mais e isso já se nota nas minhas funções cognitivas, digam-me lá, quem é que tira uma bomba de encher pneus da mala no meio de um autocarro e fica a contempla-la durante longos períodos de tempo?!

(um dia falo-vos de como adoro a Meredith Grey e a Christina Yang)

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What happens in Vegas stays in Vegas
domingo, 21 de outubro de 2012 || 10:08 da tarde

Sempre achei piada a essa teoria, porque nunca acontece. Não podemos esperar que as pessoas ignorem as suas afinidades e não acabem por contar tudo o que aconteceu ao namorado, à melhor amiga ou à prima. Já vi muitas situações acabarem muito mal por coisas que "não vão sair daqui" e hoje, mais uma vez, contaram-me que uma situação que não podia sair de um círculo muito restrito de pessoas - para bem de muitas amizades  - chegou aos ouvidos de alguém que era imperativo que não tomasse conhecimento. Eu até me ria, pois já previa que as coisas fossem acabar desta forma, mas estamos a falar de algo que vai causar problemas a pessoas que eu adoro, por isso fica o conselho, nunca acreditem que o que acontece em Vegas fica em Vegas. 

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porque felizmente a silly season não dura para sempre.
sábado, 20 de outubro de 2012 || 9:14 da tarde

Penso que aquilo que mais gosto na maioria das séries "para adolescentes" é que não são tão más como dizem. Regra geral, o que é dirigido a esta faixa etária tem má fama. Se muitas vezes são, realmente, materiais que deixam muito a desejar em termos de qualidade, outras vezes são surpreendentemente bons. É o caso de Vampire Diaries (e de Harry Potter!), que além de ser uma série sobre vampiros é uma série dirigida a um publico jovem - duplo estigma.  Acontece que, talvez por eu ser adolescente, Vampire Diaries é uma das melhores séries que eu já vi e que, ironicamente, retrata os sentimentos humanos com uma veracidade assustadora. Não gosto de vampiros e confesso que comecei a ver a série devido à protagonista (Nina Dobrev) e rapidamente fiquei completamente agarrada, não só porque os actores são (quase) todos muito bons como a série é muito mais do que uma produção sobre o mundo sobrenatural, pois se assim fosse além de fraca seria uma imitação das mil e uma séries que já existem sobre esse tema. 

Digo isto porque sei que a maioria dos meus leitores não vê a série e precisava de uma introdução ao video aqui em baixo, que contém um monologo (tecnicamente não é um monologo) de uma das personagens mais complexas e interessantes que protagonizam as séries da actualidade. E, tendo noção que a série não faz o género de toda a gente, não pude deixar de partilhar esta cena, tão comovente e tão sincera que me deixou arrepiada. Assim, não olhem para a série com preconceito só porque a premissa contém vampiros. Eu não olhei e apaixonei-me completamente pela riqueza de personagens e pelo enredo. 

(esta cena acontece numa altura bastante complicada, em que a maioria das personagens - incluindo o giraço do video - está a tentar gerir a perda de alguém muito importante. Enquanto os outros decidem lançar lanternas flutuantes para o céu, o Damon vai "desabafar" com o melhor amigo, que também morreu recentemente. )

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eu sou suspeita, uma vez que a trato por "a rainha"
sexta-feira, 19 de outubro de 2012 || 12:48 da manhã

vou, finalmente, pegar no novo livro da Rowling. Não sou particularmente fã de política e, provavelmente, se lesse a sinopse da obra sem olhar para o autor não o compraria. Mas a Rowling é uma escritora brilhante (e sim, eu dou-me ao trabalho de ler "teoria da literatura" de Harry Potter e quando mais análises leio e mais pormenores descubro mais me convenço que nada na saga foi escrito ao acaso) e acredito que qualquer obra que saia das suas mãos será, no mínimo, muito boa. Além disso estou curiosa para saber o que é que ela entende por "romance para adultos". Por enquanto estou entusiasmada, apesar de ter a certeza que nada poderá ser tão bom como a saga que a tornou famosa e que, muito sinceramente, mudou a minha vida para melhor. 

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crónicas das aulas de espanhol parte II
segunda-feira, 15 de outubro de 2012 || 7:30 da tarde

Não há nada melhor para acordar do que ter Espanhol às dez da manhã. Na aula de hoje além de ter dito mierda e fucking shit quase de seguida, o professor ainda conseguiu que um colega meu confessasse que dormia só de boxers quer fizesse calor, quer fizesse frio. Isto tudo depois de começar a aula com um jogo de mímica em que fingiu que estava a curtir com uma rapariga e não lhe conseguia desapertar o sutien. E foi muito realista, se me permitem dizer-vos. O mais assustador é que no meio disto tudo ele consegue ser dos melhores professores de línguas que eu já tive. 


