Write loud and clear about what hurts

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Se conseguisse descrever-me em poucas palavras não tinha criado um blog. Desde 2009 a escrever sobre pedaços aleatórios de vida e histórias mirabolantes. Para questões, sugestões ou dúvidas existenciais, ana_bmd@sapo.pt




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It happened to me
domingo, 23 de julho de 2017 || 1:08 da tarde

Uma das minhas melhores amigas mostrou-me este site há já alguns anos e, desde então, habituei-me a consulta-lo ocasionalmente e a ler as histórias que os vários autores aí partilham. O conceito é muito simples: toda a gente é convidada a escrever um post sobre algo marcante que lhe tenha acontecido. A responsável pelo site/blog filtra o conteúdo que lhe chega, seleciona os textos que faz sentido publicar e dá os últimos toques editoriais. Na plataforma, encontramos histórias sobre todo o tipo de momentos e acontecimentos, desde leituras que nos deixam com lágrimas nos olhos a posts que nos fazem rir à gargalhada. Infelizmente, o blog deixou de ser atualizado em Dezembro de 2016, mas vale a pena irem lá espreitar e escolher algumas histórias para ler de entre as centenas que foram sendo publicadas ao longo dos anos. A rúbrica chama-se It Happened to Me

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#gocorporate
sexta-feira, 21 de julho de 2017 || 9:50 da tarde

Já me vi em locais e situações muito atípicas, mas esta semana passei um dia inteiro numa cozinha industrial, em trabalho. Não conhecia uma única pessoa e tinha como responsabilidade, no final do dia, saber absolutamente tudo o que era feito e quem era o responsável por fazer cada tarefa acontecer. Aquilo ficava no subsolo, tinha o equivalente a 17 campos de futebol de área quadrada e a temperatura rondava os 5ºC no melhor dos casos e os -2ºC no pior. Eu entrei lá à espera de infernos flamejantes e dei por mim de toca, botas para o frio e um casacão de inverno em pleno Julho. Não sei muito bem como, mas falei com toda a gente, aprendi quase tudo o que há para aprender sobre todos os processos, sobrevivi ao frio glaciar das câmaras de conservação e arrefecimento de comida - basicamente todo o lado menos a sala onde estão os fogões - e dei por mim quase quase a discutir strippers com três dos rapazes responsáveis por arrumar a matéria prima e um dos rapazes piscou-me o olho de forma tão descarada que ambos tivemos que parar a entrevista para nos rirmos. Estive numa reunião de equipa onde não conhecia ninguém a bater palmas ao empregado do mês e em que era uma de três mulheres num universo de 30 pessoas. Cheguei ao final do dia exausta e quase esquecida que existia luz do sol lá fora. Foi um dia muito difícil e ao mesmo tempo muito fácil, sabem, tinha saudades de estar só no terreno e falar com as pessoas reais que fazem as coisas acontecer todos os dias, sem fatos e gravatas, regras de etiqueta complexas e computadores com programas de última geração. 

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The Raven Boys
quarta-feira, 19 de julho de 2017 || 10:22 da tarde

Já disse várias vezes que não leio muita fantasia e que tenho que estar num mood específico para pegar num livro deste género. Há uns meses atrás, coloquei The Raven Boys na minha lista para ler ainda em 2017, visto que ando há praticamente um ano a ouvir as booktubers americanas dizer maravilhas sobre ele. E ainda bem que o escolhi, porque não sendo incrível, é um livro muito bom. Leve o suficiente para me permitir descansar a cabeça depois de um livro de não-ficção mas envolvente ao ponto de eu sentir vontade de ler mais depressa e virar as páginas para saber o que vai acontecer a seguir. O conceito base é original q.b e mexe com magia, mas fá-lo integrando-a sempre em cenários realistas e sem precisar de criar mundos ou universos à parte. As personagens principais são interessantes e têm algumas camadas, pelo que vão crescendo ao longo dos capítulos. Não sou uma leitura particularmente ingénua e, ainda assim, este livro conseguiu surpreender-me a sério pelo menos uma vez e deixar-me com um sorriso nos lábios com alguns dos plot twists ou eventos relativamente inesperados.



Se gostam de fantasia - ainda que só de vez em quando, como eu - e estão à procura de uma saga forte e com muito potencial, experimentem esta!

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#gocorporate
terça-feira, 18 de julho de 2017 || 10:03 da manhã

Eu aguento muita coisa no que toca a convívio social e sou alguém que até tem uma preferência por pessoas ligeiramente mais velhas face a pares ligeiramente mais novos, mas juro-vos que se tenho que passar mais uma hora de almoço a ouvir as minhas colegas falar sobre os filhos pequenos e as tarefas domésticas, começo a ponderar a opção de me esconder na casa de banho e almoçar sandes ou de me infiltrar numa mesa onde só estejam pessoas de meia-idade e com os filhos criados Eu acho fantástico que tenham filhos e normal que falem sobre eles, mas já não aguento mais ter a mesma conversa em loop. 

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the princess saves herself in this one
segunda-feira, 17 de julho de 2017 || 12:40 da tarde

Já vos falei de Salt, o primeiro livro de poesia que mexeu comigo e me mostrou que em duas palavras cabe um mundo de sentimentos. The Princess Saves Herself In This One é outro exemplo poderoso de como, com poemas curtos, podemos contar mil histórias. Podem perceber, pelo título, que este é exatamente o meu tipo de livro. Sempre detestei a ideia de meninas-princesa indefesas e à espera de ser salvas! Neste livro, a autora fala-nos sobre todas as feridas da sua juventude de uma forma muito bonita mas também muito honesta e, depois de abrir o jogo e nos mostrar, um por um, todos os seus dragões, relata o caminho para o amor-próprio, a auto-estima e a aceitação de quem ela é por dentro e por fora. E fala-nos de todos estes temas numa linguagem nada pretenciosa mas em que todas as palavras e todos os ritmos encaixam na perfeição.

Esta autora tem apenas 25 anos e já viveu um mundo de experiências devastadoras. E soube pegar nelas e torna-las arte. O caminho que ela fez é incrível e a sabedoria que imprime em cada página é de cortar a respiração. Gosto muito muito muito de princesas que se salvam a si próprias e esta autora não só derrotou vários dragões, como é um verdadeiro exemplo de empowerment e de resiliência. Nem por isso este é um livro triste ou muito pesado. Este livro toca em feridas e em momentos tristes, mas muito mais do que isso, fala-nos sobre momentos de definição pessoal e em amor-próprio e isso é lindo.



Se ainda não vos convenci, fiquem sabendo que a autora começa um livro dedicando-o a Harry Potter e a tudo o que a saga representou para si!

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#gocorporate
domingo, 16 de julho de 2017 || 1:37 da tarde

Estou a fazer um estágio de verão numa das minhas empresas de sonho e lá, como em quase todas as empresas atentas às tendências, toda a gente com excepção das chefias trabalha em open space. Para mim é excelente porque, no meio de tantas centenas de pessoas, fico a conhecer pelo menos os colegas do meu piso, mas esta minha experiência só tem vindo a reforçar a minha opinião de que open spaces muito grandes e com muitas pessoas a trabalhar em simultâneo trazem quebras de produtividade. Perco a conta das vezes em que alguém é interrompido sistematicamente no espaço de dez minutos porque estamos todos ali ao lado uns dos outros e vejo que se torna muito mais difícil manter a concentração quando conseguimos ouvir a conversa que duas pessoas têm ao nosso lado ou duas ilhas à nossa frente. Também há muito mais pessoas a circular pelos corredores centrais e a dizer bons dias e fazer conversa de circunstância enquanto passam e muitas reuniões de equipa e de projeto em que acaba por se perder meia hora a fazer um ponto de situação a toda a gente que não está dentro da tarefa. Não me interpretem mal, estou a trabalhar numa empresa incrível e líder de mercado em vários países e tenho aprendido imenso sobre tudo, mas achava que ia sentir que os níveis de produtividade eram altíssimos e que existia toda uma eficiência que eu ainda precisava de praticar para dominar. A verdade é que na faculdade e nos meus projetos paralelos trabalho muito mais depressa e eficientemente com as minhas equipas, distraímo-nos menos, fazemos menos pausas, sentimos mais o tempo a escorrer porque temos todos que fazer malabarismo com a vida académica, profissional e pessoal - o que não é bom e uma das características que mais aprecio nestes últimos tempos de estágio é a possibilidade de fazer as coisas com relativa calma. Apesar de estar a ter um verão um bocadinho menos azul do que o normal, tenho aprendido mesmo muita coisa e respirado fundo porque, todas as experiências profissionais que tenho vindo a ter me fazem sentir menos num campo de batalha do que a faculdade. 