(Ninguém me tira da cabeça que o meu professor é quase igual ao  Mr. Fitz (se bem que menos giro) de Pretty Little Liars)

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porque nem todos os clichés me metem nojo
domingo, 14 de outubro de 2012 || 8:57 da tarde

Vocês sabem que eu sou muito pouco entusiasta no que toca a casamentos e a coisas muito românticas. O casamento cheio de convidados e de vestido branco não tem nada a ver comigo e, pela taxa de divórcios, também não tem nada a ver com a maioria das pessoas que se casam. Mas - e já admitindo que adoro ir a casamentos pela comida e pelo convívio - cada um sabe de si e Deus sabe de todos e, no casamento dos outros não meto eu o nariz. Mas, por mais que torça o meu já referido nariz a casamentos, quando falamos de bodas de prata/ouro/platina ou renovação de votos a história já é outra. Aí sou rapariga para me comover e para deitar uma lágrima ou duas. Faz hoje uma semana que assisti a uma cerimónia de celebração das bodas de ouro e renovação dos votos matrimoniais. Uma coisa muito simples, demorou cinco minutos, no fim da missa, mas ainda assim, foi das coisas mais bonitas que já alguma vez vi. Mais do que casar - e olhem que confiar noutra pessoa ao ponto de dar esse passo já revela muita coragem, independentemente do final trágico de alguns casamentos - acho que é lindo duas pessoas continuarem apaixonadas depois de cinquenta anos de convivência que, apesar de ser sempre marcada por muitos momentos felizes também o é por problemas, stress, rotina e trabalho. Ver duas pessoas a renovar os votos após 50 anos de casamento e a declarar que estão cada vez mais apaixonadas faz-me acreditar que o amor, tal como ouvimos nas histórias, existe e sim, isso faz-me chorar de emoção. Quando vou a casamentos nunca sonho estar no lugar dos noivos - a sério, não consigo imaginar nada mais desconfortável do que ser observada por centenas de convidados, gastar balúrdios  passar horas num vestido enorme e pesado, ter ataques de nervos porque tudo tem que estar perfeito, aturar as vinte tias e levar com arroz no alto da cabeça - mas quando vejo casais, independentemente da idade, a renovar votos ou a dizerem que, com os muitos anos de convivência se apaixonam cada vez mais, penso sempre "é isto que eu quero para mim". 

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sábado, 13 de outubro de 2012 || 3:06 da tarde

Na próxima semana tenho um reencontro de turma. A escola organizou uma entrega de diplomas aos alunos que acabaram o secundário este ano. Ainda só passaram uns meses desde que deixámos de partilhar o dia-a-dia uns com os outros, mas já prevejo muitas conversas do género "a minha pilinha é maior que a tua!" (a.k.a estou numa universidade melhor que a tua, num curso melhor que o teu, com amigos melhores que os teus). Ainda assim, e brincadeiras à parte, estou super ansiosa e cheia de vontade de rever toda a gente e de partilhar novidades. Claro que todas as turmas têm os seus elementos mete-nojo, mas esses, felizmente, não querem nada comigo. Já escrevi aqui que adorei o secundário e que tenho pena de perder algum contacto com pessoas de quem gosto muito mas que não fazem parte do meu grupo de amigos, daqueles que vou levar para a vida. Confesso que tenho tido muitas saudades da minha antiga escola, dos meus antigos colegas e dos meus antigos professores e que estou cheia de vontade de ver o pessoal todo reunido, com os grupinhos do costume e as conversas típicas de cada grupo. Já o professor de educação física eu dispensava ver...afinal, nem tudo foi bom no secundário. Ver este tipo de iniciativas aliado ás iniciativas culturais constantes e ao carinho que a escola deixou no coração de quase todos os alunos dá-me, uma vez mais, a certeza de que andei num dos melhores liceus públicos do país. 




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Quem disse que as manhãs de terça-feira são aborrecidas?!
quarta-feira, 10 de outubro de 2012 || 6:51 da tarde

Terça-feira, às dez da manhã, estou a ter uma cadeira tão interessante como pesada: Estudo das Culturas. Vá-se lá saber porquê, não tenho essa aula no edifício principal da faculdade, mas numa espécie de pavilhão secundário, que dá para um campo meio descampado. Devo ainda referir que a minha sala tem janelas enormes e que, nessa disciplina, a turma tem cerca de setenta pessoas. Ora, estava eu cheia de sono e com a cabeça cheia de informações culturais a tentar seguir o texto que estávamos a estudar, quando olho para a janela e vejo quatro rapazes a passar. Um deles repara que eu estou a olhar para eles, baixa os calções e põe-se a abanar as partes intimas violentamente, enquanto o resto do grupo se ri. Esta triste cena durou cerca de dez segundos, no final dos quais ele arruma o material e vai embora a correr e a rir descontroladamente. Nem sequer pude manifestar-me, porque a turma estava toda em silêncio e quando, alguns momentos depois, me recomponho do que acabo de ver e digo à minha colega, "o que é que a professora disse sobre este parágrafo? É que passou aqui um rapaz que me mostrou as partes e eu perdi a linha de pensamento", ela responde-me "ahahaha, boa desculpa". É são estas cenas que me acontecem. Setenta pessoas e mais nenhuma viu. 