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das pessoas
terça-feira, 11 de julho de 2017 || 10:51 da tarde

Hoje conheci duas pessoas absolutamente brilhantes e inspiradoras. A primeira tinha um dos pensamentos críticos mais aguçados que já vi e uma capacidade de inovação da qual eu (ainda) estou a anos-luz. Saí da minha reunião com ideias novas e uma lufada de ar fresco. A segunda era exatamente o tipo de profissional que eu espero ser daqui a 40 anos: rosto e palavras simpáticas e uma capacidade raríssima de transformar o mundo à sua volta para melhor com toda a calma e dignidade. Olhei para aqueles olhos já um tanto envelhecidos e percebi que o senhor com quem estava a reunir era a rocha que todos procuravam em dias de tempestade, o foco nos resultados que guia de forma implacável ao sucesso e a mão humana que percebe que a chave são sempre as pessoas. Olhem, saí de lá com os olhos a brilhar e a querer que ele me adoptasse e me ensinasse tudo o que sabe. 

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Postcards from Prague
segunda-feira, 10 de julho de 2017 || 7:58 da tarde

Há um ano atrás Portugal ganhou o Europeu e Viena ganhou o meu coração. Meti-me num autocarro de regresso à minha casa temporária em Praga, não comi nada porque o stock do autocarro acabou no passageiro anterior a mim, fiz amizade com dois americanos, gritei com o jogo num autocarro cheio de checos, corri para o bar da faculdade no intervalo e cheguei a tempo de apanhar a maioria da segunda metade do jogo. Pulei pelo bar, bebi um shot oferta da casa a todos os Portugueses, depois de o dono ter prometido que se ganhássemos o bar era todo nosso e fui sair mesmo estando morta de cansaço. Expliquei a um colega, pela milésima vez, que não queria envolver-me com ele, fui à minha discoteca favorita de Praga, fui abraçada por Suecos e Portugueses imigrantes. Fiz as pazes com França numa conversa animada com duas francesas na fila para a casa de banho e festejámos juntas. Conheci um português a viver em Praga que acumulava todos os clichés a que acho piada e desafiava todos os estereótipos que eu tinha sobre engenheiros e ficámos amigos. Vi o sol nascer com um grupo de pessoas que me fez feliz durante quase um mês fora de casa e senti que os 21 tinham sido incríveis. Caminhei por aquelas ruas lindas com o coração cheio e a certeza que, naquele instante, eu estava onde deveria estar. 

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[private post]
domingo, 9 de julho de 2017 || 3:31 da tarde

Os verdadeiros problemas não costumam ser os que me deixam agitada, mas sim os que me deixam imóvel e sem palavras para dar ao mundo.

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dos dias
sábado, 8 de julho de 2017 || 7:45 da tarde