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quem disse que as tardes de Domingo são aborrecidas?
domingo, 7 de outubro de 2012 || 9:57 da tarde

Hoje dormi mal e acordei irritada. Só saí de casa para ir à missa e a preguiça era tanta que peguei numas calças de ganga e numa camisola básica preta só para não ter que me aborrecer com conjugações. Acontece que calcei umas sandálias de cunha pretas para combinar com a camisola e porque, convenhamos, não lhes posso dar uso durante a semana, já que estou na faculdade. Passo a missa quietinha no meu canto, já farta de ouvir comentários do género "Estás mais alta" ou "Estás uma mulher" ( mau dia para usar saltos, portanto) e ali a saltitar na linha que separa o estar acordada do estar a dormitar. Está a missa no fim e eu já de rabo alçado para vir para casa, tal era a minha soneira, quando sou informada de que há um casal que vai renovar os votos porque celebram, hoje, as bodas de ouro. Abençoados, venha lá o discurso e a bênção das alianças que a menina está cansada. Aliança para aqui, aliança para ali, muitas palmas, muitas senhoras com a lágrima no canto do olho (eu própria teria participado no "awwwww" colectivo e ficado de lágrima no olho de não estivesse com tão mau-humor) e finalmente acaba a renovação dos votos em si e começa a corrida para ver quem é que chega mais depressa ao casal. Não importa que nunca tenham visto a família mais gorda, toca de empurrar toda a gente para chegar ao altar, onde estava o casal, os padrinhos (sim, os padrinhos do casamento que aconteceu há cinquenta anos atrás) e a família toda. Eu reviro os olhos e penso "Meu Deus, mas será que não há nada que tire esta soneira de cima?". Eu ainda não sei porque é que peço as coisas, porque mal acabo de pensar isto não é que bato com os olhos no B., em todo o seu esplendor (ou falta dele)? 

Quem me lê há já algum tempo sabe que o B. é, nada mais nada menos, do que o rapaz por quem eu tive uma valente panca durante mais de três anos. Claro que eu já devia saber que uma panca por alguém que conhecemos na igreja de um hospital nunca pode acabar bem, mas acho que mereço um desconto se vos disser que nos conhecemos quando eu tinha onze anos e que a minha panca durou dos doze aos quinze, até eu perceber que o rapaz era arraçado de urso e se importava tanto comigo como com um cacho de bananas podres. 

Ora, voltando à história, o rapaz estava lá, com a família toda, como nos bons velhos tempo, muito empenhado, tal como eu, em fingir que não me estava a ver. Possivelmente se não estivesse com tanto sono tinha percebido mais cedo que o casal das bodas de ouro era da família dele. Por mim tudo bem, principalmente se tivermos em conta que não nos víamos há dois anos, ou coisa parecida, se excluirmos aquele encontro relâmpago numa perfumaria no Vasco da Gama que, infelizmente, nenhum de nós conseguiu antever cedo o suficiente para dar meia volta e sair da loja pela secção dos cremes para os pés. Talvez ajude se eu disser que, nessa altura, ele estava com a namorada. Provavelmente também é importante eu referir que na peúltima vez que o vi foi no aeroporto, já depois de eu ter ultrapassado os meus sentimentos adolescentes em relação a ele e de de nós termos reaprendido a conviver como pessoas normais que tentamos ser e, ironia das ironias, uma tia-avó dele nos ter perguntado se eu é que era a namorada dele. Óbvio que os país dele estavam lá e que a situação se tornou extremamente constrangedora no momento em que gritámos os quatro que não, como se isso fosse a coisa menos plausível do mundo. Possivelmente se não estivesse com tanto sono tinha percebido mais cedo que o casal das bodas de ouro era da família dele.

Tendo em conta os parágrafos anteriores e o facto de a porta da igreja estar bloqueada pelas três mil velhinhas que tinham ido à missa, decidi ir cumprimentar uns amigos que, por acaso, cantam no pseudo-coro da igreja. Isto seria irrelevante se, o acesso aos bancos onde o coro se senta não fosse um corredor extremamente curto e estreito. Vou lançada pelo corredor quando o B. aparece no extremo oposto, carregado com bancos para as primas. Ele olha para mim, provavelmente a pensar que na altura em que nos víamos regularmente eu ainda não usava saltos nem calças justas, eu olho para ele, a pensar que ele ia estranhar ver-me minimamente bem vestida (o mesmo não se podia dizer sobre ele...) e, a avaliar, mentalmente, a possibilidade de termos que nos espremer um contra o outro para conseguir passar ali. Felizmente conhecemo-nos suficientemente bem para saber que nunca fomos muito bons a operar em espaços muito apertados e, automaticamente, sempre a fingir que não nos víamos, demos ambos meia volta porque é perfeitamente normal termo-nos lembrado, ambos ao mesmo tempo, que tínhamos aquela coisa para fazer, naquele outro sítio. 