O meu cliente favorito morreu ontem e eu não tinha sido avisada que ele tinha sofrido uma recaída no último mês. O meu cliente favorito morreu ontem e eu não abrandei, mais pelo hábito de ser uma fortaleza e avançar sempre do que por ter força para continuar a andar. O meu cliente favorito morreu ontem e eu não quer imaginar um microuniverso onde ele não vai ao meu café quase todos os dias. O meu cliente favorito morreu ontem e eu não quero servir o pão com manteiga e o galão à esposa dele sem lhe perguntar por ele. O meu cliente favorito morreu ontem e falta-me o ar por saber exatamente o que é que os filhos e a esposa dele estão a sentir neste momento e por saber que amanhã será ainda pior. O meu cliente favorito morreu ontem e seis dias antes de morrer disse à minha mãe que não estava pronto para morrer e queria mais anos, mas tinha que se preparar para o inevitável. Ninguém devia ter que morrer sem estar preparado. O meu cliente favorito morreu ontem e estamos a falar de uma pessoa que celebrou sucessos e dias normais com os meus pais, fez festas à cadela, visitou o meu pai no hospital nos meses de sofrimento interminável e segurou a mão à minha mãe naquelas semanas terríveis em que a vida ainda cheirava a hospital e o coração ainda estava vazio, fez-nos companhia em muitas noites a trabalhar e brincou comigo desde que aprendi a segurar-me em pé. O meu cliente favorito morreu ontem e dele vou levar para sempre o sorriso cúmplice e o acenar de cabeça quando percebia que estava triste e as tardes incontáveis a falar sobre trivialidades que, sem que eu me apercebesse, faziam parte da minha vida desde sempre.

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diário de bordo
quarta-feira, 5 de julho de 2017 || 10:28 da tarde

Os raros 15 minutos de paz absoluta em que sinto o coração tranquilo e o universo alinhado geralmente vêm seguidos de uma série de peripécias e sarilhos que me fazem andar às cambalhotas pela vida nas semanas seguintes. Desta vez convenci-me que era mentira e que só tinha essa sensação porque me tinha transformado numa pessimista. Depois recebi uma notícia péssima e tive uma situação ainda pior para resolver e passei o resto do fim-de-semana aborrecida. A minha vida é certeira como um relógio. 

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Thinking Fast and Slow
terça-feira, 4 de julho de 2017 || 10:55 da tarde

Quero começar este post dizendo que este livro entrou diretamente para o meu top de não-ficção. Daniel Kahneman tem 83 anos, uma carreira de investigação em psicologia inigualável e um prémio Nobel da Economia e eu tive que me controlar muito para não ser fangirl de um senhor com idade para ser meu avô. Se precisarem de mais incentivos para ler este post, saibam que Barak Obama recomendou este livro e Kahneman cita várias vezes Nassim Taleb - outro dos meus heróis literários!

Thinking Fast and Slow fala sobre tomada de decisão, mas fá-lo abordando não apenas a racionalidade como, principalmente, o papel da nossa intuição. Quando é que podemos confiar na intuição, em que contextos a nossa mente ativa este mecanismo, que processos lhe estão inerente e qual o impacto que isto tem na nossa vida pessoal e nos sistemas económicos e sociais da atualidade. É um livro com muitos conceitos técnicos mas que se lê com facilidade porque cada conceito e mecanismo está bem explicado e é ilustrado com exemplos de vários estudos realizados dentro e fora de laboratório. Eu detesto ler livros pesados com teoria sem fim e pouca aplicabilidade e Kahneman sobre um tema que eu adoro conseguiu fugir da tendência para despejar informação que foi recolhendo ao longo da vida. O livro está dividido em quatro grandes temáticas e, dentro de cada uma dessas partes, existem pequenos capítulos que versam sobre um tema específico. Simples, organizado e de forma a ajudar os leitores a nunca perder o fio à meada. 


Sou uma apaixonada pela forma como o nosso cérebro funciona e especialmente pelos temas de tomada de decisão e poder e influência, por isso cada capítulo deste livro me trazia surpresas e confirmação de algumas opiniões que já tinha. Mas tão interessante como o conteúdo científico do livro foi poder ler sobre as experiências do autor. O curriculum dele é impressionante, com projetos megalómanos, teorias que servem de base à economia contemporânea e testemunhos que cobre a forma de funcionamento de laboratórios, firmas de finanças, revistas de investigação, o Ministério de Israel e outros tantos ambientes de trabalhos igualmente diversos. Kahneman conquistou-me quando disse que uma das ideias que ele mais defende na vida é que o sucesso é composto por uma dose de talento e uma dose igualmente grande de sorte e esta admiração pela carreira dele e pela sua forma de pensar só cresceram a medida que pude sentir a sua humildade ao longo do livro e a sua lealdade ao seu maior companheiro de investigação, com quem trabalhou duas décadas da sua vida. 