E foi assim, o resto da tarde a tentar evitar a família dele, que me conhece há demasiados anos para não fazer os comentários do costume sobre a faculdade ou sobre como eu estou grande. E nunca tivemos nada um com o outro...nem quero imaginar se tivéssemos tido.  



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revoltas de uma nerd
sexta-feira, 5 de outubro de 2012 || 8:06 da tarde

Acho ridículo conseguir comprar uma versão em inglês de vários livros de Charles Dickens (e outros autores de clássicos da literatura universal) a três euros e setenta e cinco cêntimos e  não encontrar uma versão portuguesa a menos de dezasseis euros e meio (excluindo o Cântico de Natal). Eu compreendo que as editoras têm  que comprar os direitos de autor e pagar a tradutores, mas continuo a achar que a cultura é exageradamente cara. O que acaba por fazer pouca diferença, uma vez que mais de metade da população não sabe o que é abrir um livro desde os tempos de escola. Mas para os vinte e cinco ou trinta por cento da população que gostariam, realmente, de ter acesso à cultura a coisa torna-se complicada. Eu tenho a sorte de conseguir ler em inglês, mas e as pessoas que não dominam a língua e não ganharam o euromilhões recentemente?!

imagem retirada do fantástico À procura da terra do nunca

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sim, eu sei que toda a gente conhece isto
terça-feira, 2 de outubro de 2012 || 8:53 da tarde

PUEDO escribir los versos más tristes esta noche. 
Escribir, por ejemplo: " La noche está estrellada, 
y tiritan, azules, los astros, a lo lejos". 
El viento de la noche gira en el cielo y canta. 
Puedo escribir los versos más tristes esta noche. 
Yo la quise, y a veces ella también me quiso. 
En las noches como ésta la tuve entre mis brazos. 
La besé tantas veces bajo el cielo infinito. 
Ella me quiso, a veces yo también la quería. 
Cómo no haber amado sus grandes ojos fijos. 
Puedo escribir los versos más tristes esta noche. 
Pensar que no la tengo. Sentir que la he perdido. 
Oír la noche inmensa, más inmensa sin ella. 
Y el verso cae al alma como pasto el rocío. 
Qué importa que mi amor no pudiera guardarla. 
La noche está estrellada y ella no está conmigo. 
Eso es todo. A lo lejos alguien canta. A lo lejos. 
Mi alma no se contenta con haberla perdido. 
Como para acercarla mi mirada la busca. 
Mi corazón la busca, y ella no está conmigo. 
La misma noche que hace blanquear los mismos árboles. 
Nosotros, los de entonces, ya no somos los mismos. 
Ya no la quiero, es cierto, pero cuánto la quise. 
Mi voz buscaba el viento para tocar su oído. 
De otro. Será de otro. Como antes de mis besos. 
Su voz, su cuerpo claro. Sus ojos infinitos. 
Ya no la quiero, es cierto, pero tal vez la quiero. 
Es tan corto el amor, y es tan largo el olvido. 
Porque en noches como ésta la tuve entre mis brazos, 
mi alma no se contenta con haberla perdido. 
Aunque éste sea el último dolor que ella me causa, 
y éstos sean los últimos versos que yo le escribo.


Pablo Neruda, poema 20






Eu não sou nada de publicar estas coisas, mas não me consigo cansar deste poema. 

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Olá Outubro
segunda-feira, 1 de outubro de 2012 || 7:44 da tarde

Todos os anos repito, aqui no blog, que não gosto de Setembro. É o mês das mudanças, dos recomeços, da despedida ao Verão e, principalmente, do pesadelo do regresso às aulas. Setembro é um  mês demasiado trabalhoso e emotivo para mim. Já Outubro, é sempre um alívio, independentemente do frio ser cada vez maior e do stress dos testes e trabalhos. Acho que prefiro o trabalho bruto às duvidas e às decisões todas de Setembro. Este ano, mais do que nos outros, Outubro vai saber bem, nem que seja por poder usar camisolas quentinhas e chegar à faculdade e ver caras conhecidas que, em Setembro, eram ainda caras desconhecidas. Se tenho que ir para a faculdade, que tenha, pelo menos, uma rotina, por mais aborrecido que isso possa parecer.


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