Este é um livro com muita informação, mas que recomendo muito não só pela sabedoria que vão retirar dele mas porque é genuinamente interessante e cheio de exemplos muito bons sobre a forma como o nosso cérebro trabalha e nós tomamos decisões. É importante estar atento aos principais erros para podermos lutar eficazmente contra preconceitos ou atalhos que nem sempre nos levam ao melhor resultado. 

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postcards from Algarve
domingo, 2 de julho de 2017 || 2:29 da tarde

Voltei ao Algarve exatamente dez anos depois das minhas últimas férias lá. Os 22 têm sido um ano de primeiras vezes, mas também de reencontros e regressos a sítios onde já fui feliz.


Créditos C.D.K. Photography

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ponto da situação
sábado, 1 de julho de 2017 || 12:59 da tarde

No último mês, alcancei dois objetivos profissionais muito desejados e muito ambiciosos. Foi curioso, porque surgiram na mesma altura e numa fase em que eu estou tão habituada a ser meia apática que não me recordo da última vez em que me senti verdadeiramente emocionada com algo. Mas ontem, enquanto percorria corredores que me são totalmente novos e que me obrigaram a lutar tanto para poder pisa-los, senti-me tão orgulhosa de mim e do quanto já alcancei que me dei ao luxo de desligar as defesas e sentir o coração bater mais forte de expectativa durante 15 minutos. E foram 15 minutos incríveis. 

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currently
sexta-feira, 30 de junho de 2017 || 10:18 da tarde

Aos 22 anos ainda estou a ter o privilégio de viver tantas primeiras vezes incríveis que me sinto inundada de gratidão. 



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[private post]
domingo, 25 de junho de 2017 || 2:18 da manhã

Há temas dos quais ainda não falo. Momentos extremos de felicidade imensa, tristeza profunda ou medo consumidor que guardo dentro de mim e me recuso a explicar aos que atualmente me rodeiam. Porque as palavras raramente me falham, mas as experiências transformadoras, aquelas que mexem connosco lá dentro e nunca mais nos deixam os mesmos, tendem a ser intransponíveis para palavras. Conhecimento tácito que não consigo passar a explícito. Muito contexto para desbravar antes de encontrar palavras que comecem a descrever o núcleo das coisas que aconteceram e uma incapacidade sincera em explicar como é que momentos tão pequenos aos olhos de todas as outras pessoas foram tão grandes em mim e continuam a ter impacto quinze, dez, cinco anos depois. Não explico porque é que não celebro o aniversário ou porque é que nunca mais vou voltar a gostar de Peniche. Nunca vos consegui passar verdadeiramente o quanto as minhas idas à Bósnia me tornaram 2/3 de quem sou hoje ou como é que uma troca de olhares e quinze minutos de silêncio compuseram uma canção de amor em Fátima, às 3h da manhã,depois de um dia que durou semanas. Nunca contei a ninguém das horas que passei a ver os minutos passar em corredores abandonados de um hospital privado todos os domingos durante anos da minha vida ou como é que aprendi e desfrutar pacificamente da companhia das pessoas que entram na minha vida e a não sentir nada quando chega a hora de elas irem. Não conto a quem entra agora na minha vida que costumava ser outra pessoa - não melhor ou pior, só diferente - e que me despi dessa pele no Verão dos meus 19 anos quando não fiz mais do que sentar-me no chão, olhar para o teto e esperar que o turbilhão que acontecia dentro de mim passasse. Durante três meses ininterruptos. Não paro para mencionar que a pessoa que mais odeio no mundo é também aquela que mais se assemelha a mim, que um dos piores momentos da minha vida foi passado na meia noite entre dois dos meus dias favoritos do ano ou que quando conheci a minha melhor amiga soube imediatamente que íamos caminhar juntas na vida. Nenhum dos meus amigos sabe que a última lição que ela me ensinou foi que se aprendi a não sentir saudades dela, dificilmente voltarei a sentir a falta de alguém na vida e que histórias sobre raposas pertencem exclusivamente às únicas duas figuras paternais que existiram na minha vida. 


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#gocorporate
quinta-feira, 22 de junho de 2017 || 3:28 da tarde

No final de uma entrevista a um candidato mesmo muito genuíno e honesto, escrevi num papel uma lista de três livros relacionados com a área do projeto, entreguei-lho e disse-lhe que com base na entrevista e no perfil que ele tinha demonstrado, eu achava que ele ia gostar de os ler. Não sei se perdi só a pouca vergonha na cara que ainda tinha ou se melhorei substancialmente o meu jogo a nível de Employer Branding, mas alguém me segure porque aconselhar livros a desconhecidos é todo um novo patamar que eu nunca tinha pisado. 





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inception de autores brilhantes
quarta-feira, 21 de junho de 2017 || 10:26 da manhã

Daniel Kahneman, prémio Nobel da Economia e inegável líder mundial na pesquisa sobre tomada de decisão, intuição e psicologia das finanças, cita no seu livro Thinking Fast and Slow, Nassim Taleb como maior autoridade no estudo da volatilidade e psicologia financeira. Quem me lê desde o último verão, sabe que Nassim Taleb é um dos autores que mudou a minha vida e moldou a minha percepção do mundo. Kahneman está a caminhar a passos largos para ocupar o meu pódio de autores favoritos de não-ficção. Podem imaginar o entusiasmo nerd que eu estou a sentir neste momento. 

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dos dias
segunda-feira, 19 de junho de 2017 || 3:46 da tarde

Sei que sou tendenciosa porque gosto muito de Lisboa, mas esta época dos Santos Populares é mágica. Com o final de aulas e a quantidade certa de turistas, a temperatura mais quente e a luz perfeita e as ruas de Lisboa cheias de pessoas de todas as idades e de desconhecidos a sorrir uns com os outros. Geralmente sou fã acérrima da impessoalidade que a vida nas grandes cidades permite, mas uma das minhas características favoritas de Lisboa é como, nesta altura, é possível colocar tudo o resto em pausa e festejar com desconhecidos num arraial. Já perdi a conta do número de vezes que, ao longo dos últimos anos, dei por mim em recantos que não conhecia a dançar ao som de música que nem sequer gosto noutro contexto. Mas ali, tudo se alinha magicamente e é perfeito. Ano após ano numa tradição que se renova e sobrevive a todas as mudanças culturais que possam exigir. De Alfama à Madragoa, milhares de pessoas a serem felizes e a porem a realidade em pausa porque os Santos Populares são como uma bolha. 

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Life in a Day
domingo, 18 de junho de 2017 || 8:36 da tarde

Há uns tempos, a Inês falou deste documentário e eu fiquei tão curiosa que decidi ver. Podem encontrar a review  dela aqui

Este documentário - que está disponível na integra no Youtube - retrata a vida de dezenas de pessoas, a quem foi pedido que enviassem gravações do dia 24 de Julho de 2010. A adesão foi impressionante e, entre as várias dezenas de excertos selecionados, podemos encontrar pessoas de todo o mundo e de todas as idades. Se ao início temi que esta enorme variedade pudesse tornar o filme demasiado fragmentado, a verdade é que cheguei ao fim completamente apaixonada e impressionada por o realizador ter sabido combinar tão bem tantos pedaços diferentes de filme e informação. 

Apaixonei-me por quase todas as pessoas que apareceram no documentário porque, precisamente por serem gravações amadoras e familiares, eram todas muito reais. É um peça muito crua, isto é, não há efeitos especiais nem um enredo com uma história mirabolante que faz o nosso coração saltar batidas, mas a forma como é possível conectarmo-nos a um nível emocional com quase todas as pessoas retratadas é mesmo muito bonita e mostra que sem máscaras, somos todos humanos e essa humanidade existe para nos unir independentemente de todas as barreiras. 


Aconselho muito a ver e a ativar as legendas do vídeo, porque a verdade é que sem elas é quase impossível perceber o filme, visto que são faladas mais de dez línguas. 

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